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Como encarar 2016: Produtos digitais para se organizar

Fim de ano me deixa sempre aterrorizada e animada ao mesmo tempo – o simbolismo do fim/recomeço me afeta, sou tomada por aquela ilusão eterna de que tudo mudará (mesmo que as coisas estejam bem, mesmo que elas não precisem mudar). Para encarar esse momento de forma mais realista e eficiente, mudei um pouco minha abordagem pra resoluções, mas também baixei/comprei/ganhei um monte de produtos digitais que estão me ajudando a pensar de outra forma no ano que vem por aí – porque eu sou uma ultra-nerd reformada, type A- confirmada, fascinada por listas e métodos e questionários (culpem o ascendente em virgem). Felizmente, definitivamente não estou sozinha nessa, o que foi comprovado pelo interesse demonstrado no Twitter quando falei sobre escrever um post sobre o tema. Por isso, deixo aqui para vocês as dicas do que está me guiando na passagem de 2015 para 2016.

Design Your 2016, Get Bullish
Ano passado comprei a versão 2015 desse workbook da Jennifer Dziura e achei maravilhosa. Podia ter usado de novo para 2016, mas, nessa onda de pagar pelo que acho legal, decidi investir os US$3,99 necessários para o PDF da versão atualizada. É um pequeno livrinho de perguntas/tarefas, com umas 10 páginas, que te encoraja a pensar sobre seu 2015 e a definir planos, objetivos e ações para 2016.

Blog Planner Digital 2016, Sernaiotto
Em uma conversa sobre blogs, a Duds me indicou o blog da Loma e eu automaticamente me apaixonei (afinal, né, adoro listas, métodos, questionários, etc.). Aí agora no fim de ano ela disponibilizou um blog planner super elaborado, uma planilha com 13 abas divididas em 4 categorias para seu blog estar cada vez mais maravilhoso e organizado. Eu paguei os R$5,00 da loja, mas também é possível pagar divulgando com um tweet. Aproveitei a onda e ainda baixei o printable planner, tecnicamente de 2014, mas legal para imprimir e botar numa pastinha se me interessar (eu gosto de coisas impressas).

Passion Planner
Todo fim de ano sonho com um Passion Planner, penso em comprar, vejo que está esgotado ou que vai demorar meses para chegar por aqui, dou uma olhada na minha querida amada Filofax, confiro minha conta de banco, desisto. Aceitando essa desistência, decidi baixar a versão em PDF (gratuita, paga com divulgação do link), que planejo imprimir e botar dentro da minha Filofax (até porque comprar os refis dela é sempre um terror no começo do ano). O Passion Planner é uma agenda que inclui, além do planejamento tradicional, espaços para te lembrar do foco da semana, para registrar coisas positivas que acontecem, para to-do lists pessoais e profissionais (separadas!) e para anotações, além de frases motivacionais e encorajamentos para a semana; também tem, a cada mês, espaços para reflexões sobre o mês que passou e planos para o mês que vem a seguir, quase como essa onda de fim/recomeço de ano novo, mas mês a mês. É lindo e vou mandar imprimir amanhã mesmo.

The Desire Map Workbook & The Workbook O’Fire, Danielle LaPorte
A maravilhosa Danielle LaPorte está disponibilizando um monte de seus produtos digitais para qualquer pessoa dar de presente gratuitamente para amigos. Descobri pela Gabriela, que me deu esse presente incrível! Estou especialmente animada com os dois workbooks, o do Desire Map (cujo audiobook vem no pacote também, mas ainda não escutei) e o das Fire Starter Sessions. O Desire Map é um método bem elaborado para descobrir seus focos e desejos e o workbook pode ser feito e refeito algumas vezes por ano – ainda não ouvi o audiobook e só dei uma primeira olhada no workbook então ainda não sei dar detalhes, mas o workbook tem umas 80 páginas (!) e parece uma experiência sensacional. O Workbook O’Fire é mais curto, simples e direto, focado em propósitos, focos e sucesso – também ainda não fiz direito, só dei uma boa olhada, mas já estão os dois impressos para me acompanhar em uma tarde de sol. Bonus points: o app da Danielle, #truthbombs, está gratuito por tempo limitado, e recomendo muito, é uma dose de positividade diária! (Disclaimer: agora os links para os produtos da Danielle são links afiliados, o que significa que se alguém comprar eu ganho um dinheirinho; no entanto, a recomendação é 100% sincera, já estava aqui antes desses links, eu não ganho nada só por estar divulgando e o preço para vocês é o mesmo!)

Wishlist: 2016 Radical Self Love Coven Almanac, Gala Darling
Ai, gente, a Gala Darling lançou esse livro digital maravilhoso e já abri a página sei lá quantas vezes só hoje pra ficar olhando e chorando apaixonada. Infelizmente, os US$27 estão salgados para meus bolsos brasileiros, mas quem sabe, né? Enfim, fica aqui a dica extra para quem tem essa grana para gastar (e para quem tem essa grana para gastar de novo e me dar um de presente) (não custa nada pedir).

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Como encarar 2016: Resoluções de ano novo

Todo fim de ano, a mesma coisa: uma lista enorme de coisas que quero fazer, metas que quero atingir, mudanças que quero efetuar, e todos aqueles itens que estavam na lista do ano anterior e acabaram ficando para trás. Este ano, decidi experimentar uma estratégia diferente – em vez de listar tudo assim, corrido, os desejos e objetivos e sonhos em uma lista só, separei minha lista em algumas partes: uma com projetos (profissionais/criativos, principalmente), uma com resoluções de mudanças minhas de perspectiva/atitude/estilo de vida, uma com coisas que quero fazer/atingir de forma mais pontual (por exemplo, uma viagem), e uma com o que já está encaminhado e de fato deve acontecer se tudo correr bem (por exemplo, meu TCC da pós).

Aproveitei um tempo inútil na autoescola outro dia para rascunhar essas listas e fazer umas anotações a respeito no meu caderno. A versão completa vai ficar guardada, só pra mim, porque às vezes eu me controlo na vontade de overshare, mas queria compartilhar com vocês minhas quatro resoluções principais no que diz respeito à forma como eu vivo minha vida.

Ser mais consciente no meu gasto de dinheiro
Não sou de comprar muita coisa ou de forma muito impulsiva, mas não sou também especialmente cuidadosa com meu dinheiro. Já comecei a mudar isso esse ano, baixando o CoinKeeper para ter mais controle sobre meus gastos, mas a resolução passa por mais do que só economizar. A ideia é que eu considere a real necessidade de algo antes de comprar, que eu não compre comida várias vezes por dia quando estou na rua para passar o tempo, que eu reflita sobre o que eu realmente gostaria de fazer com aquele dinheiro em vez de buscar baixa gratificação imediata. Além disso, o objetivo é também pensar mais sobre o que eu compro e de onde eu compro, focar em pagar artistas por seus trabalhos (tenho apoiado com dinheiro alguns sites que eu leio muito, por exemplo), tentar ativamente usar meus gastos para incentivar o que eu quero incentivar.

Ser mais cuidadosa com o que eu digo
Eu falo demais. Assim, muito mesmo. Muito e alto e rápido. E muitas vezes falo coisas totalmente desnecessárias, por razões totalmente desnecessárias, e acabo ouvindo de menos. A ideia então é ser sincera, ser assertiva, mas saber quando ficar quieta e escutar; além disso, também é evitar reclamar à toa, falar coisas desnecessariamente negativas sobre os outros ou sobre mim mesma, ou ser impaciente e grossa. Basicamente, é seguir o que a Gala Darling explica aqui: be impeccable with your word.

Me aproximar do que me faz bem, me afastar do que me faz mal
Parece muito geral, mas cada um sabe o que está em cada categoria. Não só o que, mas quem. A ideia é me cercar de relações positivas, me afastar das tóxicas; me cercar de experiências enriquecedoras, me afastar das que me drenam sem necessidade; me alimentar do que me faz bem e me dá prazer, me afastar do que não me acrescenta em nada, e assim por diante.

Respeitar tempos e limites
Não só meus, mas dos outros. Devo aprender a ser mais paciente, mais pontual e mais organizada no que diz respeito aos meus compromissos, valorizando o tempo e os limites alheios. Mas devo, também, respeitar meus compromissos comigo mesma – não procrastinar na hora em que me organizei para focar em um determinado projeto, mas também não interromper um momento agradável de descanso porque bateu aquele desespero pra trabalhar e resolver problemas que podem muito bem esperar; não decidir tirar um cochilo na hora de malhar, mas também não decidir fazer uns vídeos do Blogilates no meio da madrugada; não passar horas do meu tempo vendo coisas inúteis no Facebook, mas também não ser só produtiva 100% do dia.

Pouco depois de escrever essas quatro grandes resoluções, fui parar em um texto da Sarah Von Bargen sobre viver a vida dela de propósito, ou seja, ser consciente em suas ações e escolhas, em vez de só deixar as coisas fluírem. Me dei conta, então, que existe um tema geral no que eu quero me comprometer a fazer em 2016: viver minha vida de propósito.

Estou bem feliz com minha nova estratégia para organizar resoluções e bastante animada para o ano que vem por aí. E vocês? Fizeram listas de resoluções? Tem um tema geral que engloba o que vocês querem para o ano? Se quiserem, me contem o que desejam para 2016 aqui nos comentários, eu sempre adoro saber!

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Os favoritos de 2015

(Imagem nem um pouco relacionada, escolhida quase ao acaso. Foto minha, tirada no Big Gay Ice Cream em NY ano passado.)

Por motivos de preguiça – e porque já falei de tudo que vou listar aqui nos meus posts de recap do mês –, minhas listas serão só isso: listas. Sem comentários, sem raking, sem notas, sem nada elaborado – só o que eu mais gostei do que li, vi e ouvi em 2015.

TEXTOS
On turning 30, Molly Crabapple; Self-care and survival: an interview with Janet Mock, Fariha Roisin; Manifesto of the Committee to Abolish Outers Space, Sam Kriss; Memes and misogynoir, Laur M. Jackson; A bridge between love and lipstick, Arabelle Sicardi; A meditation on pain, Ira Sukrungruang; Saving while you’re spending: self-care with Meredith Graves, Fariha Roisin; A place where everybody knows your name, Hannah Giorgis; The collection and the cloud, Amelia Abreu; Don’t mistake your best friend for a mirror: on Sophie and Frances Ha, Rachel Vorona Cote; Pretty Little Liars episode 525 recap: The greatest show on Earth & Pretty Little Liars episode 601 recap: One hundred years of solitude, Heather Hogan; Shine theory: how to stop female competition, Ann Friedman; Literatura juvenil para garotas: o térreo da escada literária é também o térreo de nossa revolução, Clara Browne; Outsider/Insider, Jenny Zhang; O guia definitivo para escrever o outro sem parecer um idiota, Lorena Piñeiro; Empathy, in excess, Jenny Zhang; The non-bravery of bearing witness, Lauren Quinn; You’ve been fictionalized!, Michelle Huneven; Why we are witches: an A-Camp roundtable, Mey, Laura, Beth, Cecelia, Ali; Recruitment, resumes, interviews: how the hiring process favors elites, Bourree Lam; What I’ve learned about how to be a Girl, Kaye Toal; I wanted to hug every part of him with my mouth: a Magic Mike XXL recap, Roxane Gay; How it feels, Jenny Zhang; Ms. America, Ayesha Siddiqi; I keep on forgetting my name, Arabelle Sicardi; The husband did it, Alice Bolin; Em defesa de quem fica conectado 24h/dia, Gabriela Martins; You need help: you cry much more than you’d like to and feelings are really hard, Rachel; Who is it that afflicts you?, Rachel; A very revealing conversation with Rihanna, Miranda July; I dressed like Cookie for a week to get over my imposter syndrome, Jazmine Hughes; Taylor Swift on “Bad Blood”, Kanye West and how people interpret her lyrics, Chuck Klosterman; On pandering, Claire Vaye Watkins.

EPISÓDIOS DE PODCASTS
Bros Watch PLL Too, Podcast Extra!: An interview with Troian Bellisario & A PLL Roundtable with the Bros, Heather Hogan and Jacob Clifton; Scriptnotes, #212: Diary of a first-time director; Reply All, #44: Shine on, you crazy old Goldman; Oh, Boy!, #9: Amelia Diamond; Help Me Be Me, #68: Burnout: how to deal with creative and motivational exhaustion; The Heart, S2E2: Desiray & Aaron; The Dinner Party Download, #318: Salman Rushdie, Alice Cooper, Carly Rae Jepsen; Coupla Questions, #7: The world would be a better place if there were just a bunch of Ryans (Jason Stamey & Ryan Powers); Stuff Mom Never Told You: Little Miss Perfect & Bye, Felipe; Cavern of Secrets, #1: Featuring Tavi Gevinson.

LIVROS
Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances, Neil Gaiman; Luzes de emergência se acenderão automaticamente, Luisa Geisler; The art of asking or, How I Learned to Stop Worrying and Let People Help, Amanda Palmer; The Age of Innocence, Edith Wharton; Radical Self Love: a Guide to Loving Yourself and Living Your Dream, Gala Darling; Qualquer areia é terra firme, Cristina Parga; The Goldfinch, Donna Tartt; The Raven Boys, Maggie Stiefvater.

FILMES
Life Partners; Beyond Clueless; Only Lovers Left Alive; Magic Mike XXL; Bande de Filles; The Wolfpack; The Diary of a Teenage Girl; Dope; Califórnia; Grandma; Taxi.

SÉRIES
IZombie, S1 & S2A; Jane the Virgin, S1B & S2A; Jessica Jones, S1; UnReal, S1; Scream, S1; Scandal, S5A; Pretty Little Liars, S5B & S6A; Hannibal, S3; Master of None, S1; Carmilla, S1 & S2.

Me dei conta de que foi um ano muito pouco musical – ou pelo menos sem descobertas grandes o suficiente para que eu pudesse fazer uma lista de músicas por aqui – e que minha lista de séries fica pouco interessante porque eu estranhamente não falo muito de séries no blógue (quer dizer, além de Gossip Girl e Pretty Little Liars, que são meus assuntos favoritos) (mas eu vejo muitas outras séries!). Mesmo assim, no geral, estou satisfeita com minha lista e, acredito, com meu 2015.

O que vocês mais amaram em 2015, nessas categorias ou em outras? O que eu não posso deixar de ver/ouvir/ler em 2016?

RECAPITULANDO

Recapitulando: Nov. 2015

Quem acompanha minha newsletter sabe que novembro foi um mês de crise para mim. Crise pessoal e profissional, uma onda de coisas complicadas, notícias estranhas ao redor do mundo, notícias ruins perto de casa, um azar inacreditável atacando objetos (especialmente eletrônicos) ao meu lugar. Foi, consequentemente, um mês de self-care, um mês de tentar me manter de pé, funcionando, andando pra frente. Estou começando dezembro melhor, com alguma expectativa para 2016, e especialmente para o pequeno respiro de férias ao fim do mês.

Pequenos momentos de alegria.

Pequenos momentos de alegria.

Mas, mesmo na crise, a vida segue. E em novembro, em meio a dramas e medo e confusões, eu prossegui trabalhando-trabalhando-trabalhando. Só publiquei dois textos, um sobre mindfulness na Capitolina, e um sobre exposição midiática do feminismo no Ponto Eletrônico. Além disso (para me manter temática a “exposição midiática do feminismo”), participei, com a Clara, da gravação de um episódio do Esquenta!, da Globo, que vai ao ar hoje-amanhã (aka domingo, dia 6/12), e escrevi um pouquinho pra matéria de capa (!) da ELLE (!!) de dezembro, que já está nas bancas (ok, trapaceei de leve, estou falando de dezembro, mas o trabalho foi feito em novembro, então conta, né?). E, mesmo sendo fruto de um trabalho que já saiu há um bom tempo, fiquei feliz com a surpresa de ouvir meu texto “Nossa Família”, que publiquei na Midnight Breakfast, em um programa de rádio de Boston!

1. Gravando o Esquenta!; 2. Capa da ELLE; 3. Capitolina n'O Globo; 4. Com Clara Averbuck e Luane maravilhosas na gravação.

1. Gravando o Esquenta!; 2. Capa da ELLE; 3. Capitolina n’O Globo; 4. Com Clara Averbuck e Luane maravilhosas na gravação.

Na área mais pessoal, o mês envolveu muito tempo debaixo do cobertor na frente da televisão, muita insônia, muita comida gostosa feita pela minha irmã. Envolveu também um bazar delicioso que deu uma renovada boa no meu armário e que proporcionou um fim de semana agradável com amigas. E, uma enorme novidade: agora eu uso óculos! (Não o tempo inteiro.) (Mas uma parte do tempo.) (Ainda estou me habituando.)

Selfies com e sem óculos.

Selfies com e sem óculos.

LIVROS

The Raven Boys, Maggie Stiefvater
Em uma breve volta ao Tumblr nos últimos meses, vi esse livro por todos os lados. Era raven cycle pra cá, raven cycle pra lá, e eu sem entender nada. Mas, confiando no bom gosto do meu dash, fui atrás do livro. E, gente, como a galera estava certa! Esse é o primeiro da série (ainda não tenho os seguintes), e é mesmo excelente. É fantasia urbana, tem pontos de vistas alternados muito bem feitos, mistérios que não são escondidos demais nem revelados demais, um ritmo super envolvente, personagens ricos metidos esnobes e cheios de segredos, uma garota maneira e arrasante… Enfim, excelente. Leiam e aí venham aqui falar comigo.

Funny Girl, Nick Hornby
Fun fact: eu adoro o Nick Hornby. Já li todos os romances dele, já li todos os não-romances dele também, é um dos meus escritores favoritos. Comprei Funny Girl assim que saiu, no aeroporto em Nova Orleans, mas ele ficou soterrado numa pilha de livros e só me dei conta quando decidi dar um jeito na minha estante recentemente (não se enganem, livros continuam por todos os lados, só de forma um poco mais controlada). É um livro bem divertido, com peso emocional sem drama, sobre uma atriz e comediante britânica nos anos 60. Como de costume, gostei muito das vozes dos personagens, e achei um livro rápido e envolvente.

More of this World or Maybe Another, Barb Johnson
Também comprei esse em Nova Orleans, naquele sebo que visitei, lembram? Escolhi numa seção de livros sobre a cidade ou escritos por autores da cidade, porque queria ler algo local. Acabei só lendo depois de desenterrá-lo da mesma pilha de Funny Girl, e me arrependi de não ter lido ainda em Nova Orleans – acho que teria me dado mais dimensões da cidade. É um livro de contos interligados sobre personagens bem realistas e complexos; apesar de às vezes um pouco dramático demais, achei uma leitura surpreendentemente ótima.

Tentando curar a bad vibe com sorvete na beira da praia.

Tentando curar a bad vibe com sorvete na beira da praia.

FILMES

The Man from U.N.C.L.E.
Procurei quando comecei a ler The Raven Boys, porque lembrei que o Tumblr também estava apaixonado por esse filme na época em que voltei brevemente para lá. Não é um bom filme, mas a paixão é inteiramente justificada: tem estética kitsch anos 60, tem dramas elaborados de espionagem, tem atores americanos forçando sotaques, tem cenas divertidas de ação, tem uma participação especial do Hugh Grant, enfim, ri muito.

Serendipity
Eu costumava alugar Serendipity na locadora com bastante frequência, mas fazia um bom tempo que eu não via. Aí o namorado estava aqui, a gente queria ver algo bobo e leve, e eu sugeri esse. Continua sendo tão bom quanto eu lembrava, talvez ainda melhor! É uma clássica comédia romântica do começo dos anos 2000, o casal principal é John Cusack e Kate Beckinsale, e é passado em Nova York. Ou seja, sério, gente, não dá pra não gostar.

Taxi Teerã
Estava me preparando para uma noite de Netflix em casa quando minha mãe me convida para ir ao cinema, ver um filme que eu nem sabia qual era. Fomos, eu, ela e minha irmã. Acabou que amamos o filme, um mockumentary dirigido e estrelado pelo cineasta iraniano Jafar Panahi, passado inteiramente dentro de um taxi que ele dirige por Teerã. É um filme leve na superfície, com muitos risos e pequenos momentos absurdos, mas com fortes mensagens políticas por trás – especialmente porque é o terceiro filme de Panahi gravado apesar de ele ter sido proibido de filmar por 20 anos (e o primeiro que ele filmou nas ruas, em vez de secretamente em casa, como os dois outros).

Drive me Crazy
Serendipity me deixou com vontade de comédias românticas do começo dos anos 2000, e Drive me Crazy me apareceu em uma madrugada no Netflix depois de eu ter acabado Jessica Jones e desesperadamente precisada de algo agradável. É outro desses filmes que eu já tinha visto algumas vezes, mas Melissa Joan Hart e Adrian Grenier fazendo romcom adolescente nunca me cansam.

Iniciando projetos legais para 2016!

Iniciando projetos legais para 2016!

LINKS: LONGREADS

Visibility in suffering (Akil Kumarasamy, The Awl, 13 nov. 2015): sobre os papéis permitidos a atores negros em Hollywood.
“The release of mainstream Hollywood films that feature leading black actors in expected roles like in The Help, The Butcher, 12 Years a Slave, grants many actors of color visibility, but reinforces how Hollywood permits mostly narratives of black suffering which rely on the crux of white kindness. In a more recent film, Selma, directed by an African-American woman, Ava DuVernay, focuses on Martin Luther King Jr. during a crucial moment of the Civil Rights Movement and pushes against national narratives about Martin Luther King Jr. and President Lyndon B. Johnson. DuVerney depicts a contentious relationship between the two men, specifically delineating the reluctance of President Johnson to pass voting rights legislation. Many critics have called DuVerney’s depiction of President Johnson as misleading. In writing about Selma for Time magazine, David Kaiser said, “Even in this one—and especially in this one—accuracy matters.” It is interesting that accuracy seems to matter most in narratives that push against white-savior depictions while whitewashing has become deeply entrenched in the American narrative.”

I can practice law, but it’s not like I’m getting married, right? (Brittany Berckes, Man Repeller, 29 jun. 2015): sobre o que podemos ou não celebrar.
“But, how can women make their accomplishments known in the workplace when we’re told by those closest to us that the events we should celebrate loudly and proudly have nothing to do with our careers? It’s no wonder women downplay their career successes when the biggest parties thrown for women by women don’t center on the new promotion; they focus on the new ring or hyphenated last name.”

Heroic journeys: Healing through fantasy worlds (Jennie Steinberg, The Mary Sue, 23 nov. 2015): sobre o poder terapêutico de narrativas fictícias.
“Therapy, to a large degree, is about stories. It’s about the stories we tell ourselves, and the power to rewrite our stories in a way that makes us feel stronger, create meaning, and empower ourselves. It’s about going into our library of pain, pulling a book off the shelf, reading what it contains, and deciding to edit the ending. So it makes a great deal of sense that the stories we read and watch often resonate deeply with us.”

On pandering (Claire Vaye Watkins, Tin House, 23 nov. 2015): sobre… coisas demais para explicar; sobre para quem escrevemos, para quem agimos, para quem somos.
“Let us use our words and our gazes to make the invisible visible. Let us tell the truth. Let us, each of us, write things that are uncategorizable, rather than something that panders to and condones and codifies those categories. Let us burn this motherfucking system to the ground and build something better.”

We need to put more thought – and less shame – into our conversations about Paris and Beirut on social media (Tom Hawking, Flavorwire, 16 nov. 2015): sobre competição de tragédias na internet.
“I’m not attempting to justify or defend this response. In a wholly objective sense, it’s indefensible. But at the same time, we have emotional defense mechanisms for a reason. The logical extreme of the, ahem, “all lives matter” line of thinking is that I should feel the same grief for the death of an unknown person in a faraway country as I would for my own mother. In purely objective terms, again, this is true — all human lives are of equal value. But if we did process grief that way, we’d either all go crazy or we’d all cease to care about any death much at all. Neither of those are particularly great options, both in an evolutionary sense — neither would be conducive to the long-term survival of any species — nor in a practical sense. And so, we process the loss of those closest to us in a different way — or, at least, to a differing extent — than those who are not close.”

The ultimate guide to getting published in a literary magazine (Lincoln Michel, Buzzfeed, 6 nov. 2015): guia muito útil, detalhado e interessante.
“At the end of the day, the world doesn’t really need more creative writing. There is an insurmountable pile of it submitted every day to hundreds of magazines. Probably an entire Library of Congress worth of self-published e-books comes out each year. No one is dying because of a lack of creative writing in the world, and while you can get published following the trends, publication doesn’t mean much itself. If you don’t love the work, publication is unlikely to bring you riches or happiness or even Twitter followers. What is going to count is having work that you believe in.”

Why are so many adults obsessed with One Direction? (Bryn Lovitt, Noisey, 13 nov. 2015): inclui depoimentos de vários fãs adultos de One Direction.
“Consider the canon: Every boyband from The Monkees to The Backstreet Boys has left an imprint on generations of teenage superfans. Every woman remembers the boy band of their youth because that music represents a first promise of doe-eyed love, seductive to pubescent girls for obvious reasons. A recent segment on NPR stipulated that through the boy band archetype, young girls latch onto boy bands as a way to define and make sense of the love and sexuality looming up ahead. However, that kind of psychology suggests that obsessively loving a boy band acts as a placeholder for an adult experience. But what happens to these fangirls once they age out of the targeted demographic? If fangirling over a boy band like One Direction is understood to be a uniquely adolescent phenomenon, both commercially and psychologically, then why is that according to data from Pandora, 60 percent of their fans are 25 or older?”

Why I stopped running from New York (Isaac Fitzgerald, Buzzfeed, 29 nov. 2015): sobre tentar encontrar o seu lugar.
“The thing about missing eight winters, though, is that you forget that you also missed eight springs. Now, the sun is here. I no longer hide underground, crowded into subway cars that I worry I’ll never get used to. Riding my bicycle over the Manhattan Bridge, I see the city, instead of scuttling beneath it. And it is beautiful. Parks. Markets. Blossoms. People. Dresses. Pavement. This city is alive and full of wonder and I am just one lost person in it, but I wouldn’t want to be lost anywhere else. That’s the flip side to leaving a city that made me feel cozy and comfortable and loved: I get to be lost.”

What I learnt about spirituality and the universe from One Direction’s cover of Torn (Sam Wolfson, Noisey, 13 nov. 2015): basta dizer que tocou demais em algumas das minhas crises atuais e eu quase chorei lendo.
“What gets me is that today’s One Direction are basically unrecognizable from the One Direction of five years ago. They have grown up, and they have grown real. But I have also lived through those five years. So have you. So has everyone you know. So has the universe. I don’t feel that different than I did in 2010, but sometimes the pace of change is so gradual that you barely notice it, until you’re staring two completely different versions of One Direction in the face.”

The allure of Kim Kelly, the best friend who terrifies you and shows you who you are (Sarah Chihaya, Jezebel, 16 nov. 2015): mais um texto da excelente série “Fake Friends”, dessa vez sobre Lindsay e Kim Kelly, de Freaks & Geeks.
“Maybe you’ve had a Kim Kelly. Maybe, whether you realize it or not, you’re someone else’s Kim Kelly: a friend who inspires some combination of fear, admiration, and deep, dizzying love. Every time you hang out, you wonder if she’ll decide you’re not cool enough, or tough enough, or whatever enough, and you’ll be left by the wayside. As you grow to know each other better, you realize that this isn’t just one-sided; a mutual anxiety of insufficiency is as fundamental an ingredient in this brew of feelings as respect. Kim Kelly is always your most challenging friend: you sometimes wish you could be like her, but you know you can’t. So who, then, should you be? Who can you be? This provocation to self-interrogation often makes the Kims of our lives—the friends we are slightly afraid of—the most important friends we have, especially in the tenuous, changeable teenage years that the show chronicles, as we figure out exactly how far we’re willing to be pushed, and how much we’ll push back.”

Since living alone (Druga Chew-Bose, The Hairpin, 12 jan. 2015): sobre morar sozinha.
“Precision of self was a quality I once strived for, but since living alone, clarity I’ve learned—when it comes—furnishes me with that thing we call boldness. The way readjusting my posture as I write accords me a new lease on the day or newfound impertinence towards punctuation. Self-imposed solitude developed in me, as White wrote about Duras, a knack for improving on the facts with every new version of the same event. And living alone, I soon caught on, is a form of self-portraiture, of retracing the same lines over and over—of becoming.”

LINKS: VÍDEOS, ETC.

You feel like shit.: um guia interativo de self-care para quando você só consegue cuidar de uma pequena coisa básica de cada vez.

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Especial de Natal: Channing Tatum

É dezembro, então a internet está cheia de guias de presentes de Natal, para todos os gostos possíveis… ou será que não? Outro dia uma amiga me marcou em um guia de presentes temático do Ryan Gosling e comentou que bem podia existir um só de coisas do Channing Tatum. Como eu adoro um desafio posts inúteis, aceitei a missão de criar uma lista de presentes maravilhosos que vocês podem comprar para pessoas queridas, já que vocês não têm acesso ao verdadeiro presente do universo que é Channing Tatum (se tiverem, me apresentem, por favor?). Sorry, not sorry.

Para o amigo #projetoverão

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Regata muito estilosa usada de forma brilhante pelo personagem do Channing Tatum em 22 Jump Street. Perfeita para exibir braços musculosos, malhar, andar na praia, dormir, existir, fazer qualquer coisa, honestamente. Bonus points: usar com esses óculos.

Para a prima artista

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Uma representação muito realista e feita pelo talentoso gênio por trás da loja Badly Drawn Celebs. Perfeita para decorar quartos, salas, banheiros, cozinhas. Bonus points: uma badly drawn celeb para cada cômodo da casa.

Para o azarado que faz aniversário perto do Natal

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Cupcake toppers com essa cara sorridente maravilhosa. Perfeitos para comemorar aniversários, mas também formaturas, casamentos, a alegria de estar vivo, etc. Bonus points: um kit de festa inteiro, ou cupcake toppers comestíveis.

Para a irmã feiticeira

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Uma vela para homenagear seu milagre divino favorito. Perfeita para ofender parentes na ceia de Natal, iluminar a casa quando acabar a luz, ou colocar em um altar especial no seu armário. Bonus points: usar no ritual ensinado aqui.

Para fãs sem critério de sci-fi/fantasia

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Camiseta para as poucas pessoas no mundo que adoraram o absurdo kitsch que é Jupiter Ascending (para quem não viu, o “genetically altered space rollerblading werewolf-angel hybrid” em questão é Cain, o personagem do Channing Tatum, e isso não te dá noção nem de 30% da bizarrice que é esse filme). Perfeita para usar na CCXP e identificar outros membros desse fandom peculiar. Bonus points: mais de R$23k em um vestido de casamento igual ao usado pela Mila Kunis no filme.

Para colegas de trabalho que só usam copo descartável

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Uma bela caneca personalizada, e provavelmente o mais perto que as nossas caras chegarão da cara do Channing Tatum. Perfeita para o amigo oculto da empresa, para constranger pessoas na fila do café, para decorar uma elegante mesa de escritório. Bonus points: comprar uma para cada colega (também pode ser essa).

Para todo mundo

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Um DVD de Magic Mike XXL. É sério, confia em mim.

 

(Disclaimer: eu não ganho nenhuma remuneração por linkar essas coisas aqui, só me divirto mesmo. Se alguém quiser me pagar para linkar coisas sobre o Channing Tatum, estou definitivamente aceitando propostas, me mandem um email.)

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O que anda me divertindo no Youtube

Se você acompanha meu Twitter ou minha newsletter, deve saber que eu tenho tido umas semanas bem complicadas. Felizmente, estou cercada de pessoas legais e, além disso, a internet oferece fontes infinitas de conforto. No melhor espírito de paying it forward, cá estão os canais/playlists/vídeos no Youtube que mais me ajudaram a aguentar os últimos tempos:

Dear Gringos
Olha, eu já fiz propagando desse vlog por aqui, na newsletter, no Facebook, no Twitter, por tudo quanto é canto, e só tem dois vídeos por enquanto, mas vou falar de novo. O canal é da Laura e do espécime de gringo Pat, e eles comentam diferenças culturais Brasil-EUA. São pessoas lindas e hilárias sendo lindas e hilárias, é alegria garantida.

Mas Tem Lésbicas!
Outro vlog que eu não canso de recomendar, feito por outra amiga-capitolina, a Maíra. Fui cheerleader oficial do início do projeto, e estou acompanhando avidamente todos os vídeos, vendo e revendo e dando gritinhos e torcendo pra alguém mais animado do que eu fazer gifs. A premissa é simples: Maíra comenta filmes/séries/whatever que incluem lésbicas, sempre com muito humor (e seu sotaque maravilhoso).

Carmilla
Foi um vídeo da Maíra que me convenceu finalmente a ver Carmilla, e eu devorei as três temporadas (seasons 1 e 2 e a prequel, season 0) em aproximadamente três dias. É uma websérie sobre vampiros e lésbicas (e vampiras lésbicas) em uma universidade aterrorizante e surreal (tem um certo ar Welcome to Night Vale), e é igualmente divertida e sofrida (não faz nem uma semana que comecei a assistir, e já estou ansiosa por uma season 3).

MyHarto

Adoro a Hannah Hart (e don’t even get me started sobre o relacionamento dela com a Ingrid, cujo vídeo de coming out sempre me faz chorar), mas sou péssima em acompanhar o canal dela direitinho. Vejo um vídeo aqui e outro ali e sempre acho o máximo, aí hoje minha irmã tornou minha noite um milhão de vezes melhor me passando o link do vídeo mais recente, em que ela faz um jogo de amizade com o Daniel Radcliffe! E é hilário! E adorável!

O que vocês veem no Youtube quando precisam de uma boa dose de alegria e diversão? Me deem sugestões?

RECAPITULANDO

Recapitulando: Out. 2015

Passei um pedaço razoável de outubro meio doente, com tosses e gripes e enjoos e dores de cabeça. Na minha vida, sinais de mudanças loucas de tempo e muito cansaço. Passei outro (o mesmo?) pedaço razoável de outubro naquele esquema habitual de muito, mas muito trabalho. Acabei o mês com muitas pequenas crises e grandes reflexões sobre trabalho, cansaço e esses desafios de equilíbrio quando se é autônoma e workaholic e quando se tem um tremendo #fomo de trabalho (estou transformando as crises e reflexões em coisas produtivas, como de costume, então já estou melhor, mas talvez isso gere uns posts por aqui).

Felizmente, o muito trabalho envolvido foi incrível, como de costume. O mais notável é que fui a São Paulo ficar menos de 12h (fui na manhã de sábado, voltei à noite) para lançar o livro da Capitolina por lá. Foi, de certa forma, ainda mais emocionante do que o primeiro lançamento, aqui no Rio, porque foi um lançamento só nosso e não no meio do caos geral da Bienal. Pude abraçar as leitoras que foram, escrever autógrafos um pouquinho mais elaborados, fizemos um bate-papo rápido antes em que respondemos várias perguntas interessantes (inclusive: “vai ter um segundo livro?” “vai, vai sim.”). Foi lindo e emocionante, aí eu voltei para o Rio e meu corpo pifou porque nada é mais tóxico para mim do que São Paulo.

Lançamento em São Paulo: 1. pau de selfie!: 2. anúncio lindinho na porta da livraria; 3. broche MARAVILHOSO que uma das nossas leitoras lindas fez.

Lançamento em São Paulo: 1. pau de selfie!: 2. anúncio lindinho na porta da livraria; 3. broche MARAVILHOSO que uma das nossas leitoras lindas fez.

Outros eventos maravilhosos de trabalho em outubro: 1. eu e a Mari tivemos a oportunidade de entrevistar a Meg Cabot, autora de YA e minha ídola suprema da adolescência. Foi lindo e emocionante e gratificante demaaaaais, e a entrevista (em vídeo!) sai na Capitolina em breve; 2. participei de uma mesa sobre feminismo na Biblioteca Parque Estadual, que foi gravada para a posteridade (dá pra ver um teaser aqui); 3. o último dia do mês foi, de novo, passado no CAp da UFRJ, onde estudei, dessa vez falando, ao lado da Isabela e da Bia, com um grupo só de garotas adolescentes, de 13 a 18 anos, conversando por mais de 3h sobre colégio, medos, machismo, empoderamento, assédio, astrologia, e o que mais desse na telha.

Parte (só parte!) da fila de autógrafos no lançamento.

Parte (só parte!) da fila de autógrafos no lançamento.

Já na categoria “introspectiva em frente ao computador” de trabalho, escrevi uma porção de coisas: na Pólen, sobre fantasia urbana e, com a Milena, sobre morte do autor; na Capitolina, sobre a Murta Que Geme e sobre romances de formação; e, no Modefica, sobre relacionamentos expostos na internet.

Mais eventos: 1. com a Isabela no CAp; 2. com Meg Cabot e Mari; 3. as alunas incríveis do CAp!

Mais eventos: 1. com a Isabela no CAp; 2. com Meg Cabot e Mari; 3. as alunas incríveis do CAp!

LIVROS
“The Lottery”, Shirley Jackson + Prufrock and other observations, T.S. Eliot + Le Traité du Narcisse, André Gide + “The Yellow Wallpaper”, Charlotte Perkins Gilman + “The Eyes Have It”, Phillip K. Dick + “2BR02B”, Kurt Vonnegut + “The Unnamable”, H.P. Lovecraft
Então, eu estava insone e pensei “vou ler um livro rapidinho aqui no Kobo”. Fui ver os arquivos menores, para ler uma coisa curtinha e não passar a madrugada lendo um livro enorme todo. Aí eu li seis livrinhos: quatro contos, um livro de poesia, e um ensaio. Pois é. Confesso que nem sei dar uma resenha razoável para nada considerando o contexto em que li, mas “The Lottery” e “The Yellow Wallpaper” são conhecidos como contos aterrorizantes com bastante razão (“2BR02B” também me deu calafrios).

Qualquer areia é terra firme, Cristina Parga
Ok, na verdade li antes, porque revisei. Mas como o livro foi lançado em Outubro, aproveito para recomendar agora. É um romance excelente, escrito por uma amiga querida e publicado por editores queridos. Foi um prazer revisa-lo, e tenho certeza de que vocês também vão adorar lê-lo – é sobre (não-)pertencimento, sobre perdas, sobre família, e é, mesmo, muito bom.

Salomé, Oscar Wilde
Foi a última coisa que comecei a ler na insanidade do combo de contos/ensaio/poesia daquela insônia, mas acabei deixando para terminar outro dia. É uma peça do Oscar Wilde, escrita originalmente em francês, e é uma tragédia definitivamente intensa e bem fascinante!

Men explain things to me, Rebecca Solnit
Não sei por que enrolei tanto pra ler esse livro, porque ele é, como eu esperava, incrível. Rebecca Solnit escreve ensaios sobre “mansplaining”, sobre Virginia Woolf, sobre casamento entre casais gays, sobre violência de gênero, tudo de forma bem construída, informada e fascinante. Fica, no entanto, o TW, especialmente para os ensaios sobre violência, que são de revirar o estômago.

Love letters to the dead, Ava Dellaira
Comprei a edição brasileira, Cartas de amor aos mortos, no estande da Cia. das Letras na Bienal, mas demorei um pouco para começar. Acabei pegando para me acompanhar no avião no bate-volta em São Paulo, e li todo no fim de semana. Honestamente, gostei bem mais do que esperava – tocou muito nas minhas nostalgias adolescentes, e tinha duas das coisas que mais me emocionam em livros: histórias sobre irmãs e histórias sobre lésbicas. Eu gostei bastante, e chorei bastante também.

The goldfinch, Donna Tartt
Já falei que amo a Donna Tartt? Pois eu amo a Donna Tartt. Estou perdidamente apaixonada por The Goldfinch, é desses livros que te lembram por que ler é tão bom. Minha edição – O Pintassilgo, também da Cia. das Letras – tem 720 páginas e mesmo assim eu carreguei para todos os cantos enquanto lia, tentando adiantar uma página na fila do mercado, outra esperando o sinal abrir, mais umas no ônibus, mais outras andando na rua. É muito difícil explicar o plot, porque é longo e elaborado, mas eu li sem saber NADA sobre a história (o que é raríssimo, eu tenho o hábito de procurar tudo no Google antes de ler, hahaha) e tudo foi incrível e fascinante. Leiam. Sério mesmo, leiam.

FILMES

The Wolfpack
Minha principal diversão de outubro foi o Festival do Rio. Aproveitei minha flexibilidade de autônoma e fui a alguns filmes, sozinha ou acompanhada (sempre da Dani), inclusive a filmes no meio da tarde de dia de semana. The Wolfpack foi o primeiro desses, visto sozinha às 15h da tarde, cheia de expectativas porque tinha lido uma matéria a respeito meses antes. É um documentário fascinante/aterrorizante sobre uma família que vive trancafiada em um apartamento em Nova York, sem sair de casa, e cujas crianças crescem aprendendo a viver e socializar inteiramente por meio de filmes. Ou seja, é ao mesmo tempo muito interessante e muito perturbador, mas eu achei um filme incrível.

The Diary of a Teenage Girl
Mais um para a categoria interessante e perturbador. Também estava cheia de expectativas, especialmente por conta da participação da Marielle Heller no Scriptnotes, e o filme foi ainda além do que eu esperava. A premissa é angustiante: Minnie, a protagonista adolescente, desenvolve um relacionamento sexual com seu padrasto (interpretado pelo Alexander Skarsgard, o que só aumenta o meu nível de confusão, porque passei o filme inteiro pulando de “hmmm gato” para “ewwwww creepy”). O que torna o filme excepcional, no entanto, é a forma com que lida com essa premissa – a narrativa reconhece que o relacionamento é abuso, que é errado, mas ao mesmo tempo demonstra os sentimentos reais de uma garota adolescente em relação a sexo, em relação ao desejo, em relação a poder; é uma narrativa que nos mostra que aquilo é abuso, mas que não destrói a agência de Minnie no processo. É pesado, mas é ótimo, e me deixou bem mexida em relação a muitos sentimentos de adolescência.

Califórnia
Mais um filme sobre adolescência, também com aspectos pesados, mas no geral mais otimista e tranquilo. Dessa vez, passado nos anos 80 em São Paulo, seguindo a vida de Teca no seu terceiro ano, entre paixonites e amizades e festinhas e família, tendo que lidar também com seu tio querido que retorna da Califórnia doente. É um retrato bem feito de uma geração específica (vi e pensei demais na minha mãe, inclusive), mas também da adolescência no geral. E é dirigido pela Marina Person, que outro dia ganhou um livro da Capitolina e até tirou foto.

Sim, é a Marina Person com o livro da Capitolina!

Sim, é a Marina Person com o livro da Capitolina!

Dope
Mais filme de adolescência? Sim, mais filme de adolescência. Outro que é leve-mas-pesado ao mesmo tempo, mas dessa vez por ainda outro lado. Malcom, o protagonista, é um adolescente negro de periferia que só quer terminar o colégio tranquilo tocando na banda que tem com seus amigos, indo bem nas aulas, e tentando entrar na sua faculdade dos sonhos. No entanto, uma série de confusões o colocam em meio a uma intriga envolvendo drogas e violência, que começa no melhor estilo Sessão da Tarde mas acaba com choques de realidade.

Grandma
Gente, eu só pensava na minha avó vendo esse filme. Hahaha. Em Grandma, uma adolescente engravida do namorado besta, decide abortar, e, com medo da raiva da mãe, procura a avó, uma poeta lésbica ranzinza, em busca de dinheiro. No entanto, a avó não tem o dinheiro, e elas vão precisar se virar para arranjar. Segue-se então uma história super tocante sobre família, uma família composta só de mulheres (a avó, atualmente viúva, mas anteriormente casada com outra mulher; a mãe, solteira; e a filha adolescente), uma família de mulheres que lutam pelo que querem, com suas personalidades diferentes-mas-parecidas. Pensei demais na minha própria família, e estou até agora querendo que minha avó assista.

The Sisterhood of Night
Único filme que vi no Netflix e não no Festival, mas também (adivinhem?) sobre adolescentes. Quando mencionei The Diary of a Teenage Girl no Twitter, alguma linda que não lembro quem é disse que eu ia curtir The Sisterhood of Night pelos feelings de adolescência e pela vibe meio creepy e estranha que remete a The Fever. Ela estava suuuuper certa. Não é que eu tenha amado o filme de paixão, mas é uma história bem feita e assustadora sobre histeria coletiva, sobre a crueldade de garotas adolescentes, mas também, e principalmente, sobre a força de garotas adolescentes que se juntam para se apoiar e ajudar.

LINKS: LONGREADS
Why are we still obsessed with Sex and the City? (Leandra Medine & Amelia Diamond, Man Repeller, 27 out. 2015): sobre, bem, Sex and the City.
“The exposure part of SATC was probably why we became hooked, but the reason I fell in love with it and STILL care about it is the fantasy. It’s like our version of science fiction. And their world was glamorous! Samantha makes PR look super fancy. Carrie makes being a writer look like you never have deadlines and can afford a studio. Meanwhile, Charlotte’s a gallery girl — you cannot have a more “NY job” than that. Miranda’s life was probably the most real, which is why no one ever wants to be “a Miranda.” But it’s still all fantasy.”

Who is it that afflicts you? (Rachel, Autostraddle, 28 out. 2015): se forem ler só um link, leiam esse. É sobre as bruxas de Salem, mas também sobre crescer em Salem hoje em dia.
“I’m not an expert on Tituba, or the trials, or really even on Salem, despite growing up there. I say that not just to disclaim but because there are many, many actual experts on 1692 Salem, people who have based books and academic careers on it (although they’re only human and have their own subjective lenses, too). If you want expert historical explanation or analysis, this isn’t the best place to look. I don’t know everything that informed the incidents of 1692; just what they look like from 2015. I’m thinking about Betty Parris, sick and scared and surrounded by adults out for blood and righteousness. I’m thinking of Tituba, vulnerable and without recourse in ways that I can’t begin to appreciate from my vantage point in time and identity. I’m thinking about these women and thinking about the witches of 2015 — my friends who are making crystal grids to try to heal themselves and hexes to keep their rapists away from them, Brooklynites rewatching The Craft and instagramming their full moon ceremonies on rooftops, people of color practicing traditional magic and spiritualities that have survived intergenerational trauma, people who are ill and poor and scared paying folk healers and lighting candles to get rid of their back pain and go back to work because they can’t pay for a real doctor. Brujas hexing Donald Trump, using magic to try to keep fascism at bay.”

How I learned Rory Gilmore isn’t the perfect role model (Krystie Lee Yandoli, Buzzfeed, 28 out. 2015): sobre perfeição e Rory Gilmore.
“After staying up all night for weeks on end to binge-watch Gilmore Girls episodes at 24 years old, it occurred to me that the real strengths of Rory’s character are actually her (sparing) mistakes. They are what make her dynamic, interesting, and authentic. She stops communicating with Lorelai for a while because that’s what people do from time to time — they don’t always have flawless relationships with their family members and the people who raised them. She gets arrested, takes a temporary leave of absence from college, and doesn’t act like herself for a short time because that’s also what people do sometimes — they mess up, they make impulsive decisions without thinking things through, and they act on their emotions.”

4chan and the Oregon shooter: What the suspicious thread says about a horrifying subculture of young male rage (Mary Elizabeth Williams, Salon, 2 out. 2015): sobre masculinidade tóxica.
“Not every frustrated male with mental health issues posting about how “Our hero showed us the light and a reason to live” is going to go out and do what Mercer did. What Rodger did. What Roof did. But it should be clear that guys like this are there, all the time, so full of fury at the world and the regular people living in it that they are delighted at the prospect of their deaths. And when it happens, they celebrate it. So maybe Chris Harper Mercer wasn’t really in that 4chan thread on Wednesday. The sickening thing is, there are so many voices in it, just like his, how could you even tell?”

The night the lights went out (Casey N. Cep, The Awl, 6 out. 2015): sobre murder ballads.
“I’ve been thinking a lot about murder. Not committing one, but a few of them from a few decades ago, so my playlists have become filled with murder ballads. Life has changed and so has death, but not murder; there might be less of it, but it’s still bullets and knives, bare hands, pillows and poisons. These ballads are as old as time, though you don’t hear that many of them on country radio any more. Threats and taunts, yes, but nothing quite like the murderous streak from my childhood: Garth Brooks, with a pistol fired at a cheating spouse in “The Thunder Rolls”; Gillian Welch, with a broken whiskey bottle to the neck of a rapist in “Caleb Meyer”; and the Dixie Chicks, with poisoned black-eyed peas down the hatch of an abusive husband in “Goodbye Earl.””

Dear Ryan Murphy: please, stop! (Sonia Saraiya, Salon, 8 out. 2015): sobre o horror que é Ryan Murphy.
“This is, ultimately, the problem with Murphy’s approach: He can’t have it both ways. The constant escalation in dialogue and deed makes the stakes of his shows harder and harder to understand; in “Scream Queens,” forcible anal sex is a joke, but in “American Horror Story,” it’s a horrific violation. You never know where you stand, as a viewer, because the lines between camp, irony, horror, sincerity, and humor are so blurred.”

Is Hermione Granger white? (Monika Kothari, Slate, 9 out. 2015): sobre pressupor white by default em literatura.
“I realize that the fact that Hermione is coded as a racial minority in the wizarding world doesn’t mean that she actually is nonwhite. Sure, there are muggle-born students that are white. But Hermione is one of the few we deeply care about: The subtext is there, and I think it’s reasonable for readers to make that leap. She’s a social justice activist, and she pushes back against the enslavement of house elves. I think this interpretation adds a layer of depth and socio-political complexity to the story. More importantly, Hermione is a smart, interesting, and good character, a main character with major development—qualities rarely afforded to minorities in Western literature, much less minority women. At the very least, I hope it’s understandable why it might be meaningful to some fans to imagine her as nonwhite. A story about racial hatred and oppression, in which zero major characters are actual racial minorities, would be a bit strange, would it not?”

Hogwarts vai virar brazuca, ou Clara Browne e a comunidade blogueira filosofal (Clara Browne, 9 out. 2015): altas reflexões sobre o resto do mundo mágico de Harry Potter.
“A gente sabe que a comunidade mágica é pequena, mas que ela está espalhada por todo o planeta. Tem bruxo na França, na Noruega, na Bulgária, no Egito. É de se esperar, então, que tenha gente aqui no nas nossas terras (aliás, tem sim: no quarto livro de HP o Ron comenta que um dos seus irmãos tinha um penpal brasileiro). Não é porque estamos abaixo da linha do Equador que acabou comunidade bruxa, tchau, trouxas, isso aí é terceiro mundo e magia não se mete com essa gente rsrsrsrs. Pelamor, né. E pensando nisso foi que me veio a questão: como seria a comunidade mágica brasileira?”

Exorcism, Male Power, and the Murder of E’Dena Hines (Anbara Khalidi, Jezebel, 18 out. 2015): sobre a violência misógina do exorcismo.
“But it is usually the most powerless who are deemed possessed, and the exorcist becomes the ultimate symbol of patriarchal power, being able to point at vulnerable members of their community—women, children the mentally ill—and designate them as in the grip of “evil.” Spiritual warfare excuses the most terrible of crimes.”

Coming out as an amorphous weirdo (Stef, Autostraddle, 11 out. 2012): sobre sair do armário.
“I justified my silence to myself in all sorts of ways. When you come out to your friends and family as gay, that’s it – you’re just gay – everybody knows what that means (more or less) and what they can expect from your relationships in the future. With this, I faced an uphill battle. Every relationship I’d ever be in would be met with a certain level of criticism, and the gender presentation of all of my past and future partners would be analyzed as some sort of clue to my real orientation. With no terminology to describe my feelings and no self confidence to back up my choices, I shut down. I didn’t know what to say. Despite in-between sexuality being a relatively widespread phenomenon (hello, Kinsey scale), society is still largely convinced that such a thing cannot possibly exist, that it’s either a stepping stone on the way to lesbian land or a weird experiment. This was always incredibly hurtful, and as a result I never felt like I belonged to any specific community. I saw myself as too gay to identify completely with my straight friends, but I didn’t feel gay enough to party with the lesbians. At different times, I would be more attracted to a person of one gender over another, and I found some friends’ surprised reactions disheartening. It was around this time that Autostraddle was beginning, and while I was excited to embrace the opportunities I knew the website would provide, in my heart I felt a strange distance from the other girls. I wasn’t sure the readers would accept me because I felt so different, and in the end this self-fulfilling prophecy contributed to my decision to drop off the team fairly early in the game.”

Taylor Swift on “Bad Blood,” Kanye West, and How People Interpret Her Lyrics (Chuck Klosterman, GQ, 15 out. 2015): a MELHOR entrevista já feita com a Taylor Swift. É sério.
“How you view this level of consciousness is proportional to how you feel about Swift as a public figure. There is a perpetual sense that nothing about her career is accidental and that nothing about her life is unmediated. These are not unusual thoughts to have about young mainstream stars. But what’s different with Swift is her autonomy. There is no Svengali directing her career; there is no stage mother pushing her toward the spotlight. She is in total control of her own constructed reality. If there was a machine that built humans out of positive millennial stereotypes, Swift would be its utopian creation.”

A very revealing conversation with Rihanna (Miranda July, The New York Times, 12 out. 2015): e a melhor entrevista com a Rihanna!
“While none of us are only our skin or clothes, we do increasingly expect megastars to deploy their whole being through packaging — a tidy and consistent message. If Rihanna has a ‘‘thing’’ it’s that she changes her thing so often. While a performer positioning themselves in relation to the art world might try to make this into a more overt performance, something that would reassure the intelligentsia, Rihanna isn’t meta like that. She hasn’t created a persona around herself like Beyoncé, Lady Gaga, Madonna or so many other stars at her level. She doesn’t have to manufacture dimensionality, because she actually is soulful, and this comes across in every little thing she does.”

I dressed like Cookie for a week to get over my impostor syndrome (Jazmine Hughes, Cosmopolitan, 22 out. 2015): transformando posts de “I dressed like x for a week” em uma verdadeira obra de arte.
“Dressing like Cookie for five days wasn’t the secret elixir to my anxieties, but here’s what I learned: How to say “fuck you.” I didn’t say it to the sidewalk man — I’m a lady for goodness’ sake, I work at the New York Times — but I started saying it to anyone who had wronged me that week (street catcallers, people who entered the subway before I exited, men), which meant I had to say it to myself. This is Self-Improvement 101: One of the first steps to solving a problem is to figure out who is causing it — and sometimes that person is you. I was angry with myself — for psyching myself out, for convincing myself that I didn’t belong to a place that had welcomed me with open arms, for wasting time meandering instead of improving, for not just learning how to spell the word “February.” So I did it: Fuck you, self, for being so goddamned scared. No one can improve the situation at hand more than you. No one knows this more, at least on FOX’s Wednesday night lineup, than Cookie.”

LINKS: VÍDEOS

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Ser gente boa não custa nada: 7 dicas para enviar originais para editoras

Cresci cercada por livros e, como bem podia ser de se esperar, acabei me metendo no meio editorial. Trabalhei por cinco anos numa editora, hoje em dia faço freelas pra outras e, bem, estou agora experimentando o outro lado da situação, sendo publicada por uma! Na editora em que trabalhei, uma das minhas (muitas) funções era ler, avaliar e responder os e-mails com originais que autores queriam publicar. Era uma tarefa às vezes tranquila, às vezes um pouco hilária, às vezes estressante, mas uma tarefa que me ensinou muito sobre o que as pessoas fazem muito totalmente inteiramente super demais da conta de errado ao enviar material para uma editora.

Vou espalhar por aqui, então, meu conhecimento adquirido: algumas dicas pra mandar bem no seu e-mail com original. Fica o disclaimer de que isso não é um caminho garantido para ser publicado por ninguém (muito menos pela editora na qual eu trabalhei, nem trabalho mais lá, nem mencionei por nome aqui, por favor não encham o saco deles) e que editoras diferentes têm processos diferentes (e muitas não aceitam originais direto de autores, ou só aceitam para alguns selos)! Disclaimer #2: nada disso é indireta para ninguém, se você já fez uma das coisas que digo para não fazer não precisa ficar péssimo e chorar e achar que estou falando mal de você, é normal, todos erramos (eu já fiz tanta besteira na vida, gente, vocês nem imaginam), isso não é um post de treta, é só de ajuda mesmo!

DICA 1: Conheça a editora: a primeira coisa que você precisa fazer antes de mandar um original para uma editora é saber se o seu original combina com aquela editora. Para isso, entre no site e veja os títulos que eles publicam, conheça os selos nos quais o seu trabalho se encaixa, e só entre em contato com aquelas que fizerem sentido para o que você deseja publicar. Não adianta nada ter um livro de poesia concreta e mandar para uma editora que só publica autoajuda, sabe? Por outro lado, também não é legal mandar um original que é basicamente igual a outro livro que a editora já publicou – uma coisa é mandar um livro erótico para uma editora que publicou um livro erótico de enorme sucesso, outra coisa é mandar um livro erótico sobre vampiros super sensuais que vivem no sul da França para uma editora que publicou um best-seller erótico sobre vampiros super sensuais que vivem no sul da França.

DICA 2: Leia o FAQ: olha só, gente, antes de mandar um e-mail fazendo perguntas, LEIA O FAQ. Não só o FAQ, mas todas as páginas do site da editora que podem te dar alguma informação sobre o processo de seleção de originais, sobre o catálogo, sobre o processo editorial. Iniciar o contato com uma pergunta cuja resposta você poderia descobrir por conta própria é um jeito de fazer o profissional da editora perder tempo. Mandar um e-mail indo inteiramente contra as orientações explicadas no site da editora também é. Além do mais, mostra descuido e falta de preocupação com os editores – lembre que, se seu livro for publicado, você terá que trabalhar com essas pessoas!

DICA 3: Mande só o texto: algumas editoras pedem só um trecho, outras o original inteiro, outras só pedem o original depois de ler a sinopse, isso tudo varia. Mas, quando for hora de mandar seu original, mande o texto. Não mande um projeto gráfico completo, porque isso é trabalho da editora. Não diga que “o livro está pronto, é só imprimir!” porque é mentira – se fosse só imprimir, editoras não seriam necessárias. Não diga que “já foi revisado, nem precisam revisar de novo” porque um livro pode ter sido revisado cinco vezes e mesmo assim uma outra revisão será sempre útil (eu nunca, nunquinha mesmo, em cinco anos de profissão, revisei um livro sem marcar pelo menos um errinho). Claro que se for um livro ilustrado, ou se o projeto gráfico for fundamental (e eu quero dizer FUNDAMENTAL MESMO, gente, fundamental do tipo “o livro não poderia ser nunca publicado de jeito nenhum porque não faria nenhum sentido pra ninguém sem esse projeto gráfico”, não fundamental do tipo “eu amo o projeto e é minha ~~~visão”), aí você pode mandar com esses elementos, mas qualquer coisa além do fundamental atrapalha mais do que ajuda.

DICA 4: Mas mande o texto pronto!: todos os dias eu recebia pelo menos um e-mail de alguém dizendo “desconsidere o original anterior, segue agora uma versão atualizada”, ou algo do tipo. Por favor, não faça isso! Primeiro porque se o editor já estava avaliando seu original, isso é jogar o trabalho dele fora. Segundo porque se o editor avaliou o primeiro e achou péssimo, a vontade de avaliar o segundo será: zero. Terceiro porque mostra que, claramente, o seu texto ainda não está pronto! Não adianta terminar de digitar “FIM” no seu arquivo de Word e mandar para a editora direto – escrever exige muita edição própria antes (olha, tô até dando umas dicas de escrita aqui), exige reler e pensar e dar para um amigo de confiança ler também e mexer em uma coisa ou outra, e é para isso ser feito antes do original ir para a editora. É claro que o arquivo pode sofrer mudanças durante o processo editorial – sugestões dos editores ou dos revisores, pequenas coisas que passaram e você, autor, gostaria de mudar –, mas o texto tem que estar suficientemente pronto para que a pessoa avaliando ache que ele é publicável, não que ele tem potencial para ser publicado depois de umas dez releituras e cinquenta mudanças.

DICA 5: Follow-up é uma arte delicada, não exagere: em geral as instruções da editora (veja: DICA 2) vão te dizer algo sobre o tempo esperado para avaliação – ou que é de aproximadamente sei-lá-quantos-meses, ou que não podem garantir agilidade, ou que não respondem com rejeições, ou o que quer que seja. Por favor não encham o saco dos editores com perguntas antes do que é previsto, ou se as instruções pedem para não follow-up. Sério, gente, é só chato. Se vocês não têm nenhum tipo de informação sobre prazos e follow-up, vocês podem entrar em contato de novo depois de um período razoavelmente longo de tempo (eu diria uns três meses?), mas o contato não pode ser “por que não me responderam??????? ninguém me ama?????? por que não querem me publicar??????????” ou uma série de xingamentos, porque isso é garantia que ninguém vai querer trabalhar com você como autor.

DICA 6: Seja legal no e-mail: o e-mail em si deve ser educado e simpático, sem autodepreciação nem egos exagerados. Já recebi muito original acompanhado de coisas como “o livro nem é muito bom, eu sei, é meu primeiro, desculpa, não tenho experiência”, mas isso só me faz achar que o livro não vale a pena – não é uma redação de colégio, sabe, não é uma questão de “aaaah, poxa, pro primeiro livro até que não é tão horroroso, quem sabe eu publico”, porque o livro precisa mesmo ser publicável! Ninguém é café com leite porque deu argumentos autodepreciativos! O contrário, no entanto, é igualmente ruim: e-mail cheio de “eu sou o máximo, tenho esses trinta amigos famosos, todo o mundo que eu conheço adora meu livro” demonstra um ego fora do controle e normalmente nada coerente com a qualidade do trabalho. Se você tiver coisas relevantes para a publicação do livro – por exemplo, um real sucesso na internet, destaque no seu campo profissional (que é o tema do livro!), outros livros publicados –, por favor conte no e-mail! Mas “minha mãe é muito fã desse livro, até chorou quando leu” e “conheço um monte de celebridades” são informações igualmente inúteis (e que me dão muita preguiça).

DICA 7: Duas coisas importam: a qualidade do original e a sua personalidade: não é que a editora vá deixar de publicar um livro excelente porque o autor é chato, nem que a editora vá publicar um livro ruim porque o autor é super gente boa. Mesmo assim, sua personalidade no contato importa, porque é um contato profissional, porque se a editora optar por te publicar você vai ter contato com essa equipe por um bom tempo, porque a galera do mundo editorial se conhece toda e se você for um babaca com uma editora você vai se queimar fácil. Ou seja, não dê ataques se for rejeitado, não xingue as editoras nas redes sociais (a gente vê), não faça chantagem emocional para ser publicado, não telefone toda semana para a editora pedindo para falar com o chefe, seja respeitoso com as pessoas que trabalham ali, porque são profissionais daquela área. Ser gente boa dá bem menos trabalho do que ser babaca, e é bem melhor para todo mundo!

Acho que essas são minhas dicas principais, mas estou aqui para tirar dúvidas de quem tiver perguntas sobre qualquer coisa desse processo. Se vocês curtirem, faço mais posts desse tipo!

RECAPITULANDO

Recapitulando: Set. 2015

A primeira metade de Setembro foi inteiramente consumida pelo #capitoweekend (que na verdade foi #capitoweek x 2), ou seja, o(s) lançamento(s) na Bienal do Livro do livro da Capitolina! Sim! Nosso livro! Lindo e maravilhoso! (Por sinal, galera de São Paulo: lançaremos o livro por aí sábado, dia 17!) Passei os dois fins de semana de Bienal no perrengue do Riocentro, acompanhada das Capitolinas queridas, e o tempo entre eles trabalhando e aproveitando a companhia da Clara. No primeiro fim de semana, eu, Clara e Lorena participamos de um game show da Cia. das Letras, do qual saímos com uma enorme vitória moral (objetivamente, perdemos, mas nossa plateia aplaudiu quando nossos oponentes disseram que eram da Grifinória, então desde o começo estávamos fadadas ao fracasso), e as Capitolinas fizeram um corredor polonês do amor para autografar os livros de nossas leitoras incríveis por mais de 2h. No segundo fim de semana, rolou a segunda edição do corredor polonês, e eu bati um papo com uma galera legal numa mesa do Submarino. Ou seja: primeira metade de Setembro passou voando, com muita intensidade.

Cenas da Bienal.

Cenas da Bienal.

A segunda metade, portanto, foi passada com muitas tentativas de catch-up em trabalho, com muitas entrevistas por telefone (cheguei a dar uma entrevista ainda deitada na minha cama de olhos fechados de tão exausta), com um texto pra cada um dos meus cantos da internet – sobre mídia independente pra Pólen, sobre conquista x fracasso pra Capitolina e sobre como falamos sobre términos pro Modefica –, e com o fim do meu beginner’s calendar do Blogilates (sim, eu me enrolei, parei, voltei, mas acabei!).

Cenas da Bienal, parte 2.

Cenas da Bienal, parte 2.

O mês acabou com chave de ouro: eu e Taís fomos falar para uma turma de terceiro ano no CAp UFRJ, o colégio em que eu fiz o ensino médio. Foi, no mínimo, emocionante. É uma sensação inacreditável estar de volta no colégio seis anos depois, falando para uma turma de adolescentes que estavam interessados no que a gente tinha a dizer e que tinham muito a acrescentar. Vou fechar outubro do mesmo jeito, e não podia estar mais feliz.

Considerando a intensidade do mês, não surpreende que eu não tenha visto filme nenhum, e que minha listinha de links de setembro seja bem curta para os meus padrões, né? Tentarei compensar em outubro!

Decorações da sala e dos lockers no colégio & a turma maravilhosa com a qual conversamos.

Decorações da sala e dos lockers no colégio & a turma maravilhosa com a qual conversamos.

LIVROS

Saint Anything, Sarah Dessen
Ganhei a edição brasileira, Os bons segredos, da nossa editora linda, a Seguinte, e foi a leitura que me ajudou a relaxar no meio do caos da Bienal. A história é bem fofa, com coisas tristes mas sem muito melodrama, sem muito sofrimento, e é realmente uma delícia de ler.

All Fall Down, Ally Carter
Mais um presente (essa vida de ganhar livro de editora é maravilhosa), dessa vez da Guarda-Chuva, que publicou a edição brasileira Em Queda Livre, e wow que livro tenso! É bem divertido, especialmente pra quem gosta de dramas políticos internacionais e personagens femininas fortes e maneiras, e estou ansiosa pra sair o próximo da série!

Booky Wook 2: this time it’s personal, Russell Brand
Momento de confissão: eu sou muito fã do Russell Brand. Sim, sério. Ele fala coisas que eu objetivamente acho horríveis, mas aí ele fala umas coisas com as quais eu concordo, e eu me identifico com ele de uns jeitos meio ridículos (principalmente porque ele fala demais e muito rápido e inteiramente sem filtro e às vezes eu acho que se eu fosse muito rica e famosa eu e ele teríamos muito em comum), e eu acho ele uma figura fascinante, e, gente, ele é TÃO ENGRAÇADO nos episódios em que participa do Big Fat Quiz of the Year! Então, sou tão fã que li a segunda autobiografia dele. Não só li, como adorei.

Rivers of London, Ben Aaronovitch
O gameshow da Cia. das Letras me fez entrar num buraco negro do Youtube revendo um monte de episódios de Never Mind the Buzzcocks, Big Fat Quiz of the Year e QI. Somando isso ao livro do Russell Brand, eu fiquei com vontade de ler coisas sobre Londres, para manter a onda britânica por um tempo. Foi assim que fui parar em Rivers of London, um livro policial de fantasia urbana passado em Londres – na verdade, mais que isso, um livro em que Londres é fundamental à história, uma cidade composta por magia e por deuses, de forma que me remete um pouco a Neverwhere. Não é uma das melhores coisas que já li (e, para fantasia urbana passada em Londres, recomendo primeiro Neverwhere e depois A madness of angels), mas supriu bem meu desejo literário.

Diversões de setembro: um casamento e um fliperama.

Diversões de setembro: um casamento e um fliperama.

LINKS: LONGREADS
A linguist explains the grammar of shipping (Gretchen McCulloch, The Toast, 30 set. 2015): sobre a escolha de portmanteaus para ships.
“The fannish culture that ship names are embedded in helps too. DiGirolamo points out that another way blends get created is for advertising campaigns, where they may become popular through sheer paid-for exposure even if they aren’t that great linguistically (see phablet). The fandom process is decentralized and democratic: a ship name lives or dies on its own merits. And while ad execs and literary punsters have a lot of flexibility in terms of whether they choose to use a blend or not, show creators don’t name their characters based on which combinations will make shippable blends, so ship names are also a unique opportunity to see how people cope with words that are seriously difficult to combine.”

Em defesa de quem fica conectado 24h/dia (Gabriela Martins, Andam Falando, 28 set. 2015): sobre amar a internet.
“É o seguinte: existe uma moda nova entre bloggers que eu adoro e admiro para se desconectar. E eu acho que todos têm que fazer o que acharem justo fazer com suas vidas, e caso se desconectar dê o impulso que a pessoa precise, então, by all means. Mas essa reputação ruim da tecnologia me deixa desconfortável, principalmente quando é jogada na cara dos adolescentes como se ter nascido dentro de um mundo tecnológico seja culpa deles. A minha geração, nascida no começo dos anos noventa, assistiu a transição de celulares comuns para smart phones com Internet. Minha geração assistiu o adeus da Internet discada para dar espaço à Wi-Fi em tudo quanto é loja, shopping, até estação de trem. Nós estamos divididos em relação à tecnologia. Metade de nós é tão obcecado por ela quanto a geração que veio depois de nós, a outra metade carrega um martelo pra julgar a primeira metade, porque nós somos escravos de telas, com os olhos sempre grudados nelas. Eu faço parte da primeira metade.”

You need help: You cry much more than you’d like to and feelings are really hard (Rachel, Autostraddle, 28 set. 2015): sobre a dificuldade de lidar com nossos sentimentos.
“I know this all sounds like it will be a lot of uphill work, and in some ways it is. It’s also a much more helpful and affirming process than it sounds. Did you ever play a sport, querent person, or try to improve at one? If you did, then you know that the secret isn’t necessarily in exhaustive studying or figuring out any secret formula. The secret is mostly showing up every single day, even when you’re tired or sore or hungover, and throwing the ball and catching the ball and whatever else. And even if you can’t put your finger on when it happened or how, and even though you don’t suddenly have access to some secret vault of knowledge that you didn’t previously, you realize at some point down the line that things have changed radically, and that you’re now actually pretty fucking good at this sport. That’s all I’m asking you to do: just show up for yourself, and try to figure it out every day that you can, and I promise that this will get easier, and that being you will get easier. I don’t know that I was 100% sure what your question was either but maybe this helped.”

On taking yourself seriously (Sady Doyle, Rookie, 21 mar. 2012): sobre levar seus sonhos a sério.
“Because accomplishment is hard. And accomplishment, on some basic level, is pretty selfish. To really devote yourself to achieving something—anything: becoming a writer, becoming a lawyer, becoming the world’s best mini-golf player—you have to have a vision of what you want, and you have to want it fiercely, and you have to be able to throw your whole weight behind getting it. But girls aren’t supposed to care that much about what they want for themselves. Like my awful, awful health teacher used to say: we’re supposed to put our own ambitions aside, and focus on other people. And those other people don’t even have to be babies! Consider the difference between a guy who stays in every weekend to practice guitar, and a girl who does the same thing. The guy is a brooding, intense, passionate musician. The girl is just unpopular.”

Where do you get your ideas? (Neil Gaiman): sobre inspiração.
“The Ideas aren’t the hard bit. They’re a small component of the whole. Creating believable people who do more or less what you tell them to is much harder. And hardest by far is the process of simply sitting down and putting one word after another to construct whatever it is you’re trying to build: making it interesting, making it new. ”

Patrolling the queer Craigslist (Nicole Pasulka, The Awl, 16 abr. 2015): sobre a dificuldade de moderar comunidades online.
“I guess I sometimes empathize with people who get very, very riled up about things ‘cause I have been that person making grand pronouncements and taking a stand and getting on a soapbox on a fucking website. But when I walk away from the keyboard and go outside, that drama doesn’t actually matter. I have other things to worry about in my life. We don’t throw the baby out with the bathwater. There are just some people who are going to be problems.”

In defense of Hufflepuff (David Sims, The Atlantic, 18 set. 2015): sobre a maravilha da Lufa-Lufa.
“Hufflepuff, on the other hand, apparently accepted all kinds of students from the start, placing less emphasis on specific attributes or social backgrounds. One imagines a large portion of “scholarship kids” (represented best within the books as Muggle-born witches and wizards) going to Hufflepuff to find their place in the world free of prejudice, an egalitarian vision that even the brashly heroic Gryffindor seems to lack. The books’ most prominent Hufflepuff is Cedric Diggory, a paragon of modesty who’s named as the school’s representative champion in the fourth book, Harry Potter and the Goblet of Fire, where he competes with Harry and others in a wizarding tournament. He (spoilers) eventually loses his life because he offers to share the championship with Harry, modest as ever, and thus inadvertently gets drawn into a plot to resurrect the evil Voldemort. (Other notable Hufflepuffs include Nymphadora Tonks, Newt Scamander, and the Herbology professor Pomona Sprout.)”

The Capaldi Conundrum: how we attack the female gaze (Alyssa Franke, Bitch Flick, 28 ago. 2015): sobre a forma como mulheres e homens espectadores da mesma mídia são vistos de formas diferentes.
“We need media that employs the female gaze — we need media that is written, directed, and produced by women for an audience of women. We need media that puts women at the center of the narrative and presents them as sexual beings rather than sexual objects. But more than that, we need to treat female viewers with the same respect we treat male viewers. We need to treat them as beings capable of intellectually and emotionally appreciating a piece of media while simultaneously being capable of appreciating Captain America’s ass.”

Why women love to read about crime (Megan Abbott, The Cut, 14 set. 2015): sobre o sucesso de livros como Gone Girl.
“Maybe more than any other genre, crime fiction is a place that takes deadly seriously the things that the larger culture doesn’t always: ambivalent motherhood, the trickiness of negotiating power at home, in the bedroom, the price of ambition and ambitionlessness, sexual identity, the murderous corners of marriage, the way our own vanities and desires can still send us down the rabbit hole, and how love-gone-wrong too many times can harden us all. In crime fiction, these are issues of utmost importance and urgency. Of life and death. In this way, women read crime fiction because, in many cases, they’re reading themselves.”

The Autostraddle guide to queer mental health (Autostraddle, 24 set. 2015): um guia com vários links sobre saúde mental.
“As you may have heard, LGBTQ people have higher rates of mental health issues than straight people — and so it’s no surprise we’ve written quite a bit on the topic! Which brings us to our second volume of Autostraddle Classics (the first was Lesbian Dating 101), an easy-to-access guide to all the things we’ve said. This is by no means exhaustive — we’ve written a lot on this topic, so not everything is here (or even contained in the “mental health”) tag. But it’s a start.”

LINKS: VÍDEOS & ETC.

Star: todas as 5 edições da maravilhosa revista Star, dos anos 70.

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Passo a passo do self-care: cuidado cinematográfico

Eu ando dando umas dicas de self-care por aqui: já falei de cuidar do corpo e de cuidar das energias. Mas tem uns momentos difíceis na vida que podem ser resolvidos de forma bem mais simples: com o filme certo. Sabe, aquele filme que te deixa inspirada? Que te faz sorrir sem parar? Ou até que te faz chorar um monte, mas depois você se sente melhor?

Cada pessoa tem seu próprio comfort movie (fui perguntar os das amigas e as respostas iam de Tarantino a Orgulho e Preconceito), mas, se você não sabe qual assistir, fiz uma lista das minhas recomendações favoritas:

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Across the universe
Na minha adolescência, eu fui intensamente beatlemaníaca. Assim, muito mesmo. Eu tinha uma porção de coisas dos Beatles, ouvia o dia todo, lia sobre eles o tempo inteiro. O pai de uma amiga (que tinha sido beatlemaníaco na época mais apropriada) até me deu de presente algumas relíquias preciosas – o programa de um show do Wings, a TIME anunciando a morte do John Lennon, e algumas revistas do fã-clube oficial nas décadas de 70 e 80 – de tanto que eu admirava a banda. Mas nunca fui uma purista (não sou em relação a nada que curto), então para mim quanto mais Beatles melhor, não importa como.

Então vocês já devem imaginar como eu me senti vendo Across the universe, né? Para quem não conhece, é um musical de 2007, com Evan Rachel Wood e Jim Sturgess como protagonistas, passado nos anos 1960, todo de músicas dos Beatles. Eu vi no cinema e, no final do filme, estava praticamente de pé na cadeira, agradecendo ao universo por esse filme existir. Aguardei ansiosamente o lançamento do DVD (é engraçado que essa frase soa datada hoje, né?) e acabei comprando em Buenos Aires, numa viagem, porque saiu lá antes de sair no Brasil. Até hoje é um dos filmes que mais me toca, e a trilha sonora é linda.

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Bling Ring: a gangue de Hollywood (The Bling Ring) + Maria Antonieta (Marie Antoinette)

Estou listando os dois juntos porque o efeito é bem semelhante para mim: eu sou o público errado que vê esses filmes e fica apaixonada pelo glamour e pelas roupas e pela música e ignora inteiramente a mensagem bad vibe da coisa. Digo, sou capaz de entender e analisar, claro. Mas, enquanto estou vendo, é só admiração cega e felicidade pura e fútil gerada por coisas lindas na minha frente, e demoro umas horas depois para voltar ao normal e parar de agir de forma inteiramente irritante e mimada. Mesmo assim: os dois funcionam bem demais para me animar quando eu preciso, especialmente quando o necessário é uma dose de autoconfiança fora de proporção.

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Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s)

Clichê, eu sei. Mas muito eficiente, com certeza. A estética é linda, a Audrey é linda, NY é linda. Tem dramas intensos e variados, é, na verdade, uma comédia romântica dramática sobre uma prostituta e um gigolô, tem conversas honestas (e um pouco rebuscadas) sobre depressão. É uma mistura muito curiosa de assuntos e gêneros mas no fim das contas eu só fico cantarolando “Moon River” por dias a fio, uso mais pérolas do que de costume e lembrando que tanto os blues quanto os mean reds passam, sempre passam.

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Garota infernal (Jennifer’s body)

Mudando radicalmente de estilo, mas, sabe, alguns dias o sentimento ruim dentro da gente é raiva. É intenso e é pesado e é violento. Nesses dias, comédias e romances não resolvem, só me deixam irritada; nesses dias, um filme de terror funciona bem melhor. Garota infernal, então, funciona que é uma maravilha! Já falei sobre ele numa outra lista, mas, para quem não lembra, a história básica é a seguinte: Jennifer, personagem de Megan Fox, é vítima de um ritual satânico e se torna uma garota-monstro que seduz garotos e come os corpos deles. Tem bastante gore, um monte de humor estranho no meio, e o tipo de violência catártica que me deixa leve no final.

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Magic Mike XXL

Olha, eu já falei muito sobre o porquê de amar esse filme por aqui. Mas repito: é uma injeção de felicidade pura diretamente no seu coração. Eu sorri o filme inteiro, eu sorri tanto que eu gargalhei, eu gargalhei tanto que em algum momento eu estava mesmo era soltando gritinhos e pulando na cadeira do cinema e cutucando as amigas do meu lado para ver se todo mundo estava sentindo a mesma felicidade profunda que eu (sim, estavam).

Além de tudo que torna o filme incrível, só a premissa já deve convencer vocês de que é o #1 feel-good movie: é um road movie de strippers indo para uma convenção. Pronto. Não é possível isso não gerar sorrisos, sabe? Se você ainda não se convenceu, veja essa cena:

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O diabo veste Prada (The devil wears Prada)

De vez em quando eu estou em crise em relação à minha vida profissional: estou sem inspiração pra escrever, estou de saco cheio de alguma revisão, não aguento mais trabalhar deitada na cama de pijama, a conta do banco não está tão cheia quanto eu gostaria, e eu só queria mesmo pular direto para a parte do meu futuro imaginado em que eu não tenho que me preocupar com dinheiro, escrevo textos sem bater a cabeça na mesa várias vezes e à noite saio para lugares em que posso usar os vestidos bonitos mofando no armário (futuro imaginário talvez nunca aconteça, mas, sabe, ele me ocorre muito nessas horas de crise profissional). É nesses momentos que eu recorro a O diabo veste Prada.

Tem NY. Tem roupas lindas. Tem uma revista de moda. Tem a Meryl Streep sendo horrorosa e cruel e portanto incrível e maravilhosa. Tem a Anne Hathaway que eu amo apesar dela ser super odiada. Tem alguma mensagem sobre real felicidade e ambição e os riscos de ser workaholic e o horror da indústria de moda (mas confesso que quando eu vejo só quero mesmo estar lá na fashion week de Paris). E é o antídoto perfeito para quando preciso de uma energia extra para encarar meu trabalho.

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Quase famosos (Almost famous)

Ok. Então. Quase famosos é o meu filme favorito. De todos. Do mundo inteiro. É meu feel-good movie #1, eu tenho em DVD e assisto sempre no director’s cut e sei 100% das falas de cor e na ordem (e as músicas que tocam em cada parte também). Até hoje me lembro da primeira vez que vi, alugado na locadora (com muita apreensão por conta da capa inteiramente misleading do DVD), deitada na cama dos meus pais (a gente não tinha TV na sala), e sentindo que meu mundo inteiro tinha mudado. Fiz todos meus amigos verem o filme comigo, e é uma prova de amizade que eles ainda me aguentem depois da experiência (eu sou dessas que pausa pra comentar e que fala as falas antes do filme, sabe?).

Esse filme embalou uma boa parte da minha adolescência, e eu via a Penny Lane, a personagem da Kate Hudson, groupie extraordinaire, como uma guia espiritual. William, o garoto prodígio avatar de Cameron Crowe que sai em turnê com uma banda de rock e escreve uma matéria de capa da Rolling Stone aos 15 anos, era uma inspiração profissional. Na realidade, eu queria as duas coisas: viajar com minha banda favorita para escrever uma matéria genial e, no meio do caminho, ter um caso com o guitarrista. Mas nada disso vem ao caso, só o que importa é: quando a vida está impossível, Quase famosos me salva.

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Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vs. the world)

Um monte de anos atrás, um amigo meu me disse que estava lendo uma série de quadrinhos que era a minha cara, e que eu precisava ler já. Como não tinha sido lançado no Brasil, ele me passou os arquivos digitais. Eu li. Eu viciei. Eu acabei os cinco primeiros volumes antes dele, e fiquei ansiosa aguardando o sexto e último. Saiu, devorei, amei. Logo depois, veio o filme.

Eu poderia ser a chata que diz que os quadrinhos são melhores (e são, em muitos aspectos), mas o filme é tão bom, gente. É cheio de referências estéticas e temáticas de quadrinhos e videogame, tem personagens maravilhosas (sei que o mundo é de fãs da Ramona e da Kim, mas ninguém faz meu coração bater tão rápido quanto a Envy, especialmente cantando “Black sheep”), é engraçado e emocionante e sensível de uns jeitos inesperados, e é o tipo de filme que não te deixa triste nunca.

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Simplesmente amor (Love actually)

Sim, tem coisas problemáticas à beça (todo o plot da Keira Knightley é creepy af, por exemplo). Não, não te deixa feliz o tempo todo. Sim, tem mais de 2h. Mas não consigo passar dezembro sem ceder à tentação de assistir a esse filme de Natal (porque, sim, é um filme de Natal), e deixa meu coração quentinho que nem se eu tivesse tomado um chocolate quente delicioso (que eu não tomo em dezembro porque dezembro é quente à beça, mas deu pra entender, né, gente).

Lançado em 2003 (pausa para uma crise de “omg estou velha”) (ok, voltei), acho que deve ser o primeiro filme nessa onda de várias histórias separadas mas interligadas, tipo aquele de dia dos namorados com o casal Taylor & Taylor (que eu não vi, mas talvez devesse ver). Só que, em vez de ser super Hollywood, é inglês, e tem o Hugh Grant, e comédias românticas inglesas com o Hugh Grant, sabe, são as melhores comédias românticas (aproveito para dizer que Notting Hill deveria estar nessa lista e só não está porque já estou falando de Simplesmente amor, mas, por favor, vejam Notting Hill também).

X-Men-First-Class-2011

X-Men: primeira classe (X-Men: first class)

Outra coisa que eu amo muito mas que provavelmente nunca mencionei aqui no blógue: X-Men. Tive uma fase de fã mais intensa, mas os X-Men ainda moram no meu coração. E, nesse cantinho do coração, tem um espaço todo especial para o amor trágico de Erik Lehnsherr e Charles Xavier, especialmente se eles forem o Michael Fassbender e o James McAvoy nos anos 1960. Então, surprising no one, eu vi esse filme na estreia no cinema. E aí vi de novo mais quatro vezes antes de sair de cartaz. E aí fiz meu pai trazer o DVD dos EUA quando saiu lá porque queria ver de novo mais um monte de vezes.

É um filme que me faz ficar meio triste e chorar (sim, eu choro com filmes de super-herói, e com quadrinhos, então, nem se fala), mas tem uma vibe tão sensacional, tanta ação maneira, tantos mutantes, tantas crises existenciais misturadas a crises históricas, tanta amizade/amor trágico, que eu só de escrever aqui estou com vontade de ver de novo.

Tenho mais uns filmes pra recomendar, mas eles ficam pra outro post. Quais são os filmes favoritos de vocês pra esses momentos?