RECAPITULANDO

Recapitulando: Nov. 2015

Quem acompanha minha newsletter sabe que novembro foi um mês de crise para mim. Crise pessoal e profissional, uma onda de coisas complicadas, notícias estranhas ao redor do mundo, notícias ruins perto de casa, um azar inacreditável atacando objetos (especialmente eletrônicos) ao meu lugar. Foi, consequentemente, um mês de self-care, um mês de tentar me manter de pé, funcionando, andando pra frente. Estou começando dezembro melhor, com alguma expectativa para 2016, e especialmente para o pequeno respiro de férias ao fim do mês.

Pequenos momentos de alegria.

Pequenos momentos de alegria.

Mas, mesmo na crise, a vida segue. E em novembro, em meio a dramas e medo e confusões, eu prossegui trabalhando-trabalhando-trabalhando. Só publiquei dois textos, um sobre mindfulness na Capitolina, e um sobre exposição midiática do feminismo no Ponto Eletrônico. Além disso (para me manter temática a “exposição midiática do feminismo”), participei, com a Clara, da gravação de um episódio do Esquenta!, da Globo, que vai ao ar hoje-amanhã (aka domingo, dia 6/12), e escrevi um pouquinho pra matéria de capa (!) da ELLE (!!) de dezembro, que já está nas bancas (ok, trapaceei de leve, estou falando de dezembro, mas o trabalho foi feito em novembro, então conta, né?). E, mesmo sendo fruto de um trabalho que já saiu há um bom tempo, fiquei feliz com a surpresa de ouvir meu texto “Nossa Família”, que publiquei na Midnight Breakfast, em um programa de rádio de Boston!

1. Gravando o Esquenta!; 2. Capa da ELLE; 3. Capitolina n'O Globo; 4. Com Clara Averbuck e Luane maravilhosas na gravação.

1. Gravando o Esquenta!; 2. Capa da ELLE; 3. Capitolina n’O Globo; 4. Com Clara Averbuck e Luane maravilhosas na gravação.

Na área mais pessoal, o mês envolveu muito tempo debaixo do cobertor na frente da televisão, muita insônia, muita comida gostosa feita pela minha irmã. Envolveu também um bazar delicioso que deu uma renovada boa no meu armário e que proporcionou um fim de semana agradável com amigas. E, uma enorme novidade: agora eu uso óculos! (Não o tempo inteiro.) (Mas uma parte do tempo.) (Ainda estou me habituando.)

Selfies com e sem óculos.

Selfies com e sem óculos.

LIVROS

The Raven Boys, Maggie Stiefvater
Em uma breve volta ao Tumblr nos últimos meses, vi esse livro por todos os lados. Era raven cycle pra cá, raven cycle pra lá, e eu sem entender nada. Mas, confiando no bom gosto do meu dash, fui atrás do livro. E, gente, como a galera estava certa! Esse é o primeiro da série (ainda não tenho os seguintes), e é mesmo excelente. É fantasia urbana, tem pontos de vistas alternados muito bem feitos, mistérios que não são escondidos demais nem revelados demais, um ritmo super envolvente, personagens ricos metidos esnobes e cheios de segredos, uma garota maneira e arrasante… Enfim, excelente. Leiam e aí venham aqui falar comigo.

Funny Girl, Nick Hornby
Fun fact: eu adoro o Nick Hornby. Já li todos os romances dele, já li todos os não-romances dele também, é um dos meus escritores favoritos. Comprei Funny Girl assim que saiu, no aeroporto em Nova Orleans, mas ele ficou soterrado numa pilha de livros e só me dei conta quando decidi dar um jeito na minha estante recentemente (não se enganem, livros continuam por todos os lados, só de forma um poco mais controlada). É um livro bem divertido, com peso emocional sem drama, sobre uma atriz e comediante britânica nos anos 60. Como de costume, gostei muito das vozes dos personagens, e achei um livro rápido e envolvente.

More of this World or Maybe Another, Barb Johnson
Também comprei esse em Nova Orleans, naquele sebo que visitei, lembram? Escolhi numa seção de livros sobre a cidade ou escritos por autores da cidade, porque queria ler algo local. Acabei só lendo depois de desenterrá-lo da mesma pilha de Funny Girl, e me arrependi de não ter lido ainda em Nova Orleans – acho que teria me dado mais dimensões da cidade. É um livro de contos interligados sobre personagens bem realistas e complexos; apesar de às vezes um pouco dramático demais, achei uma leitura surpreendentemente ótima.

Tentando curar a bad vibe com sorvete na beira da praia.

Tentando curar a bad vibe com sorvete na beira da praia.

FILMES

The Man from U.N.C.L.E.
Procurei quando comecei a ler The Raven Boys, porque lembrei que o Tumblr também estava apaixonado por esse filme na época em que voltei brevemente para lá. Não é um bom filme, mas a paixão é inteiramente justificada: tem estética kitsch anos 60, tem dramas elaborados de espionagem, tem atores americanos forçando sotaques, tem cenas divertidas de ação, tem uma participação especial do Hugh Grant, enfim, ri muito.

Serendipity
Eu costumava alugar Serendipity na locadora com bastante frequência, mas fazia um bom tempo que eu não via. Aí o namorado estava aqui, a gente queria ver algo bobo e leve, e eu sugeri esse. Continua sendo tão bom quanto eu lembrava, talvez ainda melhor! É uma clássica comédia romântica do começo dos anos 2000, o casal principal é John Cusack e Kate Beckinsale, e é passado em Nova York. Ou seja, sério, gente, não dá pra não gostar.

Taxi Teerã
Estava me preparando para uma noite de Netflix em casa quando minha mãe me convida para ir ao cinema, ver um filme que eu nem sabia qual era. Fomos, eu, ela e minha irmã. Acabou que amamos o filme, um mockumentary dirigido e estrelado pelo cineasta iraniano Jafar Panahi, passado inteiramente dentro de um taxi que ele dirige por Teerã. É um filme leve na superfície, com muitos risos e pequenos momentos absurdos, mas com fortes mensagens políticas por trás – especialmente porque é o terceiro filme de Panahi gravado apesar de ele ter sido proibido de filmar por 20 anos (e o primeiro que ele filmou nas ruas, em vez de secretamente em casa, como os dois outros).

Drive me Crazy
Serendipity me deixou com vontade de comédias românticas do começo dos anos 2000, e Drive me Crazy me apareceu em uma madrugada no Netflix depois de eu ter acabado Jessica Jones e desesperadamente precisada de algo agradável. É outro desses filmes que eu já tinha visto algumas vezes, mas Melissa Joan Hart e Adrian Grenier fazendo romcom adolescente nunca me cansam.

Iniciando projetos legais para 2016!

Iniciando projetos legais para 2016!

LINKS: LONGREADS

Visibility in suffering (Akil Kumarasamy, The Awl, 13 nov. 2015): sobre os papéis permitidos a atores negros em Hollywood.
“The release of mainstream Hollywood films that feature leading black actors in expected roles like in The Help, The Butcher, 12 Years a Slave, grants many actors of color visibility, but reinforces how Hollywood permits mostly narratives of black suffering which rely on the crux of white kindness. In a more recent film, Selma, directed by an African-American woman, Ava DuVernay, focuses on Martin Luther King Jr. during a crucial moment of the Civil Rights Movement and pushes against national narratives about Martin Luther King Jr. and President Lyndon B. Johnson. DuVerney depicts a contentious relationship between the two men, specifically delineating the reluctance of President Johnson to pass voting rights legislation. Many critics have called DuVerney’s depiction of President Johnson as misleading. In writing about Selma for Time magazine, David Kaiser said, “Even in this one—and especially in this one—accuracy matters.” It is interesting that accuracy seems to matter most in narratives that push against white-savior depictions while whitewashing has become deeply entrenched in the American narrative.”

I can practice law, but it’s not like I’m getting married, right? (Brittany Berckes, Man Repeller, 29 jun. 2015): sobre o que podemos ou não celebrar.
“But, how can women make their accomplishments known in the workplace when we’re told by those closest to us that the events we should celebrate loudly and proudly have nothing to do with our careers? It’s no wonder women downplay their career successes when the biggest parties thrown for women by women don’t center on the new promotion; they focus on the new ring or hyphenated last name.”

Heroic journeys: Healing through fantasy worlds (Jennie Steinberg, The Mary Sue, 23 nov. 2015): sobre o poder terapêutico de narrativas fictícias.
“Therapy, to a large degree, is about stories. It’s about the stories we tell ourselves, and the power to rewrite our stories in a way that makes us feel stronger, create meaning, and empower ourselves. It’s about going into our library of pain, pulling a book off the shelf, reading what it contains, and deciding to edit the ending. So it makes a great deal of sense that the stories we read and watch often resonate deeply with us.”

On pandering (Claire Vaye Watkins, Tin House, 23 nov. 2015): sobre… coisas demais para explicar; sobre para quem escrevemos, para quem agimos, para quem somos.
“Let us use our words and our gazes to make the invisible visible. Let us tell the truth. Let us, each of us, write things that are uncategorizable, rather than something that panders to and condones and codifies those categories. Let us burn this motherfucking system to the ground and build something better.”

We need to put more thought – and less shame – into our conversations about Paris and Beirut on social media (Tom Hawking, Flavorwire, 16 nov. 2015): sobre competição de tragédias na internet.
“I’m not attempting to justify or defend this response. In a wholly objective sense, it’s indefensible. But at the same time, we have emotional defense mechanisms for a reason. The logical extreme of the, ahem, “all lives matter” line of thinking is that I should feel the same grief for the death of an unknown person in a faraway country as I would for my own mother. In purely objective terms, again, this is true — all human lives are of equal value. But if we did process grief that way, we’d either all go crazy or we’d all cease to care about any death much at all. Neither of those are particularly great options, both in an evolutionary sense — neither would be conducive to the long-term survival of any species — nor in a practical sense. And so, we process the loss of those closest to us in a different way — or, at least, to a differing extent — than those who are not close.”

The ultimate guide to getting published in a literary magazine (Lincoln Michel, Buzzfeed, 6 nov. 2015): guia muito útil, detalhado e interessante.
“At the end of the day, the world doesn’t really need more creative writing. There is an insurmountable pile of it submitted every day to hundreds of magazines. Probably an entire Library of Congress worth of self-published e-books comes out each year. No one is dying because of a lack of creative writing in the world, and while you can get published following the trends, publication doesn’t mean much itself. If you don’t love the work, publication is unlikely to bring you riches or happiness or even Twitter followers. What is going to count is having work that you believe in.”

Why are so many adults obsessed with One Direction? (Bryn Lovitt, Noisey, 13 nov. 2015): inclui depoimentos de vários fãs adultos de One Direction.
“Consider the canon: Every boyband from The Monkees to The Backstreet Boys has left an imprint on generations of teenage superfans. Every woman remembers the boy band of their youth because that music represents a first promise of doe-eyed love, seductive to pubescent girls for obvious reasons. A recent segment on NPR stipulated that through the boy band archetype, young girls latch onto boy bands as a way to define and make sense of the love and sexuality looming up ahead. However, that kind of psychology suggests that obsessively loving a boy band acts as a placeholder for an adult experience. But what happens to these fangirls once they age out of the targeted demographic? If fangirling over a boy band like One Direction is understood to be a uniquely adolescent phenomenon, both commercially and psychologically, then why is that according to data from Pandora, 60 percent of their fans are 25 or older?”

Why I stopped running from New York (Isaac Fitzgerald, Buzzfeed, 29 nov. 2015): sobre tentar encontrar o seu lugar.
“The thing about missing eight winters, though, is that you forget that you also missed eight springs. Now, the sun is here. I no longer hide underground, crowded into subway cars that I worry I’ll never get used to. Riding my bicycle over the Manhattan Bridge, I see the city, instead of scuttling beneath it. And it is beautiful. Parks. Markets. Blossoms. People. Dresses. Pavement. This city is alive and full of wonder and I am just one lost person in it, but I wouldn’t want to be lost anywhere else. That’s the flip side to leaving a city that made me feel cozy and comfortable and loved: I get to be lost.”

What I learnt about spirituality and the universe from One Direction’s cover of Torn (Sam Wolfson, Noisey, 13 nov. 2015): basta dizer que tocou demais em algumas das minhas crises atuais e eu quase chorei lendo.
“What gets me is that today’s One Direction are basically unrecognizable from the One Direction of five years ago. They have grown up, and they have grown real. But I have also lived through those five years. So have you. So has everyone you know. So has the universe. I don’t feel that different than I did in 2010, but sometimes the pace of change is so gradual that you barely notice it, until you’re staring two completely different versions of One Direction in the face.”

The allure of Kim Kelly, the best friend who terrifies you and shows you who you are (Sarah Chihaya, Jezebel, 16 nov. 2015): mais um texto da excelente série “Fake Friends”, dessa vez sobre Lindsay e Kim Kelly, de Freaks & Geeks.
“Maybe you’ve had a Kim Kelly. Maybe, whether you realize it or not, you’re someone else’s Kim Kelly: a friend who inspires some combination of fear, admiration, and deep, dizzying love. Every time you hang out, you wonder if she’ll decide you’re not cool enough, or tough enough, or whatever enough, and you’ll be left by the wayside. As you grow to know each other better, you realize that this isn’t just one-sided; a mutual anxiety of insufficiency is as fundamental an ingredient in this brew of feelings as respect. Kim Kelly is always your most challenging friend: you sometimes wish you could be like her, but you know you can’t. So who, then, should you be? Who can you be? This provocation to self-interrogation often makes the Kims of our lives—the friends we are slightly afraid of—the most important friends we have, especially in the tenuous, changeable teenage years that the show chronicles, as we figure out exactly how far we’re willing to be pushed, and how much we’ll push back.”

Since living alone (Druga Chew-Bose, The Hairpin, 12 jan. 2015): sobre morar sozinha.
“Precision of self was a quality I once strived for, but since living alone, clarity I’ve learned—when it comes—furnishes me with that thing we call boldness. The way readjusting my posture as I write accords me a new lease on the day or newfound impertinence towards punctuation. Self-imposed solitude developed in me, as White wrote about Duras, a knack for improving on the facts with every new version of the same event. And living alone, I soon caught on, is a form of self-portraiture, of retracing the same lines over and over—of becoming.”

LINKS: VÍDEOS, ETC.

You feel like shit.: um guia interativo de self-care para quando você só consegue cuidar de uma pequena coisa básica de cada vez.