Recapitulando: Set. 2015

A primeira metade de Setembro foi inteiramente consumida pelo #capitoweekend (que na verdade foi #capitoweek x 2), ou seja, o(s) lançamento(s) na Bienal do Livro do livro da Capitolina! Sim! Nosso livro! Lindo e maravilhoso! (Por sinal, galera de São Paulo: lançaremos o livro por aí sábado, dia 17!) Passei os dois fins de semana de Bienal no perrengue do Riocentro, acompanhada das Capitolinas queridas, e o tempo entre eles trabalhando e aproveitando a companhia da Clara. No primeiro fim de semana, eu, Clara e Lorena participamos de um game show da Cia. das Letras, do qual saímos com uma enorme vitória moral (objetivamente, perdemos, mas nossa plateia aplaudiu quando nossos oponentes disseram que eram da Grifinória, então desde o começo estávamos fadadas ao fracasso), e as Capitolinas fizeram um corredor polonês do amor para autografar os livros de nossas leitoras incríveis por mais de 2h. No segundo fim de semana, rolou a segunda edição do corredor polonês, e eu bati um papo com uma galera legal numa mesa do Submarino. Ou seja: primeira metade de Setembro passou voando, com muita intensidade.

Cenas da Bienal.

Cenas da Bienal.

A segunda metade, portanto, foi passada com muitas tentativas de catch-up em trabalho, com muitas entrevistas por telefone (cheguei a dar uma entrevista ainda deitada na minha cama de olhos fechados de tão exausta), com um texto pra cada um dos meus cantos da internet – sobre mídia independente pra Pólen, sobre conquista x fracasso pra Capitolina e sobre como falamos sobre términos pro Modefica –, e com o fim do meu beginner’s calendar do Blogilates (sim, eu me enrolei, parei, voltei, mas acabei!).

Cenas da Bienal, parte 2.

Cenas da Bienal, parte 2.

O mês acabou com chave de ouro: eu e Taís fomos falar para uma turma de terceiro ano no CAp UFRJ, o colégio em que eu fiz o ensino médio. Foi, no mínimo, emocionante. É uma sensação inacreditável estar de volta no colégio seis anos depois, falando para uma turma de adolescentes que estavam interessados no que a gente tinha a dizer e que tinham muito a acrescentar. Vou fechar outubro do mesmo jeito, e não podia estar mais feliz.

Considerando a intensidade do mês, não surpreende que eu não tenha visto filme nenhum, e que minha listinha de links de setembro seja bem curta para os meus padrões, né? Tentarei compensar em outubro!

Decorações da sala e dos lockers no colégio & a turma maravilhosa com a qual conversamos.

Decorações da sala e dos lockers no colégio & a turma maravilhosa com a qual conversamos.

LIVROS

Saint Anything, Sarah Dessen
Ganhei a edição brasileira, Os bons segredos, da nossa editora linda, a Seguinte, e foi a leitura que me ajudou a relaxar no meio do caos da Bienal. A história é bem fofa, com coisas tristes mas sem muito melodrama, sem muito sofrimento, e é realmente uma delícia de ler.

All Fall Down, Ally Carter
Mais um presente (essa vida de ganhar livro de editora é maravilhosa), dessa vez da Guarda-Chuva, que publicou a edição brasileira Em Queda Livre, e wow que livro tenso! É bem divertido, especialmente pra quem gosta de dramas políticos internacionais e personagens femininas fortes e maneiras, e estou ansiosa pra sair o próximo da série!

Booky Wook 2: this time it’s personal, Russell Brand
Momento de confissão: eu sou muito fã do Russell Brand. Sim, sério. Ele fala coisas que eu objetivamente acho horríveis, mas aí ele fala umas coisas com as quais eu concordo, e eu me identifico com ele de uns jeitos meio ridículos (principalmente porque ele fala demais e muito rápido e inteiramente sem filtro e às vezes eu acho que se eu fosse muito rica e famosa eu e ele teríamos muito em comum), e eu acho ele uma figura fascinante, e, gente, ele é TÃO ENGRAÇADO nos episódios em que participa do Big Fat Quiz of the Year! Então, sou tão fã que li a segunda autobiografia dele. Não só li, como adorei.

Rivers of London, Ben Aaronovitch
O gameshow da Cia. das Letras me fez entrar num buraco negro do Youtube revendo um monte de episódios de Never Mind the Buzzcocks, Big Fat Quiz of the Year e QI. Somando isso ao livro do Russell Brand, eu fiquei com vontade de ler coisas sobre Londres, para manter a onda britânica por um tempo. Foi assim que fui parar em Rivers of London, um livro policial de fantasia urbana passado em Londres – na verdade, mais que isso, um livro em que Londres é fundamental à história, uma cidade composta por magia e por deuses, de forma que me remete um pouco a Neverwhere. Não é uma das melhores coisas que já li (e, para fantasia urbana passada em Londres, recomendo primeiro Neverwhere e depois A madness of angels), mas supriu bem meu desejo literário.

Diversões de setembro: um casamento e um fliperama.

Diversões de setembro: um casamento e um fliperama.

LINKS: LONGREADS
A linguist explains the grammar of shipping (Gretchen McCulloch, The Toast, 30 set. 2015): sobre a escolha de portmanteaus para ships.
“The fannish culture that ship names are embedded in helps too. DiGirolamo points out that another way blends get created is for advertising campaigns, where they may become popular through sheer paid-for exposure even if they aren’t that great linguistically (see phablet). The fandom process is decentralized and democratic: a ship name lives or dies on its own merits. And while ad execs and literary punsters have a lot of flexibility in terms of whether they choose to use a blend or not, show creators don’t name their characters based on which combinations will make shippable blends, so ship names are also a unique opportunity to see how people cope with words that are seriously difficult to combine.”

Em defesa de quem fica conectado 24h/dia (Gabriela Martins, Andam Falando, 28 set. 2015): sobre amar a internet.
“É o seguinte: existe uma moda nova entre bloggers que eu adoro e admiro para se desconectar. E eu acho que todos têm que fazer o que acharem justo fazer com suas vidas, e caso se desconectar dê o impulso que a pessoa precise, então, by all means. Mas essa reputação ruim da tecnologia me deixa desconfortável, principalmente quando é jogada na cara dos adolescentes como se ter nascido dentro de um mundo tecnológico seja culpa deles. A minha geração, nascida no começo dos anos noventa, assistiu a transição de celulares comuns para smart phones com Internet. Minha geração assistiu o adeus da Internet discada para dar espaço à Wi-Fi em tudo quanto é loja, shopping, até estação de trem. Nós estamos divididos em relação à tecnologia. Metade de nós é tão obcecado por ela quanto a geração que veio depois de nós, a outra metade carrega um martelo pra julgar a primeira metade, porque nós somos escravos de telas, com os olhos sempre grudados nelas. Eu faço parte da primeira metade.”

You need help: You cry much more than you’d like to and feelings are really hard (Rachel, Autostraddle, 28 set. 2015): sobre a dificuldade de lidar com nossos sentimentos.
“I know this all sounds like it will be a lot of uphill work, and in some ways it is. It’s also a much more helpful and affirming process than it sounds. Did you ever play a sport, querent person, or try to improve at one? If you did, then you know that the secret isn’t necessarily in exhaustive studying or figuring out any secret formula. The secret is mostly showing up every single day, even when you’re tired or sore or hungover, and throwing the ball and catching the ball and whatever else. And even if you can’t put your finger on when it happened or how, and even though you don’t suddenly have access to some secret vault of knowledge that you didn’t previously, you realize at some point down the line that things have changed radically, and that you’re now actually pretty fucking good at this sport. That’s all I’m asking you to do: just show up for yourself, and try to figure it out every day that you can, and I promise that this will get easier, and that being you will get easier. I don’t know that I was 100% sure what your question was either but maybe this helped.”

On taking yourself seriously (Sady Doyle, Rookie, 21 mar. 2012): sobre levar seus sonhos a sério.
“Because accomplishment is hard. And accomplishment, on some basic level, is pretty selfish. To really devote yourself to achieving something—anything: becoming a writer, becoming a lawyer, becoming the world’s best mini-golf player—you have to have a vision of what you want, and you have to want it fiercely, and you have to be able to throw your whole weight behind getting it. But girls aren’t supposed to care that much about what they want for themselves. Like my awful, awful health teacher used to say: we’re supposed to put our own ambitions aside, and focus on other people. And those other people don’t even have to be babies! Consider the difference between a guy who stays in every weekend to practice guitar, and a girl who does the same thing. The guy is a brooding, intense, passionate musician. The girl is just unpopular.”

Where do you get your ideas? (Neil Gaiman): sobre inspiração.
“The Ideas aren’t the hard bit. They’re a small component of the whole. Creating believable people who do more or less what you tell them to is much harder. And hardest by far is the process of simply sitting down and putting one word after another to construct whatever it is you’re trying to build: making it interesting, making it new. ”

Patrolling the queer Craigslist (Nicole Pasulka, The Awl, 16 abr. 2015): sobre a dificuldade de moderar comunidades online.
“I guess I sometimes empathize with people who get very, very riled up about things ‘cause I have been that person making grand pronouncements and taking a stand and getting on a soapbox on a fucking website. But when I walk away from the keyboard and go outside, that drama doesn’t actually matter. I have other things to worry about in my life. We don’t throw the baby out with the bathwater. There are just some people who are going to be problems.”

In defense of Hufflepuff (David Sims, The Atlantic, 18 set. 2015): sobre a maravilha da Lufa-Lufa.
“Hufflepuff, on the other hand, apparently accepted all kinds of students from the start, placing less emphasis on specific attributes or social backgrounds. One imagines a large portion of “scholarship kids” (represented best within the books as Muggle-born witches and wizards) going to Hufflepuff to find their place in the world free of prejudice, an egalitarian vision that even the brashly heroic Gryffindor seems to lack. The books’ most prominent Hufflepuff is Cedric Diggory, a paragon of modesty who’s named as the school’s representative champion in the fourth book, Harry Potter and the Goblet of Fire, where he competes with Harry and others in a wizarding tournament. He (spoilers) eventually loses his life because he offers to share the championship with Harry, modest as ever, and thus inadvertently gets drawn into a plot to resurrect the evil Voldemort. (Other notable Hufflepuffs include Nymphadora Tonks, Newt Scamander, and the Herbology professor Pomona Sprout.)”

The Capaldi Conundrum: how we attack the female gaze (Alyssa Franke, Bitch Flick, 28 ago. 2015): sobre a forma como mulheres e homens espectadores da mesma mídia são vistos de formas diferentes.
“We need media that employs the female gaze — we need media that is written, directed, and produced by women for an audience of women. We need media that puts women at the center of the narrative and presents them as sexual beings rather than sexual objects. But more than that, we need to treat female viewers with the same respect we treat male viewers. We need to treat them as beings capable of intellectually and emotionally appreciating a piece of media while simultaneously being capable of appreciating Captain America’s ass.”

Why women love to read about crime (Megan Abbott, The Cut, 14 set. 2015): sobre o sucesso de livros como Gone Girl.
“Maybe more than any other genre, crime fiction is a place that takes deadly seriously the things that the larger culture doesn’t always: ambivalent motherhood, the trickiness of negotiating power at home, in the bedroom, the price of ambition and ambitionlessness, sexual identity, the murderous corners of marriage, the way our own vanities and desires can still send us down the rabbit hole, and how love-gone-wrong too many times can harden us all. In crime fiction, these are issues of utmost importance and urgency. Of life and death. In this way, women read crime fiction because, in many cases, they’re reading themselves.”

The Autostraddle guide to queer mental health (Autostraddle, 24 set. 2015): um guia com vários links sobre saúde mental.
“As you may have heard, LGBTQ people have higher rates of mental health issues than straight people — and so it’s no surprise we’ve written quite a bit on the topic! Which brings us to our second volume of Autostraddle Classics (the first was Lesbian Dating 101), an easy-to-access guide to all the things we’ve said. This is by no means exhaustive — we’ve written a lot on this topic, so not everything is here (or even contained in the “mental health”) tag. But it’s a start.”

LINKS: VÍDEOS & ETC.

Star: todas as 5 edições da maravilhosa revista Star, dos anos 70.