Passo a passo do self-care: cuidado cinematográfico

Eu ando dando umas dicas de self-care por aqui: já falei de cuidar do corpo e de cuidar das energias. Mas tem uns momentos difíceis na vida que podem ser resolvidos de forma bem mais simples: com o filme certo. Sabe, aquele filme que te deixa inspirada? Que te faz sorrir sem parar? Ou até que te faz chorar um monte, mas depois você se sente melhor?

Cada pessoa tem seu próprio comfort movie (fui perguntar os das amigas e as respostas iam de Tarantino a Orgulho e Preconceito), mas, se você não sabe qual assistir, fiz uma lista das minhas recomendações favoritas:

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Across the universe
Na minha adolescência, eu fui intensamente beatlemaníaca. Assim, muito mesmo. Eu tinha uma porção de coisas dos Beatles, ouvia o dia todo, lia sobre eles o tempo inteiro. O pai de uma amiga (que tinha sido beatlemaníaco na época mais apropriada) até me deu de presente algumas relíquias preciosas – o programa de um show do Wings, a TIME anunciando a morte do John Lennon, e algumas revistas do fã-clube oficial nas décadas de 70 e 80 – de tanto que eu admirava a banda. Mas nunca fui uma purista (não sou em relação a nada que curto), então para mim quanto mais Beatles melhor, não importa como.

Então vocês já devem imaginar como eu me senti vendo Across the universe, né? Para quem não conhece, é um musical de 2007, com Evan Rachel Wood e Jim Sturgess como protagonistas, passado nos anos 1960, todo de músicas dos Beatles. Eu vi no cinema e, no final do filme, estava praticamente de pé na cadeira, agradecendo ao universo por esse filme existir. Aguardei ansiosamente o lançamento do DVD (é engraçado que essa frase soa datada hoje, né?) e acabei comprando em Buenos Aires, numa viagem, porque saiu lá antes de sair no Brasil. Até hoje é um dos filmes que mais me toca, e a trilha sonora é linda.

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Bling Ring: a gangue de Hollywood (The Bling Ring) + Maria Antonieta (Marie Antoinette)

Estou listando os dois juntos porque o efeito é bem semelhante para mim: eu sou o público errado que vê esses filmes e fica apaixonada pelo glamour e pelas roupas e pela música e ignora inteiramente a mensagem bad vibe da coisa. Digo, sou capaz de entender e analisar, claro. Mas, enquanto estou vendo, é só admiração cega e felicidade pura e fútil gerada por coisas lindas na minha frente, e demoro umas horas depois para voltar ao normal e parar de agir de forma inteiramente irritante e mimada. Mesmo assim: os dois funcionam bem demais para me animar quando eu preciso, especialmente quando o necessário é uma dose de autoconfiança fora de proporção.

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Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s)

Clichê, eu sei. Mas muito eficiente, com certeza. A estética é linda, a Audrey é linda, NY é linda. Tem dramas intensos e variados, é, na verdade, uma comédia romântica dramática sobre uma prostituta e um gigolô, tem conversas honestas (e um pouco rebuscadas) sobre depressão. É uma mistura muito curiosa de assuntos e gêneros mas no fim das contas eu só fico cantarolando “Moon River” por dias a fio, uso mais pérolas do que de costume e lembrando que tanto os blues quanto os mean reds passam, sempre passam.

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Garota infernal (Jennifer’s body)

Mudando radicalmente de estilo, mas, sabe, alguns dias o sentimento ruim dentro da gente é raiva. É intenso e é pesado e é violento. Nesses dias, comédias e romances não resolvem, só me deixam irritada; nesses dias, um filme de terror funciona bem melhor. Garota infernal, então, funciona que é uma maravilha! Já falei sobre ele numa outra lista, mas, para quem não lembra, a história básica é a seguinte: Jennifer, personagem de Megan Fox, é vítima de um ritual satânico e se torna uma garota-monstro que seduz garotos e come os corpos deles. Tem bastante gore, um monte de humor estranho no meio, e o tipo de violência catártica que me deixa leve no final.

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Magic Mike XXL

Olha, eu já falei muito sobre o porquê de amar esse filme por aqui. Mas repito: é uma injeção de felicidade pura diretamente no seu coração. Eu sorri o filme inteiro, eu sorri tanto que eu gargalhei, eu gargalhei tanto que em algum momento eu estava mesmo era soltando gritinhos e pulando na cadeira do cinema e cutucando as amigas do meu lado para ver se todo mundo estava sentindo a mesma felicidade profunda que eu (sim, estavam).

Além de tudo que torna o filme incrível, só a premissa já deve convencer vocês de que é o #1 feel-good movie: é um road movie de strippers indo para uma convenção. Pronto. Não é possível isso não gerar sorrisos, sabe? Se você ainda não se convenceu, veja essa cena:

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O diabo veste Prada (The devil wears Prada)

De vez em quando eu estou em crise em relação à minha vida profissional: estou sem inspiração pra escrever, estou de saco cheio de alguma revisão, não aguento mais trabalhar deitada na cama de pijama, a conta do banco não está tão cheia quanto eu gostaria, e eu só queria mesmo pular direto para a parte do meu futuro imaginado em que eu não tenho que me preocupar com dinheiro, escrevo textos sem bater a cabeça na mesa várias vezes e à noite saio para lugares em que posso usar os vestidos bonitos mofando no armário (futuro imaginário talvez nunca aconteça, mas, sabe, ele me ocorre muito nessas horas de crise profissional). É nesses momentos que eu recorro a O diabo veste Prada.

Tem NY. Tem roupas lindas. Tem uma revista de moda. Tem a Meryl Streep sendo horrorosa e cruel e portanto incrível e maravilhosa. Tem a Anne Hathaway que eu amo apesar dela ser super odiada. Tem alguma mensagem sobre real felicidade e ambição e os riscos de ser workaholic e o horror da indústria de moda (mas confesso que quando eu vejo só quero mesmo estar lá na fashion week de Paris). E é o antídoto perfeito para quando preciso de uma energia extra para encarar meu trabalho.

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Quase famosos (Almost famous)

Ok. Então. Quase famosos é o meu filme favorito. De todos. Do mundo inteiro. É meu feel-good movie #1, eu tenho em DVD e assisto sempre no director’s cut e sei 100% das falas de cor e na ordem (e as músicas que tocam em cada parte também). Até hoje me lembro da primeira vez que vi, alugado na locadora (com muita apreensão por conta da capa inteiramente misleading do DVD), deitada na cama dos meus pais (a gente não tinha TV na sala), e sentindo que meu mundo inteiro tinha mudado. Fiz todos meus amigos verem o filme comigo, e é uma prova de amizade que eles ainda me aguentem depois da experiência (eu sou dessas que pausa pra comentar e que fala as falas antes do filme, sabe?).

Esse filme embalou uma boa parte da minha adolescência, e eu via a Penny Lane, a personagem da Kate Hudson, groupie extraordinaire, como uma guia espiritual. William, o garoto prodígio avatar de Cameron Crowe que sai em turnê com uma banda de rock e escreve uma matéria de capa da Rolling Stone aos 15 anos, era uma inspiração profissional. Na realidade, eu queria as duas coisas: viajar com minha banda favorita para escrever uma matéria genial e, no meio do caminho, ter um caso com o guitarrista. Mas nada disso vem ao caso, só o que importa é: quando a vida está impossível, Quase famosos me salva.

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Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vs. the world)

Um monte de anos atrás, um amigo meu me disse que estava lendo uma série de quadrinhos que era a minha cara, e que eu precisava ler já. Como não tinha sido lançado no Brasil, ele me passou os arquivos digitais. Eu li. Eu viciei. Eu acabei os cinco primeiros volumes antes dele, e fiquei ansiosa aguardando o sexto e último. Saiu, devorei, amei. Logo depois, veio o filme.

Eu poderia ser a chata que diz que os quadrinhos são melhores (e são, em muitos aspectos), mas o filme é tão bom, gente. É cheio de referências estéticas e temáticas de quadrinhos e videogame, tem personagens maravilhosas (sei que o mundo é de fãs da Ramona e da Kim, mas ninguém faz meu coração bater tão rápido quanto a Envy, especialmente cantando “Black sheep”), é engraçado e emocionante e sensível de uns jeitos inesperados, e é o tipo de filme que não te deixa triste nunca.

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Simplesmente amor (Love actually)

Sim, tem coisas problemáticas à beça (todo o plot da Keira Knightley é creepy af, por exemplo). Não, não te deixa feliz o tempo todo. Sim, tem mais de 2h. Mas não consigo passar dezembro sem ceder à tentação de assistir a esse filme de Natal (porque, sim, é um filme de Natal), e deixa meu coração quentinho que nem se eu tivesse tomado um chocolate quente delicioso (que eu não tomo em dezembro porque dezembro é quente à beça, mas deu pra entender, né, gente).

Lançado em 2003 (pausa para uma crise de “omg estou velha”) (ok, voltei), acho que deve ser o primeiro filme nessa onda de várias histórias separadas mas interligadas, tipo aquele de dia dos namorados com o casal Taylor & Taylor (que eu não vi, mas talvez devesse ver). Só que, em vez de ser super Hollywood, é inglês, e tem o Hugh Grant, e comédias românticas inglesas com o Hugh Grant, sabe, são as melhores comédias românticas (aproveito para dizer que Notting Hill deveria estar nessa lista e só não está porque já estou falando de Simplesmente amor, mas, por favor, vejam Notting Hill também).

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X-Men: primeira classe (X-Men: first class)

Outra coisa que eu amo muito mas que provavelmente nunca mencionei aqui no blógue: X-Men. Tive uma fase de fã mais intensa, mas os X-Men ainda moram no meu coração. E, nesse cantinho do coração, tem um espaço todo especial para o amor trágico de Erik Lehnsherr e Charles Xavier, especialmente se eles forem o Michael Fassbender e o James McAvoy nos anos 1960. Então, surprising no one, eu vi esse filme na estreia no cinema. E aí vi de novo mais quatro vezes antes de sair de cartaz. E aí fiz meu pai trazer o DVD dos EUA quando saiu lá porque queria ver de novo mais um monte de vezes.

É um filme que me faz ficar meio triste e chorar (sim, eu choro com filmes de super-herói, e com quadrinhos, então, nem se fala), mas tem uma vibe tão sensacional, tanta ação maneira, tantos mutantes, tantas crises existenciais misturadas a crises históricas, tanta amizade/amor trágico, que eu só de escrever aqui estou com vontade de ver de novo.

Tenho mais uns filmes pra recomendar, mas eles ficam pra outro post. Quais são os filmes favoritos de vocês pra esses momentos?