Chamberofsecrets

“Qual é a função de um patinho de borracha?”: Harry Potter e a Câmara Secreta

Em abril, eu e o Paulo começamos a (re)ler Harry Potter. Eu fui viciada a vida inteira, já tinha lido e relido um monte de vezes. Ele só tinha ido até o começo do quinto, e largado por aí. Fizemos um post comentando o primeiro livro na época, mas, como fomos lendo um pouco descompassados até o quarto (porque estávamos dividindo os mesmos exemplares) e, depois (cada um com seu exemplar), não queríamos nem parar pra comentar de tanto que queríamos ler, acabamos enrolando e o post comentando o segundo livro só saiu agora.

Como já relemos tudo, comentamos bastante sobre os outros livros no meio do caminho também, mesmo que o foco seja o segundo. Mas não se preocupem: vamos fazer um post por livro, como prometido, nos aprofundando nas questões que vêm mais à frente. O título é uma citação do Arhtur Weasley que sempre me faz morrer de rir, e que tem a ver com o estranhamento bruxos-trouxas sobre o qual vamos falar um monte no post.

O LIVRO

Segundo livro da série, em que Harry tem que lutar contra um mal misterioso em Hogwarts – um ser que anda por aí petrificando alunos. Lemos a primeira edição brasileira, também de 2000. Mais especificamente, o exemplar que eu peguei na caixa assim que chegou na livraria, antes de estar à venda, porque eu era uma criança ansiosa.

Um mistério enorme no texto nos incomodou e vou recorrer aos universitários (vocês) para ajuda: o Harry e o Rony dizem, mais pro final, que Aragogue disse para eles que a menina que foi morta pelo basilisco morreu no banheiro – MAS ARAGOGUE NÃO DIZ NADA DISSO. Simplesmente não acontece isso na cena, e não tem espaço pra ter tido uma conversa fora da cena. Quem tiver a edição em inglês, ou outra tradução, quer conferir? Estamos curiosos para saber se foi um erro editorial ou se a J.K. realmente deixou passar.

A CONVERSA

Sobre a conexão entre os livros

P: Como você sabe, eu já tinha lido até o começo do quinto, mas essa foi a primeira vez em que eu zerei o livro. Como a gente tá falando do 2, e o 2 foi o que mais teve impacto pra mim, porque foi o primeiro que eu li, foi o livro que me fez pensar “Harry Potter, maneiro, vou ler e deixar de preconceito”. Uma coisa que eu acho muito louvável é como tudo isso reflete no fim – o 2 tem um impacto no 7, o 3 tem um impacto no 7; o sétimo é um magnum opus que só existe porque existe o primeiro, o segundo, o terceiro, e tudo isso só existe porque a JK teve um trabalho bizarro de fazer uma metodologia de que no quarto ia acontecer isso, no sétimo aquilo, e é um trabalho louvável ela ter pensado em cada detalhe – claro que uma coisa ou outra deve ter fugido, mas todos se comunicam. E eu nunca tinha reparado isso porque nunca tinha terminado a série, e vejo de maneiro muito mais clara hoje.

S: É, eu sinto que os quatro primeiros são menos conectados uns com os outros do que os quatro são com os últimos. Os quatro primeiros são livros mais independentes, e do quinto pro sétimo todos são muito relacionados entre si e com os primeiros.

P: Mas é que o final do quarto é o que dá o tom pros outros três, né, com a volta do Voldemort.

S: É, no fim das contas o primeiro é quase mais conectado com os últimos do que com o segundo. Os quatro têm histórias mais autocontidas, mas é tudo retomado no final, então quando eu penso no primeiro da ótica do último eu vejo de forma diferente, enquanto pensar no primeiro da ótica de até o quarto livro, não muda tanto minha perspectiva. O último mesmo nos elementos menores, sei lá, fala das coisas – o último fala da pedra filosofal, fala do basilisco…

P: Fala do diário.

S: Os elementos que parecem mais autocontidos nos primeiros são trazidos de volta no final.

P: É, acho que é uma maneira de fechar a história. E o segundo se comunica ainda mais do que o primeiro, o terceiro e o quarto, porque, por exemplo, no último o Rony abre a câmara secreta. Que, vamos combinar, é um caô tremendo.

S: E porque o segundo tem um horcrux, né?

P: Que é o diário. Que é o primeiro horcrux que eles matam.

Sobre o Dumbledore ser um manipulador horrível

S: E eles nem sabem. Porque o Dumbledore, que é um imbecil, só conta isso tudo pro Harry longo antes de morrer.

P: Mas ele sabia?

S: Ele dá a entender que estava procurando os horcruxes desde que o Voldemort é Voldemort. Que ele está suspeitando, pelo menos.

P: Mas ele sabia que o diário da Gina era um horcrux?

S: Não, mas depois que ele soube do diário, de como ele foi destruído, de como o diário “morreu”, ele deve ter entendido, né? Ele não é burro.

P: É, se a gente entendeu, o Dumbledore, do alto da sua sabedoria, entendeu.

S: E ele sabia que existem horcruxes e que o Voldemort estava interessado neles. Pelo menos esse mínimo de informação ele já tinha.

P: Eu lembro bem do trecho da memória do Slughorn explicando pro Voldemort o que é o horcrux…

S: Eu tenho a sensação de que o tema mais recorrente nas nossas recaps vai ser: Dumbledore, aquele imbecil. Desculpa, essa é minha opinião sobre tanta coisa em Harry Potter. Acho ele um ótimo personagem, acho que o último livro dá uma profundidade pra ele como personagem –

P: Dá humanidade pra ele.

S: É, que até então não era assim.

P: Quando você para pra pensar até então, ele tem aquela coisa do Foucault que é a visão do alto pra baixo – tipo, num tribunal o juiz está em cima e o réu está em baixo. Eu vejo muito isso até porque a sala do Dumbledore é no alto, por exemplo. Ele está sempre muito acima dos alunos, não só por causa da função de diretor. Nos primeiros livros eu vejo com muita clareza esse posicionamento do Dumbledore de deslocamento, de estar acima. Por mais carinhoso e amoroso que ele seja, ele está fora, ele está em outro nível.

S: E tem uma coisa quase Deus, né? É omnisciente, omnipresente…

P: É, aquilo é o Olimpo. Então eu vejo esse distanciamento dele com muita clareza, mas ao mesmo tempo não é só isso, porque foi o Dumbledore que pegou o Harry, que levou pra casa dos Dursley, etc. Mas fora isso eu vejo ele exercendo uma função administrativa e distante muito clara.

S: É, ele mantém essa distância. O que me incomoda muito no Dumbledore é aquilo que a gente já conversou, sobre ele ser um tremendo manipulador. Ele nunca deixa claro pro Harry – ele age como se amasse o Harry, tem um afeto ali, mas como se essa distância fosse mesmo real. E acho que isso sempre deixa o Harry meio perdido, pensando “não posso atrapalhar o Dumbledore com isso” mas, ao mesmo tempo, “por que o Dumbledore não liga?”. E, tipo, se você é um aluno normal e passa pelo que acontece com o Harry, você vai procurar o diretor da sua escola, no papel de diretor da escola! Mas pro Harry, como rola essa confusão do afeto, ele vê o Dumbledore como alguém importante demais para se preocupar com as coisas da vida dele, por mais complicadas que sejam, mas também não consegue deixar de pensar no Dumbledore como alguém que deveria se preocupar com aquilo.

P: Sabe o que eu penso? Que é óbvio que não aconteceria porque, né, é uma série, acaba no sétimo, coisa e tal, mas: e se o Harry falhasse? E aí? Vamos supor que o Harry, o Rony e a Hermione morressem no primeiro, no caminho pra pedra filosofal? Quem responde por isso é o Dumbledore! Ele tem uma fé cega bizarra, e é tipo o que ele fala no sexto – ele meio confia, mas ao mesmo tempo está duvidando.

S: O que eu mais gosto da humanização do Dumbledore mais pro final é que ele próprio reconhece o que está fazendo.

P: Que ele está jogando com o destino.

S: E com a vida dos outros. Ele tem um momento que reconhece que não sabe o que está fazendo, que está jogando com a vida do Harry, mas que não sabe não jogar.

P: É, eu não comprei muito essa redenção, porque ele podia muito bem ter ajudado eles.

S: Claro! Eu não acho que isso é um jeito de desculpar – acho que ele é um imbecil manipulador. Não é uma redenção, só coloca ele como humano. Eu já tinha lido antes então não é a mesma coisa, mas é um ponto mais pro sexto e pro sétimo que coloca o leitor como capaz de ver o Dumbledore dessa forma, e ele próprio admite sua falha.

P: Sim, ele sai dessa posição de Deus.

S: Acho que mostra ainda mais que ele de fato errou.

P: Por que ele é tão teimoso em deixar o Harry sozinho?

S: Minha teoria ainda é aquela que eu já falei várias vezes: acho que é fé, pura e simples. Acho que ele acredita, no fundo do coração dele, que o Harry é o “chosen one”. Eu realmente acho. Não fica claro, é tudo uma questão de interpretação, mas eu leio bem claramente assim. No sétimo, a relação dele com o Gryndewald, por exemplo – você vê que ele é um cara que se apega com muita fé aos ideais dele. Ele idealiza aquilo e acredita no fundo do coração dele, ele fica muito cego pela fé. E eu acho que é o mesmo que ele tem com o Harry.

P: Você pode comprovar no segundo essa tese de que o Dumbledore é idealista nesse jeito tão forte, tão cego. Para ele está escrito ali nos mandamentos – na profecia, no caso – que o Harry é o escolhido, então ele acredita nisso, que o Harry é essa pessoa e que por isso ele vai deixar o Harry sem ajuda enfrentar as coisas.

S: Eu vejo o Dumbledore como um cara que gosta de dizer que é racional e mais inteligente que todos, mas que está sendo direcionado por uma fé.

P: Ele transmite uma imagem do homem da razão – sempre me lembra de uma vibe Nabuchodonosor –, essa imagem do homem justo, do homem ponderado.

Razão, fé e magia

S: Sinto que ele passa essa imagem, mas que esse conflito razão x fé é uma questão que permeia Harry Potter um pouco simplesmente pelo fato da questão da magia.

P: Porque tem um elemento do sobrenatural que desafia a racionalidade.

S: E que é sempre discutido meio nesses termos da fé. Existem abordagens diferentes à magia dentro de Harry Potter – existe o approach Hermione, de quem estuda e aprende e vê a magia como algo lógico a ser dominado, mas existe o approach Harry de quem muitas vezes não sabe o que está fazendo mas se salva porque foi “destinado”, porque tem uma magia ancestral, porque tem a magia da morte da mãe dele, que é um tipo de magia muito menos “compreensível”, muito mais profundo. Rola essa dualidade constante.

P: Pra mim isso sempre foi muito claro. A galera criou todo um mundo em torno de magia mas é uma construção de castelo de areia – eles não dominam realmente aquilo ali.

S: E acho que isso se reflete um pouco nessa imagem do Dumbledore, de alguém que é racional mas que no fundo está sendo guiado por uma fé cega. O mundo mágico é quase teocrático, é organizado em cima quase da religião, de certa forma.

P: Só que eu consigo entender essa posição idealista do Dumbledore quando ele descobre a profecia, mas ele aparentemente é assim desde sempre…

S: Só não com os mesmos ideais. Acho que ele tem sempre essa tendência – uma tendência à fé, ou à obsessão. Pré-profecia, o que atraía isso dele era a questão dos Hallows, do Grindewald, essa coisa toda.

P: Mas foi só nesse período, né? Porque depois não se fala mais nada.

S: Não se fala mais nada, mas dá pra ver bem nessa época da vida dele.

P: Mas ele era só um moleque de 18 anos, que é uma época de cristalização dessas coisas.

S: É, mas eu aos 18 anos era mais ateia do que sou agora. Então é uma tendência dele, ele é essa pessoa – eu aos 18 anos não largaria minha família para morrer por um ideal, e ele fez. É da personalidade dele, essa tendência a se agarrar à fé, ao ideal que é maior do que ele. E quando rola a profecia, é algo para ele se agarrar.

Sobre a casa de Hogwarts do Dumbledore [segundo a internet, é mesmo Grifinória, mas a gente não lembrava]

P: Você acha que quando ele foi para Hogwarts estudar ele era da Grifinória?

S: Eu acho que ele poderia ser da Corvinal, o Dumbledore. Porque ele tem esse ar de ser racional – não é, mas sei lá. Talvez. Eu adoraria que ele fosse da Sonserina. Na verdade, honestamente, acho que ele é mais Sonserina do que qualquer outra coisa. Ele tem uma questão de ambição, de certa forma, que não é uma ambição profissional, mas que tá lá.

P: Tipo isso dele não largar do osso.

S: E ele fica fazendo uma pose de “nunca quis poder, por isso nunca fui ministro”, mas ele quer poder sobre essas crianças, ele quer poder sobre Hogwarts. Tanto que quando ele sai tem toda a coisa de a escola ser ainda leal ao Dumbledore… Ele é essa figura de liderança.

P: Eu discordo um pouco. Acho que ele tem uma ambição, mas porque ele tem uma fé cega e não larga daquilo. Entendo o que você quer dizer – ele não tem a ambição de, sei lá, destruir o mundo ou ser o melhor mago, é mais uma coisa de perseguir o que ele quer perseguir até o fim.

S: O que é uma característica Grifinória também. Porque Grifinória e Sonserina são casas muito parecidas, as duas têm muito de ambição e liderança, e por isso eu acho que são as casas mais rivais. Mas a Grifinória tem uma certa coisa mais emocional da parada – uma coragem no sentido de se jogar na maior –, e a Sonserina é mais calculada. E eu acho que o Dumbledore é mais Sonserina.

P: Ele é mais um estrategista, ele calcula muito.

S: Ele não é uma pessoa que se joga na batalha.

P: Só se ele sabe que vai ganhar.

S: O que eu acho bem mais Sonserina do que Grifinória. Então não sei qual foi a casa dele, mas adoraria que fosse da Sonserina – do jeito que é, não do jeito maniqueísta que  J.K. faz pra todo mundo de lá ser do mal.

Sobre tecnologia

S: Eles ouvem rádio na casa do Rony, mas eles nem sabem o que é um telefone!! Eu sou burra com essas coisas, mas telefones e rádios não são coisas meio semelhantes? Por que eles não sabem o que é um telefone mas usam rádios? Como foi construída essa noção tecnológica dos bruxos?

P: Sabe o que é engraçado? O total desinteresse dos bruxos na vida dos trouxas.

S: Eu acho que mesmo entre os bruxos que curtem trouxas, isso ainda é um preconceito tremendo e enraizado a ponto de eles não repararem. Mesmo o pai do Rony, por exemplo, acha que ele é mais competente do que os trouxas.

P: Pois é, cai de novo nesse poder da magia.

S: Que é quase religioso, inexplicável e tudo. Mas mesmo entre os bruxos mais pró-trouxa, o discurso é de que os trouxas são piores do que os bruxos – merecem direitos iguais! mas são piores. E acho que essa coisa tecnológica tem um pouco disso também, tipo “não quero saber porque eles são incompetentes”.

P: Acho que também rola uma desculpa construída de que “ah, tão complicado entender esses trouxas, nem vamos nos esforçar”, que entra nisso da tecnologia.

S: Eles não têm um real desejo de entender. Acho que culturalmente, mesmo numa política não anti trouxa, isso não é incentivado.

P: Mas é mesmo engraçado porque, sei lá, a Molly usa fogão, usa frigideira, como os trouxas usam.

S: Acho que o ponto que eles draw the line é mais “tecnológico”, tipo carros e telefones.

P: Em compensação, eles usam trens!

S: Sim! Qual foi a época do desenvolvimento que estagnou? Quando separou trouxas-bruxos desse jeito? Eles usam tecnologia que pra gente é antiquada, mas que eles usam (trem, rádio, etc.), mas que estagnou nesse ponto. Isso deve ter sido um ponto na história bruxa-trouxa em que a separação aumentou. Faz sentido os bruxos acompanharem algum nível de desenvolvimento trouxa, mas isso deve marcar algum ponto histórico em que esse cisma se intensificou.

P: Tipo, por que não ir de helicóptero em vez de vassouras?

S: Eles usam trem, o que eu usaria igual pra uma viagem como pra Hogwarts, mas por que trem e não carros? Por que rádios e não telefones?

P: Quando se passa Harry Potter? É fim dos 90?

S: Acho que é mais pra fim dos anos 80. [Nota: é começo dos 90, mais uma vez eu só não lembrava]

Sobre religião

S: Eles sabem o que é Papai Noel, eles comemoram Natal, eles comemoram Páscoa! Por que raios bruxos comemoram feriados cristãos???

P: Acho que é uma manutenção de costume pras crianças que voltam para ambientes com interação com o mundo trouxa.

S: Mas vários deles não nasceram no mundo trouxa! Hogwarts não é feita para os alunos do mundo trouxa. Não faria sentido ter Natal pra manter costume mas não ensinar pra ninguém o que é um telefone. Mas eu acho que se a gente pensa nessa mesma lógica do cisma tecnológico, os bruxos realmente só adaptaram costumes trouxas, como feriados.

P: Imagina Hogwarts no mundo muçulmano. Tipo, uma escola bruxa em país de maioria muçulmana respeita as rezas muçulmanas, por exemplo?

S: Como é a religião dos bruxos? Você acha que existem mesmo bruxos cristãos?

P: Cristãos queimavam bruxos, né?

S: Consigo entender por que não seriam por essa história de “eles matavam a gente”, mas realmente na vida real existe gente que é oprimida pela própria religião e mesmo assim acredita, então quem sou eu pra avaliar isso. Eu tendo a achar que bruxos não acreditariam nos “mitos” na Bíblia, mas talvez acreditassem!

P: Jesus trocar água por vinho é só um feitiço de transfiguração. Algumas coisas fazem sentido pros bruxos.

S: Por que eles acreditariam que Jesus, que fez o que os bruxos são capazes de fazer, é filho de Deus?

P: Porque foi Deus que criou a magia.

S: E Jesus era tipo o primeiro bruxo?

P: Exatamente.

S: Putz, isso é mó superioridade bruxa em relação aos trouxas! Eles usam a religião pra reforçar e justificar a superioridade!

P: Não é nem que Jesus é o primeiro bruxo, porque tem também o Velho Testamento. Maomé abriu o Mar Vermelho, por exemplo, então Maomé teria um nível de magia absurdo.

S: Eu acho que os bruxos podem acreditar em religiões institucionalizadas como as que acreditam no mundo trouxa, mas interpretando de formas diferentes – os milagres eles veem como magia. Gostei disso. Interessante.

P: A gente não consegue replicar esses fenômenos então a gente os identifica como milagres – mas os bruxos podem acreditar nisso porque bruxos podem fazer feitiços de complexidade semelhante aos supostos “milagres”. Maomé abre o mar vermelho, mas Voldemort divide a alma em sete horcruxes.

S: Pros bruxos, a interpretação da Bíblia não seria uma identificação com os mortais, mas com Deus, com os santos, com os profetas… Bruxos teriam uma relação com religiões atuais (por “atuais” digo cristianismo, hahaha) mais parecida com a relação da Grécia antiga com o paganismo helênico, em que os deuses são deuses mas atingíveis, em que existem semideuses, em que existem heróis – talvez os bruxos tenham uma relação parecida com essa com a religião cristã.

P: Eles têm uma relação mais literal, talvez, essa coisa de de fato os “mitos” serem reais e essas coisas serem explicáveis.

S: Enquanto a interpretação da religião atualmente é mais metafórica que isso um pouco.

P: É interessante pensar que na história antiga, mas no mundo bruxo, a magia era o que unia as religiões, era o que fazia o elo entre o real e o sobrenatural.

S: A magia como um sobrenatural acessível.

P: E talvez a magia seja o presente dos deuses aos humanos.

S: Tipo o fogo.

P: Um novo estágio da civilização.

S: E isso de novo pode ser usado pelos bruxos pra definir a superioridade bruxa. Eles podem usar a religião pra justificar a superioridade, como se bruxos fossem mais próximos aos deuses, um estágio avançado da humanidade.

P: Mas aí como eles explicariam terem sido perseguidos pelos trouxas tanto tempo? Por que Joana D’Arc foi queimada?

S: Acho que porque eles são minoria demográfica mesmo. E, sei lá, tem gente que diz que a Joana D’Arc não morreu quando queimada – então quem sabe, no mundo bruxo, de fato não tenha morrido. A interpretação da história no mundo bruxo pode ser só diferente da nossa.

P: O que eu acho mais incrível é a ideia de que de fato há uma segunda história – bruxa – que se contrapõe à dos trouxas.

S: Que se complementa, que é equivalente à nossa mas com visões diferentes sobre os acontecimentos.

P: Voltando pra isso da Bíblia, imagina que Jesus mudou água pra vinho e aí um trouxa viu e ficou chocado e aí virou um milagre, mas que pros bruxos ali era normal e tranquilo. E talvez os bruxos fiquem putos até hoje porque Jesus foi bode expiatório da galera e foi crucificado.

S: Religião nunca é mencionada em nenhum sentido em Harry Potter, né. Eles comemoram Páscoa e Natal, mas a religião em si é uma non-issue, mas provavelmente existe. Interessante demais.

Sobre política internacional

S: Eles fazem câmbio dinheiro trouxa-dinheiro bruxo, mas como eles fazem? É uma definição entre o Ministério da Magia e o governo britânico?

P: Fico pensando: quantas pessoas trouxas de fato (não tipo parentes de bruxos, mas trouxas em vidas trouxas), tipo, especialmente quantas pessoas do governo, sabem da existência dos bruxos e da organização dos bruxos como sociedade?

S: Eu acho que o primeiro ministro é o único que sabe, na Inglaterra. Imagino que os chefes de estado em geral saibam e que seja diferente em cada país dependendo do sistema de governo.

P: Tem uma parada que a Inglaterra tem três submarinos atômicos que ficam circulando. O comandante de cada submarino tem em seu poder uma carta do primeiro ministro do que fazer quando acontecer um ataque nuclear na Inglaterra –

S: The ministry has fallen, the minister is dead

P: – e o referencial deles é a BBC ficar fora do ar por mais de 10 minutos. Quando isso acontecer, o comandante tem uma carta dizendo o que fazer nesse caso. Aí fiquei imaginando o comandante nessa situação, abrindo essa carta e a informação sendo “ok, você tem que falar com o Ministério da Magia, porque existem bruxos e eles podem ajudar”. Se acontecer um ataque nuclear na Inglaterra, tudo dos bruxos vai ser destruído?

S: Sim, sim. Mesmo as ruas escondidas dos bruxos existem geograficamente, só são magicamente escondidas para trouxas.

P: Será que se o Voldemort detivesse armas, ele poderia destruir Hogwarts?

S: Ah, acho que sim. O Voldemort só não faria isso porque ele despreza tudo que não é mágico.

P: Mas se fosse um vilão diferente, não tão tradicionalista.

S: É, não acho que os bruxos são imunes a armas. Acho que poder de fogo tem poder sobre eles. Não é um perigo com o qual eles contam, as proteções deles e dos lugares são contra outros tipos de perigo.

P: Será que os bruxos ficaram preocupados com a questão das armas nucleares na década de 80?

S: Acho que não, porque eles ignoram essas coisas. Acho que a downfall dos bruxos é essa, e eles seriam destruídos.

P: Você acha que os bruxos se preocupam mais com o Ministério da Magia atual do que com a política nacional ou mundial não-bruxa?

S: 100%.

P: Você acha que existe algum movimento de awareness dos bruxos com questões políticas trouxas, porque também afetam eles e tal?

S: Acho que deve ser um movimento muito marginal.

P: Eles falam que existe bruxaria pelo mundo, tipo, no Haiti, etc. Mas, tipo assim, vamos supor que existe uma crise humanitária num país – os bruxos são tão impactados quanto os trouxas. Como a comunidade bruxa reage a isso?

S: A gente já teve meio essa conversa, né? É sempre meio confuso como é a conexão internacional bruxa. Existe uma relação diplomática, mas não parece existir uma relação de aliança política ou militar, por exemplo.

P: Tipo, aconteceu um tsunami? O que acontece? O Profeta Diário anuncia? Eles pelo menos se organizam no sentido de fazer doações, voluntariado, essas coisas?

S: Acho que talvez aconteça.

P: Porque a gente aí tá lidando com algo que não é nem mágico nem trouxa, é natureza, e é concreta.

S: Tipo, tá fazendo 10 anos do Katrina. Nova Orleans com certeza teria uma mega população bruxa, né, considerando a história do lugar e tal. Deve ter sido uma perda na comunidade bruxa.

P: O poder de mobilidade deles é bem mais rápido, né, eles devem ter se salvado bastante.

S: Mas num quesito material mesmo, o quanto de conhecimento e história bruxa se perdeu? Tipo, a escola de magia de Nova Orleans. Tipo, Hogwarts não é imune à destruição física, então deveria ser parecido. A proteção é mágica, não tanto física.

Sobre economia

S: O dinheiro dos bruxos é ouro, né.

P: Mas ouro é uma matéria finita, como eles vão lidar com isso?

S: Eles são poucos, os bruxos, talvez eles não tenham parado pra pensar nisso ainda. Mas talvez eles tenham que em algum momento mudar o sistema monetário. Tipo, é uma mudança historicamente recente pra gente a mudança de padrão monetário.

P: Será que existem tipos correntes econômicas bruxas? Tipo, economistas marxistas bruxos.

S: Espero que sim! Mas relações de consumo no mundo bruxo são diferentes, né? Porque tem coisas transformáveis, conjuráveis… A relação deles com a materialidade dos objetos é diferente da nossa.

P: Não dá pra pensar em exportação e importação de matéria-prima, por exemplo se você pode conjurar.

S: Mas tem coisas que não podem ser conjuradas, né. Tipo comida. Acho que ouro provavelmente também.

P: Será que não dá mesmo ou será que tem algum feitiço super poderoso que contém?

S: Talvez você não poder seja “inventado”.

P: Só discurso?

S: Acho que não só discurso, mas talvez seja uma proibição mágica do ministério, sei lá, um feitiço colocado nas varinhas. E ouro é monopólio dos duendes, né? Eles devem ter um tipo de magia que trabalha ouro, talvez eles sejam capazes de conjurar ouro.

P: Mas se acabar a relação com os duendes…

S: Pois é, mas tem um equilíbrio delicado na relação duendes-bruxos, né? A gente vê isso nos livros, existiram guerras entre eles. É uma relação de dependência estranha e delicada.

Sobre bruxos e trouxas

S: Como eu já falei, fico sempre muito interessada por essa coisa de como os bruxos, mesmo os nascidos trouxas, mesmo os que amam trouxas, como o Arthur, ainda acham que os trouxas são inferiores. Isso é muito claro no discurso deles o tempo inteiro pra mim. E no final do segundo livro, quando o Harry e o Tom Riddle estão conversando, eles mencionam trouxas e bruxos nascidos trouxas (tipo a Hermione) como se fossem a mesma coisa. Eu não lembro o contexto, mas eu fico pensando nessa relação; é uma das coisas que mais pega pra mim no livro, essa relação entre bruxos e trouxas. Sei que é meio o tema desse livro, e um tema bem recorrente na série, mas vejo isso tão no discurso da galera, mesmo da galera supostamente sem preconceito com trouxas.

P: Para mim parece também uma coisa meio “cuidado com os trouxas, eles não sabem de nada”.

S: Os trouxas ou são vistos como perigosos que não entendem os bruxos e odeiam os bruxos, e são violentos selvagens, ou são vistos como coitados adoráveis inocentes e burros. E quando falam da Hermione é tipo “ela nasceu trouxa e mesmo assim ela é uma ótima bruxa!”.

P: E é foda porque nem todo mundo é igual à Hermione. Só o que ela faz pra compensar a desigualdade, a falta do privilégio bruxo, já é muita coisa. Agora imagina os outros nascidos trouxas que não são a Hermione, como eles são vistos!

S: É como se ela precisasse compensar, é como se ela precisasse trabalhar muito mais pra ser considerada igual aos bruxos nascidos bruxos, ela precisa ser muito melhor do que os outros pra ser reconhecida como igual.

Sobre a Câmara Secreta e o basilisco

P: Sempre me deu muito nervoso e sempre achei muito caô o final, a Fawkes aparecer. Se ela aparece, o Dumbledore sabia que a câmara tinha sido aberta. E se ele sabia enviar a Fawkes, ele também sabia a localização.

S: Talvez a Fawkes saiba num instinto de animal mágico e ele não saiba?

P: Como ela pressentiria isso?

S: Ah, acho que o Dumbledore mandou, mas não necessariamente sabe onde é? Ou sabe, mas não sabe entrar? Já que ninguém consegue entrar na câmara, só o Harry, e aí depois o Rony, que aprende.

P: Mas peraí, tem lá a serpente no cano e tudo. Não tem um único ofidioglota que saiba…?

S: Não, aparentemente é raro demais. O Salazar era, o Voldemort é, o Harry é, e é meio isso. E o Harry é meio porque o Voldemort “passou” isso pra ele, né, é aquele laço que faz um ver a mente do outro, e tal. Porque ser ofidioglota é da linhagem do Voldemort, que é a do Salazar. E antes do Voldemort nascer, como mostra nos últimos livros, provavelmente essa linhagem não frequenta Hogwarts há gerações, é uma família que claramente não passou por educação, então ninguém tinha tido acesso à câmara mesmo.

P: Mas, assim, se a câmara tá fechada faz tantos anos… como o basilisco tá vivo? Eu lembro de ter menção aos ossos de ratos e tal na câmara, mas como é isso? Por sinal, qual é o tamanho do basilisco, exatamente?

S: Não sei. Gigante. No filme é grotesco.

Harry_kills_Basilisk

P: Mas como ele se desloca pelo cano e tal?

S: Eu no livro interpreto como ele sendo gigante, mas uma cobra gigante quase realista, não estilo no filme. E acho que ele deve ficar meio hibernando até a câmara ser aberta.

P: Deve ser uma solidão absurda, imagina!

S: Eu não acho que ele liga.

P: O que eu imaginava do basilisco era totalmente diferente, olha só:

arbok

S: Hahahahahah. Na verdade, eu tenho muito nervoso desse livro, o basilisco me assusta à beça. Não digo que esse livro é o mais assustador porque depois as coisas ficam mesmo mais #TENSAS, com guerras e mortes e tal, mas esse é muito cheio de ação assustadora.

P: Entre os quatro primeiros, eu diria que, de mais ação pra menos, seria 4, 2, 3, 1.

S: Eu quase colocaria o 3 como o com menos ação.

P: Mas tem dementadores! E de ação no primeiro é só a parte final mesmo. E o terceiro tem a fuga e tal.

S: É, é. Ok, concordo com a tua ordem.

Sobre a Hermione

P: No primeiro eles vão quebrando várias regras, né? Mas no segundo parece que já tá quase no código, na genética deles, quebrar todas as leis. A Hermione até tenta dar uma controlada, mas mesmo assim, sabe, ela que faz a poção polissuco.

S: A poção é uma das paradas mais marcantes pra mim no livro, até porque se torna um conhecimento relevante mesmo mais pra frente.

P: É muito irado. E a Hermione fazendo isso no segundo ano é muito sinistra!

S: E mostra que ela é mesmo muito boa, mesmo.

P: Ela não é só uma aluna aplicada.

S: É, ela é competente af.

Sobre os Weasley

P: Eu penso muito na família do Rony. Porque quem cai nessa treta toda é a Gina. Que é super nova, a última da família.

S: A única menina. Que, como você vê mais pra frente, super tem também que se esforçar pra compensar ser a menina e a mais nova – tipo como ela aprendeu a super jogar Quadribol e ninguém dava bola.

P: O Rony é um irmão meio babaca, né. Ele ignora ela.

S: Acho que é porque ele já é quase o último da família, né? Acho que a Gina é a única sobre a qual ele pode fazer o que os irmãos mais velhos fazem com ele, um pouco, uma certa dose de fazer uma pose de “ai, que chato, minha irmã maneira cramping my style”. Apesar de que o Fred e o Jorge, apesar de zoarem todo mundo, eles têm uma relação mais forte de afeto com o Rony, né?

Sobre berradores

P: Sabe o que eu acho maneiro que aparece no segundo? Os berradores.

S: Eu acho mais impressionante ainda lá pros últimos livros que o Ministério recebe vários berradores. Num nível básico, um berrador te dando uma bronca já é péssimo. Mas imagina reclamações institucionais!

P: Imagina mandar berrador pra Light, pra Vivo, hahaha.

S: Fazem isso pro Ministério em Harry Potter, né, já que é tudo num órgão só.

P: Eles podem aprender um jeito de calar o berrador, né?

S: Pelo que dizem no livro não descobriram ainda. Mas eu nunca mandaria um berrador, parece muito mal educado, é tipo escrever um email xingando em caps lock.

Sobre o diário

P: Eu acho o diário como o objeto que conecta ao Voldemort, tudo que o diário traz e tudo que o diário faz, um caminho muito bom e muito bem explorado.

S: E acho maravilhoso que o primeiro horcrux que a gente conhece – mesmo sem saber que é um – seja o diário, algo tão pessoal.

P: Porque o diário, bem ou mal, é parte de você, né?

S: Sim, mesmo pra quem não é um bruxo fazendo um horcrux. Você bota sua alma no diário.

P: E tem algo de muito voyeur em ler o diário de alguém, em encontrar um diário de outra pessoa.

S: E nesse caso ele ainda por cima conversa com você! Ele é o diário dos sonhos das garotas adolescentes, pro qual você pode pedir conselhos.

P: Se rolasse comigo eu fatalmente seria a pessoa a abrir a câmara.

S: Eu também!

P: Imagina meu eu de 11 anos falando com o diário! “Paulo, sabia que você pode mandar bem na vida?” “Ah é, diário, minha vida não é só jogar FIFA 2001?” “Não, você pode até ter namoradas!” Eu caía na hora. Você super se abre pro diário. Esse diário do Tom Riddle parece tipo coroa fingindo ser garota adolescente em chat da UOL.

S: Sim, o diário é tipo um catfish.

Sobre Gilderoy Lockhart

S: Vamos falar dos professores de Defesa Contra a Arte das Trevas. Vamos lá: o que dizer sobre Gilderoy Lockhart?

P: Eu sempre imagino ele um pouco como o Barney, de HIMYM. E eu sempre acho ele hilário, especialmente perdendo a memória.

S: Só que fica tenso quando você vê ele sem memória em St. Mungus no sexto livro. Mas enfim, ele é um personagem cômico no segundo, é pra ser, mas ele traz umas questões tensas. Tipo, ele se passa pelo gênio quando não é, ele é um mega charlatão de um jeito muito pesado. Ele rouba vozes das pessoas que não têm voz política ou pública ou midiática, rouba as histórias delas e ainda apaga as memórias!

P: Ele é um usurpador.

S: Sim, e de um jeito violento, né. Ele não só, sei lá, suborna a galera, ele de fato apaga a memória. É uma violência fortissima.

P: Ele é tipo um psicopata. Ainda sobre o Lockhart, eu sempre fico muito intrigado com essa coisa do posto de professor de DCAT. Até que ponto a escolha do Lockhart foi do Dumbledore, ou até que ponto foi o conselho da escola, ou pressão dos pais.

S: Verdade, acho que o Dumbledore não gosta tanto do Lockhart.

P: E a escolha é do Dumbledore.

S: E a gente viu nesse livro que tem um conselho – o Lucius Malfoy tá nele –, talvez tenha essa pressão.

P: E como é tão difícil achar professor? Tem seis professores ao longo dos livros. Parece plausível só ter esses seis professores querendo o cargo? Sendo que um é o Snape?

S: Tem meio a história de que é amaldiçoado, ninguém deve querer.

P: Por que não chamam um auror?

S: Provavelmente eles não querem dar aula. Acho que não devem encontrar gente boa e que quer o cargo.

P: Eu acho que é uma ineficiência em achar mais pessoas. Cadê o RH de Hogwarts?

S: Ah, sim, acho que eles só devem procurar entre conhecidos e amigos dos professores.

P: E só na Inglaterra. Será que eles procuram professores convidados em outros cantos do mundo? Eles podiam ter um conselho internacional de escolas, fazer umas trocas acadêmicas.

S: Eu acho que talvez o Dumbledore já tenha tentando chamar o Lupin no segundo ano e o conselho tenha barrado. Sei lá. Não tem motivação específica pra ser no terceiro (além da história do Sirius, mas por que ele chamaria por isso?). O Dumbledore de fato tem algum senso de proteção pelo Lupin, né, que ele insistiu pra deixar no colégio mesmo sendo lobisomem, essas coisas. Imagino que ele tenha de fato mencionado nas reuniões da escola tipo “conheço esse cara, ele é bom em DCAT, que tal chamar?” e todo mundo ter sido contra porque ele é um lobisomem.

Sobre o Hagrid

P: Nesse livro. O Hagrid. Sério. O Hagrid.

S: Ai, eu amo o Hagrid, mas como ele faz coisa horrível.

P: Não tô nem aí. Não dá. Não aguento.

S: Mas coitado! Ele é tão bem intencionado!

P: Por que ele não conta pras pessoas? Tipo “eu tô guardando uma aranha enorme num armário”.

S: Porque ele sabe que tá meio errado e que não vão entender ele!

P: É tão ruim quanto o Dumbledore!

S: Nãaaao, ele não é manipulador que nem o Dumbledore. Ele é ingênuo e terrivelmente irresponsável, mas ele não é manipulador.

P: Não vou dizer que torço por ele ser expulso, mas, sabe, não dá.

S: Mas mesmo o Harry, o Rony e a Hermione concordam que ele é um amorzinho mas, meu deus, não dá.

P: Essa política do Dumbledore de só empregar os amigos dele dá nisso, bota o Hagrid pra dar aula.

S: É, e fica tipo “eu confio no Hagrid!”. E, cara, pode confiar no Hagrid, mas não devia botar ele com um monte de animais perigosos com um monte de crianças! Coisas diferentes! Tipo, você confia em mim, mas você não vai me deixar dar aulas de tiro para adolescentes, por exemplo.

Bem, é isso que temos para falar sobre Harry Potter e a Câmara Secreta, com um milhão de digressões, como sempre. Nos ajudem a responder as perguntas! Espero que o post de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban não demore tanto para chegar! Como de costume, encorajo sempre muitos comentários.

  • http://revistapolen.com Lorena

    nota mental: planejar uma viagem pro rio de janeiro pra poder ter uma discussãod e harry potter com você na vida real.

    aliás, curti muito o post especialmente a parte do dumbledore. eu sempre tive HP2 como meu livro menos preferido, então não teorizei mutio sobre. menos preferido por razões fofas: eu li com uns 8 anos e morria de medo de diversas passagens, então foi super difícil terminar (ainda bem que terminei, pois HP3 <3), tive pesadelos com cobras andando pelas paredes e tal. então enfim, não penso muito nele tanto quanto os outros.

    mas esse rolê do dumbledore, pensando assim, começa aí né. tipo "olha só que coincidência, o voldemort pode ter feito horcruxes e o harry – convenientemente – encontrou um objeto poderoso que só pode ser destruído com outro objeto poderoso. agora vamos esconder esse faro de todo mundo por anos e manipular as pessoas ao meu gosto"

    aguardando ansiosamente a parte 3 da releitura de vocês porque tenho altos textões sobre dumbledore nesse livro. turns out me ligar que ele era um babaca me fez gostar mais dele como personagem.

  • http://sofiasoter.com Sofia Soter

    Venha debater Harry Potter comigo! A Clara já está combinando participação especial no post sobre HP5, hahahaha.

    Awn, fofa! Eu (como falei) também fico meio aterrorizada com esse livro, hahahaha. Mas HP3 amor da minha vida etc. e tal. Então o próximo vai ser #textão all the way, prepare-se, hahahaha.

    E também gosto mais do Dumbledore como personagem depois de constatar que ele é péssimo, hahahahahahaha.

  • http://revistapolen.com Lorena

    quando você atingir dominação mundial, crie um feriado dedicado a falar de harry potter, ok?

  • http://eagoraisadora.com Isadora Attab

    não sei lidar <3