Recapitulando: Ago. 2015

Só o tempo que eu demorei pra escrever o recap de agosto já dá pra vocês um bom gostinho do que vai ser o caos do recap de setembro, né? Mas, como de costume, tardo mas não falho, então cá estou tentando abstrair os últimos 15 dias e levar minha memória de volta ao já tão distante mês de agosto, meu habitual mês favorito do ano, por uma razão simples: meu aniversário!

Como vocês sabem pelo 1/2 BEDA e pela minha insistência temática, fiz 24 anos dia 7 de agosto. Comemorei com uma rápida viagem à serra com a família, um delicioso jantar com o outro lado da família, e uma festa com meu tema favorito: garotas assassinas. Outro destaque do meu mês de agosto foi o início de um momento fitness, com o Blogilates – terminei o calendário de iniciante ontem, depois de alguns atrasos, e estou animada para começar os calendários de nível normal agora!

Cenas de um aniversário.

Cenas de um aniversário.

E, bom… saiu o livro da Capitolina! Isso é pra ser tema de um post especial, dedicado, com fotos do livro, e emoções, e comentários, e sentimentos aos montes, e humblebrag sem a parte humble, mas não dá pra não mencionar aqui. Os lançamentos ficam pro recap de setembro, mas só ter o livro em mãos no fim de agosto já foi INACREDITÁVEL. Com essa reta final do livro + minha tendência a tomar aniversário como enormes férias, não é de surpreender que eu não tenha escrito muito: saíram três textos meus por aí, um no Modefica sobre diferentes tipos de amor, um na Pólen sobre (como é frequente) fanfic e um escrito com a Clara e a Lorena em horas excruciantes num Google Doc cheio de comentários que deveria ser salvo para a posteridade, para o blog da Cia. das Letras.

Livro!!!!!

Livro!!!!!

FILMES

Falei que eu considero aniversários tipo férias enormes, né? Acabou que isso me levou a ver uma porção de filmes em agosto! Comecei a usar de verdade o Popcorn Time, e vi 100% dos filmes da lista lá, às vezes mais de um em um dia, um retorno a uma certa época da adolescência em que eu via dois filmes por dia, todos os dias.

21 Jump Street
Sabe, tem o Channing Tatum. E meu caso de amor pelo Channing Tatum só faz crescer (inclusive baixei Magic Mike XXL e estou esperando o momento perfeito para rever, porque sinto que se rever num momento qualquer o filme vai perder sua magia), então decidi que tudo bem ver 21 Jump Street! Eu ando bem tolerante com comédia, e o Channing Tatum é ADORÁVEL o filme inteiro, então eu realmente me diverti horrores, e fiquei extremamente confusa com o final, em que tudo virou muito surreal e gore e cheio de mortes e explosões (desculpa pelo spoiler, mas juro que não estraga nada). Mesmo assim: divertido.

22 Jump Street
Tão divertido que, er, fui ver a continuação. Pior do que o primeiro? Talvez? Confesso que quase tudo que eu vi foi o Channing Tatum sendo TÃO ADORÁVEL GENTE COMO ELE É TÃO ADORÁVEL, sendo um total bro mas um bro com um coração de ouro, um bro que se preocupa com os outros, um bro que só quer o melhor para seus amigos e para o mundo. Ok. Parei. Desculpa, galera.

Burying the Ex
Que delícia de comédia de horror! Eu adoro filmes de terror que na verdade são de comédia, mesmo, não tipo Todo mundo em pânico que é uma das piores coisas do mundo, mas filmes que têm uma estrutura que mistura mesmo horror e comédia, em que pessoas morrem de formas horrorosas mas você tem alguma vontade de rir. E se o filme envolve um plot que não faz muito sentido, personagens que são fãs de filmes de terror, e a Ashley Greene como uma zumbi Type-A maravilhosa, bem, não é possível eu não gostar.

The Amazing Spider-Man
Para entender o que eu achei desse filme, vou só explicar uma coisa pra vocês: pensei em ver, mas não lembrava se já tinha visto antes. Assisti o filme inteiro, e continuo sem lembrar se já tinha visto antes. Eu sei, tem o Andrew Garfield, tem a Emma Stone, tem super-heróis, eu não tenho critérios, mas eu talvez tenha visto duas vezes e não consigo nem ter certeza.

The First Time
Cliquei nesse filme porque tem o Stiles de Teen Wolf e porque parecia bobinho e fofo e eu tava na vibe de bobinho e fofo. Bem, eu estava certa. É fofo. E bobinho. Não tem muito plot, é bastante genérico, mas mesmo assim eu sorri nos momentos de sorrir e quis chorar nos momentos de chorar, e é uma comédia romântica adolescente muito eficiente

Before Sunset
Minha insônia voltou com tudo, com ela uma saudade dolorida de Paris, e com ela a vontade de ver Paris se mexendo, mesmo que num filme. O escolhido foi Before Sunset (que bom, porque as outras opções possíveis às quais eu costumo recorrer tendem a me deixar um caco emocional), que é sempre muito muito muito gostoso de assistir, sempre deixa meu coração leve, sempre me dá vontade de abraçar alguém e sentar no meu cantinho favorito embaixo das estantes de poesia da Shakespeare & Co.

Magic in the Moonlight
Infelizmente, no entanto, Before Sunset não resolveu a insônia, e eu ia recorrer a Midnight in Paris quando lembrei que ainda não tinha visto Magic in the Moonlight porque saiu depois de eu decidir que não ia mais pagar para ver filmes do Woody Allen no cinema (eu desvinculo facilmente demais obra e autor, então continuo adorando os filmes, mas não adoro a pessoa então decidi que só vou ver os filmes dele ilegalmente). Acabei assistindo e gostando mas não achando lá grande coisa – tem o tipo de humor que me agrada, tem roupas bonitas, tem a Emma Stone (de novo!), mas não fez nenhuma diferença na minha vida.

Dark Places
Se você não leu Dark Places e não liga para spoilers, veja o filme e depois leia o livro. Se você não leu, mas liga pra spoilers, leia o livro, e deixe o filme pra lá. Se você, como eu, leu o livro e amou, veja o filme só por curiosidade. Não é que ele é ruim – mas não consegui aproveitar nele muito mérito como filme além da história, além do mistério, e, quando você sabe todos os detalhes do mistério, ele não tem muito impacto – diferente de Gone Girl, por exemplo. Eu não ligo para spoilers, sou boa em entender fórmulas dos filmes, então eu raramente vejo algo pelo mistério, por isso não tive problemas em ver o filme – mas ele foi um dos poucos na vida em que senti que perdi algo por estar vendo já sabendo tudo.

Pitch Perfect 2
Eu gostei bastante do primeiro Pitch Perfect, principalmente porque a Anna Kendrick e as músicas me distraíram do ocasional humor escatológico (que eu não curto mesmo), e porque o plot é divertido e eu de fato me vi gostando cada vez mais das Bellas e torcendo por elas. O segundo, no entanto, não tem plot. Ele só funciona para fãs do primeiro que querem ouvir mais músicas e ver as personagens em qualquer contexto, mesmo que menos engraçadas e interessantes no que primeiro. Mas, bem, as músicas são legais!

The DUFF
A premissa dessa comédia adolescente é péssima: a protagonista descobre que ela é a “designated ugly fat friend” das suas duas amigas magras e tradicionalmente gatas, e daí se seguem brigas, makeovers, rumores, mal-entendidos, e uma amizade will-they-or-won’t-day com o garoto popular do colégio. É óbvio, a premissa é mesmo ruim e machista e gordofóbica, mas eu sou suscetível demais a fórmulas de comédia romântica e reagi com comentários em voz alta pra minha tela do computador nos momentos emocionantes do romance.

Jupiter Ascending
Esse filme não faz nenhum sentido. N E N H U M. E eu adorei. Tem o Channing Tatum, tem a Mila Kunis, tem aliens, tem tecnologia que permite imortalidade, tem brigas familiares e disputas de poder, tem roupas dignas de sci-fi futurista dos anos 70, tem cenas de ação longas, tem mil detalhes que não servem para nada, tem idas e vindas, tem tudo que eu podia querer num filme de ação que simplesmente não faz sentido nenhum. Foi ótimo, mesmo.

Guardians of the Galaxy
Mesmo com um guaxinim-alienígena-robô com uma metralhadora e uma árvore sidekick, Guardians of the Galaxy fez mais sentido que Jupiter Ascending. E, mesmo fazendo sentido, foi ótimo também! Eu enrolei demais pra ver esse filme, acho que porque perdi no cinema e ver esses filmes pela primeira vez na tela do computador sempre parece meio underwhelming. Mas vi, curti bastante, e mal posso esperar pelo próximo.

No tempo livre: estudo, Blogilates, e Cards Against Humanity.

No tempo livre: estudo, Blogilates, e Cards Against Humanity.

LIVROS

Harry Potter and the Half-Blood Prince & Harry Potter and the Deathly Hallows, J.K. Rowling
ACABAMOS! Finalmente eu e o Paulo acabamos de (re)ler Harry Potter, e agora aos poucos vamos soltando os próximos recaps (lancei no começo do mês a do segundo livro). Como aconteceu com a leitura dos outros cinco livros até aqui, esses dois últimos me tocaram ainda mais do que da última vez que li. Acho que nunca tinha sentido tão profundamente a tristeza e a tragédia das histórias quanto dessa vez, mesmo tendo lido várias vezes antes. Foi difícil atravessar esses livros, passar pelas descrições densas do medo, das dores da guerra, das pequenas esperanças no meio, das descobertas do Harry sobre o que ele representa, sobre o que aqueles que vieram antes dele esperam dele. Estou bem animada para fazer os recaps dos livros todos para poder comentar com vocês.

Me talk pretty one day, David Sedaris
Todo mundo adora o David Sedaris. A internet me diz há anos para ler os textos dele, esse livro só tem ratings ótimos entre meus amigos no Goodreads, ele estava me esperando no Kobo faz um bom tempo, e, depois da tragédia e da dor de Harry Potter, decidi dar uma chance. Mas, gente, achei tão chato. As piadinhas dele não me faziam rir, as histórias não me tocavam em nada, li até o final só porque fico meio nervosa de largar livro no meio.

Attachments, Rainbow Rowell
Gosto bastante da Rainbow Rowell. Li Fangirl e Eleanor & Park e nenhum deles mudou minha vida, mas achei ótimos livros mesmo assim. A Lorena me deu Attachments de aniversário e, pouco depois, numa das insônias frequentes das últimas semanas, decidi começar. Ia ler só umas 50 páginas e dormir, mas acabei lendo o livro inteiro de uma vez, o que significa que eu gostei, né? Só que eu achei a premissa muito creepy e o final péssimo, o tipo de final que meio estraga tudo que você leu até lá, então até agora não sei se gostei ou não. Quem já leu quer conversar comigo nos comentários?

The Shoebox Project, Jaida Jones & dorkorific
Olha, não é um livro, assim, oficial. Eu sei. Mas eu defendo fanfic como literatura desde sempre, vocês sabem, e é do tamanho de um verdadeiro livro de Harry Potter, e eu marquei no Goodreads e li no meu Kobo e tudo, então vem pra lista. The Shoebox Project é simplesmente a melhor fanfic de Harry Potter que existe, eu aceito como 100% canon sobre a era dos Marotos, é inteiramente in-character, é perfeita, e eu não quero que a J.K. escreva nada oficial sobre essa era porque se for diferente de Shoebox eu não poderei aceitar. Tem aqui em pdf, epub e mobi, e vocês deviam ler (só aviso que é Remus/Sirius, e se você for tipo muito inteiramente contra Remus/Sirius talvez você não goste, mas não é uma fic principalmente romântica, só é principalmente sob os pontos de vistas deles, e por isso isso se torna importante).

Dias de família.

Dias de família.

LINKS: LONGREADS
Hannibal redefined how we tell stories on TV (Matt Zoller Seitz, Vulture, 31 ago. 2015): sobre uma das coisas importantes de agosto – o fim de Hannibal (tem muitos spoilers!).
“Their bond is brotherly but also romantic and (somehow, powerfully) sexual. This battle is its long-delayed consummation: the sex scene between Will and Hannibal that has been repeatedly imagined in so much fan art, or, to quote Fuller again, a coded “three-way” — one of many imagined by this censorship-flouting network series — wherein “you eliminate the third [participant] and get to business with the two who matter.” Will’s necessary and also eager participation in a killing (he’d only been a passive accessory before) is the sex act Hannibal has been urging him toward, as seen in the dream image (Will’s or Hannibal’s? We don’t know) of the two in a church, Hannibal dressed in a seersucker jacket with a Windsor-knotted tie. “I was rooting for you, Will,” Hannibal says. “It’s a shame: You came all this way and you didn’t get to kill anybody.” He’s not a virgin anymore. He gave it up for Hannibal.”

I keep on forgetting my name (Arabelle Sicardi, The Hairpin, 28 ago. 2015): sobre línguas, origens e (não-)pertencimento.
“I’ve had to relearn my names a thousand times before. Sometimes I don’t know my name even when I try—the characters refuse to solidify in my head and I sit in fog. This is hysterical, but in the old way, when women are too much and men don’t know how to help. I don’t know how to help myself.”

Mudança de casa (Marina Vieira, Pólen, 28 ago. 2015): sobre a identidade definida pelas casas de Hogwarts.
“Não sei se já existe uma nova geração de fãs que não sabe o que é viver sem a referência oficial que Pottermore oferece, e não quero pensar nisso para não me sentir velha (vamos esquecer que a primeira edição no Brasil foi lançada há 15 anos). E apesar da oficialidade do Pottermore ser discutível, o site criado pela Rowling deve ter um chapéu-seletor mais certeiro do que o quiz da Capricho, né? Entrei em crise. Foi como se tivessem chegado pra mim e dito que, apesar de eu ter nascido no começo de junho, não era mais geminiana. Aquela minha amiga do colégio disse para eu descartar o resultado do site, foram anos de Corvinal versus um dia de Lufa-Lufa. Mas o que foi visto não pode ser desvisto. Minha identidade mágica havia mudado.”

Media refuses to grant trans women dignity – even murder victims (Mari Brighe, Autostraddle, 5 nov. 2014): sobre a cobertura midiática de assassinatos transfóbicos.
“Even as the media attempts to frame their vignettes on the “overcoming adversity” narrative that’s oh-so-commonly applied to trans people, it’s rarely our accomplishments, our warmth, our love, our beautiful lives, or even our personal anguish they’re highlighting. Instead, the focus almost unfailingly falls on our “otherness,” the things that set us apart from so much of the world. It’s about the “transformation” angle of our lives, often with photos or video of our pre-transition bodies. It’s about our surgeries (because they always assume there must have been surgeries). It’s about our dysphoria and the profound disconnect we have with physical shapes we were given at birth. In short, it’s the things that set us apart from the cissexual population that people are only ever interested in, and almost never the multitudes of things we experience just like any other person — like love, joy, accomplishment, community, pain, loss, and disappointment. We’re denied the chance to have others see us and connect with us on a fundamentally human level.”

Fangirling (Lorena Piñeiro, 12 ago. 2015): sobre, bem, ser fangirl.
“O que eu peço com tudo isso é: não cortem as asinhas das fangirls das suas vidas. Suas paixões podem parecer fúteis, mas toda essa energia as coloca em movimento. Elas estão pensando, elas estão interagindo com o que as cerca, elas estão expressando seus interesses, descobrindo suas preferências, e dando um retorno ao que (ou a quem) motivou essa catarse. Isso às vezes é feito de forma pouco saudável, mas o tempo se encarrega de nos conduzir a um equilíbrio em que ninguém saia chamuscado nessa explosão.”

Pretty Little Liars episode 610 recap: I feel a lot safer when I’m in charge of what happens to me (Heather Hogan, Autostraddle, 12 ago. 2015): sobre outra coisa importante de agosto – a finale do arco principal de PLL.
“There were very few queer female character on TV during PLL‘s first few seasons, but the creative team chose to do a really risky thing: They decided to treat the queer women in Rosewood they way they treated all women in Rosewood. It wasn’t just Emily who was queer. It was Alison, it was Maya, then Paige, then Samara, and on and on. After Paige said out loud that she is gay, in what was one of the most authentic and stunning coming out scenes I’ve ever seen, PLL portrayed all queerness as a non-issue. Emily’s girlfriends came and went. They died like everyone else died. They lived like everyone else lived. They were psychos sometimes, like our beloved Mona Vanderwaal. Treating minorities equally in every way is PLL‘s ethos, and while it has led to some upsetting and dubious choices (the murders of two black lesbians, for example), it has allowed the show to transcend our gut reactions to many harmful tropes.”

Pretty Little Liars episode 609 recap: Drunk in love (Heather Hogan, Autostraddle, 10 ago. 2015): porque, ok, todos os recaps da Heather são brilhantes.
“I hate Lorenzo so much, you guys. For all the reasons I’ve said before, but also because of how Lorenzo is supposed to make Alison nice. A nice girl. A real sweet nice girl seeking redemption. Alison is not a nice girl, though. And what I want is to see the reasons why she’s not a nice girl. All that shit she did, blinding Jenna and blackmailing Toby and shaming Paige into the closet and giving Hanna an eating disorder, all of it, she did it for a reason. Part of it was selfish and part of it was noble and but most of it was an indistinguishable mash-up of both of those things, good guy stuff and bad guy stuff braided together in a cacophony of greyness. Alison is a bitch. Bitches get stuff done. Bitches keep themselves and their friends as safe as they can in a hard, dark world. If you want Alison DiLaurentis to be a nice girl, you don’t deserve to even look at her. I can’t believe I’m saying this, but you know how Mike loves Mona? That’s the kind of relationship Ali needs in her life. (For example, the way Emily has always loved her.)”

Sorry (Janet Frishberg, Human Parts, 12 ago. 2015): sobre ser mulher e ter que pedir desculpa por existir.
“We want to know if we said the right thing, the wrong thing. We are sorry but we have feelings, we don’t want to be crazy but, this might be wrong but, we might be delusional, and if we are, we’re sorry. We’re sorry we made you feel that way. We’re sorry we made anything at all.”

A history of power (Kelly Kiehl, The Butter, 21 ago. 2015): basicamente fanfic de mulheres poderosas pela história, e uma das melhores coisas que li recentemente.
“Myths rot and go bad, they get buried under retellings and rewritings and rememberings. But I’ll be remembered in this stone because right here someone has unburied my face with a hammer and a chisel, above all your armies and your fleets, your battles and your wars. My face was uncovered here under the rough stone: an artist brushed the powdery rock from my cheekbones and the curve of my lips and he found me, and even though I had always been here, buried, waiting beneath this stone, that man claimed he made me.”

Our incorruptible dead girls (Stassa Edwards, The Awl, 22 ago. 2015): sobre o espetáculo das garotas mortas.
“There is a visual continuity of dead girls in cinema: Laid out on slabs, hair draped around pale bodies that belie the likely violence of their fictional deaths, they are peaceful, serene and silent. Covered by a medical examiner’s makeshift shroud or dressed in borrowed clothes, neither their bodies nor their narratives are their own. They are bound by a kind of artfulness. The dead girl must look convincingly dead, yet death must conceal itself under the mask of beauty. So she’s pale—the lily whiteness of her skin evokes another kind of metaphor—while her closed eyes and pale blue lips convey the easy transition from living to dead. Though the procedural drama relies on the endlessly violent deaths of women, it asks that her corpse lie: to maintain its allure, not swell or bloat or bleed. The putrid smell of death has no place on the television screen, in part because the incorruptible body does not decompose.”

Katrina playlist (C.W. Cannon, The Rumpus, 23 ago. 2015): sobre ir e vir de Nova Orleans, pré- e pós-Katrina.
“Like New Orleans parades and music acts, New Orleans history is a spectacle. We offer real-life drama, shit that other people can’t believe happens in America, and we just keep on dishing out the hits. Voodoo, Yellow Fever, sex parties, sex crimes, corruption, axe murders, violent storms. New Orleans is always already pre-apocaplytic or post-apocalyptic. We do the end of the world and then get up and do it again for the generation that hasn’t had the chance yet.”

Pai herói (Anna Vitória, So Contagious, 9 ago. 2015): sobre o double-standard de pais e mães.
“Aliás, questiono muito também nossa cultura de celebrar as pessoas por serem minimamente decentes. Tipo político que adora bater no peito e dizer que não é corrupto. Parabéns? ‘Não sou racista, não sou homofóbico, não chuto cachorro.’ Que legal, colega, quer uma estrela dourada do lado do seu nome? É o mínimo que a gente tem que esperar de qualquer pessoa. ‘Cuido do filho que fiz.’ Arrasou campeão?”

It’s a war out there: how queer female friendships can save us all (Gaby Dunn, Autostraddle, 5 ago. 2015): sobre a importância de amigas aliadas.
“I can tell you this though: Befriending other queer women will save your life. Fear is born of isolation and everything in the world is working to pit women against each other and keep us apart — especially minority women of any kind. We’re told we’re the only ones at our work who feel the project is sexist. We’re told to “calm down” about street harassment. We don’t talk about the injustices of existing in a world built for men because then we’re “whining professional victims.” The world is exhausting. A queer woman can not survive on her own.”

Why TV’s best geniuses are brilliant manipulators like UnREAL‘s Rachel (Caroline Framke, Flavorwire, 3 ago. 2015): sobre uma das melhores séries recentes, UnREAL.
“One of the most compelling things about UnREAL is that it cut to the chase and made its central genius a savant in the art of manipulation. Rachel’s entire job is coercing people into doing what she wants without them even realizing it, and as the series continues, there’s no doubt that she is, in fact the best. Or, as Appleby said at a recent Paley Panel, “[Rachel] happens to be really good at something that kills her on the inside.” (This is also just about as good a definition of “antihero” as we’re going to get.)”

All the single ladies: why movies need more platonic pairings (Alison Willmore, Buzzfeed, 30 jul. 2015): sobre Mad Max, Missão Impossível, Magic Mike, e pares não-românticos.
“And that flicker of honest-to-god thought for the movie’s female character is what makes the choice not to force a romance so refreshing — because sending a woman spinning into the arms of a man not infrequently has to do with affirming a male lead’s virility and allure. We have the phrase “gets the girl” because of the way female characters are traditionally envisioned as prizes to be won, their internal workings left unconsidered. If a woman onscreen is shown to be desirable, then her story usually becomes one about who’s doing the desiring.”

MuslimGirl is dismantling what a good muslim looks like (Fariha Roisin, Broadly, 19 ago. 2015): sobre garotas muçulmanas tomando as rédeas da própria narrativa.
“Every Muslim has a story of shame: “When I was in Middle School and my classmates would ask me if I was Muslim, I was so embarrassed to say that I was. It wasn’t until I visited the Middle East, and I started learning more about Islam, or started actually meeting Muslim people and heard stories in their own voices, that I started feeling overwhelmed with pride that I came from this type of background and culture,” Amani recounts. It’s easy to dismiss someone’s lack of pride and declare it a sign of weakness, or even as a pathetic inability to stand up for oneself, but being demonized–and having that being all you know of your own culture and religion–has been a cornerstone of the Muslim identity that Amani and I know. Gone are the days of fetishized orientalism; now it’s a violent undermining that occurs, with spokespeople like Richard Dawkins or the late Christopher Hitchens, both of whom have publicly declared that all Muslim women are oppressed, while never asking Muslim women for their input. How many conversations have I encountered when people declare that they “know so much about Islam.” Everyone seems to know about Islam, but nobody seems to have met, or talked, to a Muslim.”

My only carriage: naming a nameless disability (Emma Bolden, The Toast, 12 ago. 2015): sobre encontrar uma resposta para um descontrole.
“I knew, in other words, that something had gone wrong in his body and he was working very hard to make his body look normal. I knew this because I was also standing with my actual knees actually locked. I knew this because I was afraid that I wouldn’t be able to stand up or still or straight. That I would fall right there in the return line and next to the Coinstar machine with all of its coins to the power of more. In other words, something had gone wrong in my body. I always work very hard to make my body stand up and still and straight, so I knew what he and I were doing. We were in our heads, talking to our bodies. In our heads and saying to our bodies, keep still keep still.”

The husband did it (Alice Bolin, The Awl, 10 fev. 2015): sobre as narrativas – reais e fictícias – das mulheres assassinadas.
“When a cop kills an unarmed man, it is because he senses his power being threatened by fear that he should never have to feel. When a man kills his ex-girlfriend because she leaves him, he is saying the same thing: shame and sadness are things I should not have to feel. What is ultimately frustrating about Serial is that it conflates a mistrust in unfair legal narratives with a mistrust in patterns that are all too real, namely “the most time-worn explanation for [a woman’s] disappearance: the boyfriends, current and former.” A skepticism that the husband did it shows a weird, classically American disdain for both authority and the powerless. But if the last year proved anything, it was that there are endless opportunities to misapply victimhood.”

On the evolutionary function of jackass guys (Heather O’Neill, The Hairpin, 21 ago. 2015): sobre uma atração inexplicável pelos caras “errados”.
“The loser gene ensures there are people who will have absurd compulsions—to be motorcycle daredevils, to go into jungles, to be power-mad lunatics. The same gene that leads a guy to be a complete moron with outstanding tickets for walking his dogs without a leash could cause a person to come up with some sort of wildcard cure for an illness. We achieve major things while propelled by idiotic motivations. We write wonderful, philosophical 800-page novels in order to get more dates, we travel to outer space in order to get on talk shows to impress our old neighbors.”

Abolish High School (Rebecca Solnit, Harper’s Magazine, abr. 2015): sobre o valor simbólico que colocamos nos últimos anos de colégio.
“What was it, I sometimes wonder, that I was supposed to have learned in the years of high school that I avoided? High school is often considered a definitive American experience, in two senses: an experience that nearly everyone shares, and one that can define who you are, for better or worse, for the rest of your life. I’m grateful I escaped the particular definition that high school would have imposed on me, and I wish everyone else who suffered could have escaped it, too.”

Stop shaming partners of trans people (Thomas Matt, The Huffington Post, 30 jul. 2015): sobre a pressão colocada sobre parceiros de pessoas trans.
“Partners of trans folk — especially heterosexual cisgender male partners of trans women — need to start coming out and stop treating their partners as a source of shame. We need to start having discussions about the problems within our community, such as the “chaser” culture in which men fetishize and objectify trans women. We have the power to tell society that it is OK to love trans women. Simply by coming out, we could greatly reduce the amount of violence against trans women. We should be on the front lines with the trans women who we are attracted to in their struggle for liberation.”

O segredo de Escobar (André Boucinhas, Piauí, jun. 2015): sobre Dom Casmurro e suas informações socioeconômicas e históricas.
“Muito se avançou na compreensão dos romances machadianos quando se prestou a devida atenção a características nada fortuitas dos personagens, em especial seus perfis socioeconômicos. Enxergar Capitu, como fez Roberto Schwarz em Duas Meninas, como uma figura subalterna da família Santiago acrescenta uma nova perspectiva ao romance: ele passa a ser também o relato da trajetória de uma moça que, independentemente do que sentia pelo vizinho, sabia que casar-se com ele significaria ascensão social. Ao mesmo tempo, Bento Santiago, um típico representante da tradicional elite carioca, narra sua história como bem entende, ressaltando ou omitindo o que lhe convém, com a mesma arbitrariedade e o mesmo elitismo com que seus pares escreviam a história do Brasil ou comandavam o país. Até agora, porém, pouco se disse do suposto traidor. Afinal, quem era Escobar? Por que Machado de Assis escolheu esse homem para completar o triângulo amoroso? Uma tese recente de história econômica pode ajudar a formular uma nova hipótese para a questão.”

Editor’s Letter: Give and Take (Tavi Gevinson, Rookie, 1 ago. 2015): as cartas de editora da Tavi, sempre tão difíceis de explicar, mas sempre me fazendo chorar.
“Is it so criminal, though, to try to keep your heart protected before allowing anyone the opportunity to treat it like a whoopie cushion? To need to know that this person likes you back before you turn around and grant them permission to inflate the space inside your chest before crushing it out with some crude fart sound? Who is responsible for the first gesture? I am told each sentiment unfolds in small ways, in turn. I know now that the reckless, hair-flippy “Style” method of relationship-ing leaves little room for such care (for me, anyways).”

“Where’s my cut?”: on unpaid emotional labor (Jess Zimmerman, The Toast, 13 jul. 2015): sobre o trabalho emocional exigido das mulheres.
“And yet, it is basically impossible to monetize, short of demanding funds to build a gold bridge. Not that I’d charge my friends – but I don’t charge to edit stuff for them either, nor do usually they charge me when they knit me something or draw me a picture or feed my dog. Yet that work is still considered to have value. I’ve offered to pay for dogsitting, they’ve offered to pay for editing; often we arrange some kind of barter in lieu of payment. If we wanted to charge someone else money for these services, it would not be considered absurd. But emotional labor? Offering advice, listening to woes, dispensing care and attention? That’s not supposed to be transactional. People are disturbed by the very notion that someone would charge, or pay, for friendly support. It’s supposed to come free.”

What’s in a name? (Heather Matarazzo, 21 jul. 2015): sobre nomes, famílias e adoção.
“I’m 9 or 10 years old. I’ve snuck into my parents’ bedroom and am quietly walking across their carpet, praying that I don’t make a sound. I open their closet and find the brown metal box. My heart is pounding, hands shaking. I crouch down, balancing on the balls of my feet, ready to jump up and escape at the potential first creak of the stairs. Silence. So far so good. I lift the top up slowly. It doesn’t betray me by squeaking. I’m grateful. My little fingers search through the vanilla colored tabs labeled BILLS, LICENSES, etc., until I finally find the one I’m looking for: “FOSTER.””

Redefining travel, re-experiencing Paris (Susan Barbour, LA Review of Books, 15 jul. 2015): uma resenha de um guia de Paris, mas também uma reflexão sobre a cidade e sobre a própria função de um guia.
“The way we travel and get to know places has changed. Where we once looked to guidebooks to find hotels and relied on concierge to point us to restaurants, we now scour TripAdvisor to get the gist of neighborhoods, book Airbnbs amongst locals, and slip into the life of a stranger for a few days or a few weeks. We have access to thousands of intimate reviews at our fingertips. We can also, in just a few clicks, get keys to an absent host’s home, shop at their market, drink coffee from their mug, and stroll around their favorite gardens and museums. We end up getting not an experience, nor the experience (which we all know is a fiction), but someone’s experience.”

The most timeless songs of all time (Matt Daniels, Polygraph): um estudo matemático de quais são as músicas mais atemporais da história.
“Out of the entire catalog of music from the 90s, these are the tracks on the trajectory to survive. Some of my friends were deeply disturbed by what’s been lost in time (e.g., Pearl Jam). And No Diggity isn’t just anecdotally timeless, it’s the fifth most-played song from the 90s.”

Em um photoshoot maravilhoso!

Em um photoshoot maravilhoso!