101-0145_IMG

Por que eu escrevo

A Gala Darling um dia fez um post respondendo a um meme de “why I write”, e eu catei o link e botei no meu caderninho do Evernote com ideias pro blógue e, em mais um dia de exaustão (dessa vez causada pelo aniversário da minha mãe, não pelo Blogilates), me pareceu a resposta perfeita para o beda de hoje. Então lá vamos nós.

O que eu ando escrevendo?

Além dessa #resistênciaBEDA aqui, tô trabalhando num texto pra Pólen, já tentando engatar a carta das editoras de setembro pra Capitolina, e preparando roteiros de vídeos ~*secretos*~ pra Capitolina também.

Ando escrevendo de vez em quando meio à toa no meu mais-ou-menos-diário, mas acho que o beda está esgotando o que tenho a dizer no dia a dia.

Estou tentando também, com a ajuda de um monte de Capitolinas lindas, planejar/criar/escrever um romance porque faz anos que não escrevo ficção. É possível que fique eternamente na gaveta, mas preciso voltar a treinar esse tipo de escrita porque ando com saudades à beça.

Como minha escrita se diferencia de outras no gênero?

Não faço a menor ideia. Na verdade, acho que não se diferencia muito, e nem sei exatamente qual é o gênero em questão – blógues com muito bate papo sobre adolescência? Revolução, feminismo e literatura? Conselhos de irmã mais velha profissional? Fanfics de Spiderman/Deadpool (sim, isso já foi meu gênero um dia, e eu era boa, eu juro)?

Bem na sinceridade, admiro tanto tantas escritas por aí, que achar minha escrita parecida, e não diferente, me deixa feliz.

Por que eu escrevo?

Eu me ensinei a ler aos quatro anos. Desde então, eu agarro livros antes de sair de casa sempre, eu leio no ônibus, eu leio no ponto, eu leio antes de dormir, eu leio em ambientes chatos, eu leio em ambientes legais, eu leio eu leio eu leio. Aí, bem, aconteceu que, além de gostar muito mesmo de apreciar a escrita dos outros, eu penso demais e falo demais e às vezes o pessoal ao meu redor fica de saco cheio de me ouvir falando-pensando demais e eu escrevo para botar pra fora. Aí, bem, aconteceu que, além de escrever pra botar pra fora e ler um monte, eu descobri que escrevo meio bem (eu acho), e que tem gente que até gosta de escrever o que eu leio (eu acho), e, bom, por isso eu escrevo.

Escrevo o que escrevo por razões mais elaboradas um pouco: porque são coisas que penso, porque são coisas que gostaria de ler, mas às vezes também porque são coisas que eu (autocentrada que sou) acho importantes e que eu quero mesmo que outras pessoas leiam porque eu quero que elas pensem sobre o que eu pensei e concordem ou discordem ou me achem inteiramente inútil (quer dizer, prefiro que não me achem inteiramente inútil, mas aceito que é a possibilidade mais provável).

Como eu escrevo?

“Profissionalmente”, no computador: direto no WordPress, ou no Google Docs, ou no Word, ou no Evernote (só varia de acordo com a vontade, não tenho muito critério). De preferência sentada a uma mesa (ou na cama, como agora), de cabelo preso, ouvindo música e concentrada. Se tem alguém perto de mim na hora, fico falando enquanto escrevo, porque me ajuda a pensar se o que estou escrevendo faz sentido. Se estou sozinha, mando pra Lorena pra ver se está direito.

Na época em que eu escrevia mais no meu meio-que-diário e em que eu escrevia ficção sem parar, o processo era mais desordenado e compulsivo. Eu escrevia durante a aula, nos meus cadernos. Eu escrevia em bloquinhos de notas durante o trabalho. Eu escrevia em guardanapos, na mão, em nota fiscal, na superfície mais próxima. Eu escrevia as mesmas duas frases vinte vezes porque tinha gostado muito delas e não queria esquecer. Eu escrevia uma história inteira em uma tacada só e dois dias depois encontrava ela no fundo da bolsa e não lembrava de ter escrito. Eu não faço esse tipo de coisa já tem uns três anos, mas tudo bem, o meu método atual é bem menos estressante.

Como eu supero bloqueios criativos?

Falei que já faz três anos em que não escrevo compulsivamente, né? Pois bem, na verdade só voltei a escrever at all no ano passado. Foram dois anos sem uma palavra minimamente criativa sair de mim – além da minha monografia, da qual tenho real orgulho. Nem um pingo de ficção, nem um pouco de não-ficção mais literária, nem um post coerente num blog. Foram dois anos de mudança na minha vida, e eu perdi a escrita no meio do caminho. Felizmente, não tinha perdido pra sempre: só precisava mesmo reestruturar minha relação com ela.

Para bloqueios mais curtos e momentâneos, o que resolve é distração: sair pra dar uma volta, tirar um cochilo, ver alguma coisa no Netflix, sentar pra lanchar, ler um pouco (de algo que não tem nada a ver com o que estou escrevendo, senão é muita pressão)… Se distração não estiver rolando, conversar com alguém sobre o que estou escrevendo me ajuda DEMAIS: mando áudio no Whatsapp para o namorado, encho o saco da Verônica com e-mails gigantes, peço opiniões insistentemente para a Lorena e para a Clara, bato na porta da minha irmã e começo a falar sem parar mesmo que ela esteja ocupada vendo Grey’s Anatomy, atrapalho os estudos da minha mãe pra perguntar se o que estou pensando pro texto é interessante…

Como e por que vocês escrevem? Adoraria ler posts desse tipo nos blogs de vocês também (ou só as respostas nos comentários)!

  • http://sooo-contagious.blogspot.com Anna Vitória Rocha

    Adorei muito esse post e essas perguntas <3 saber do processo criativo dos outros é realmente muito interessante, porque cada um cria de um jeito, né? Eu, por exemplo, jamais conseguiria escrever com outras pessoas por perto e falando a respeito. Sei lá. Não aguento nem barulho dos outros.

    Também fui uma dessas crianças que lia tudo, o tempo todo (minha família adora lembrar que eu gostava do catálogo de telefone e de livros de receita), e tive minha fase áurea de escrever o tempo inteiro, sobre tudo. Sinto muita falta desse turbilhão de criatividade e não cair nessa de me sentir self conscious o tempo inteiro ao ponto de isso me atrasar muito a vida. Enfim. O importante é não parar, né?

    Obrigada pela indicação, adorei muito responder <3

  • http://sofiasoter.com Sofia Soter

    O processo criativo é mesmo super particular, né, todo mundo faz diferente! Eu sou dessas que escreve com todos os barulhos do mundo, estuda melhor com a TV ligada, essas coisas hahahaahah.

    E é isso mesmo: o importante é não parar! <3