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It’s not bro time, it’s show time: Magic Mike XXL

Desde que Magic Mike XXL foi anunciado, eu tive vontade de ver, pela razão óbvia: uma razoável quantidade de homens que eu acho atraentes no papel de strippers. A expectativa aumentou quando descobri, recentemente, meu amor pelo Channing Tatum: caso vocês não saibam, ganhei uma certa reputação de fã do Channing Tatum, especialmente lá na Pólen, onde comecei a usá-lo quase como marca registrada nos meus textos; estranhamente, no entanto, eu quase não vi filme nenhum com ele, nem acho ele particularmente bonito – só desenvolvi um gosto muito sincero pela personalidade adorável dele (sério, leiam 1. o e-mail vazado dele no hack da Sony; 2. o Reddit AMA dele e me digam se ele não é adorável?). Isso tudo se somou às reviews maravilhosas que a Roxane Gay e a Anne Helen Petersen escreveram sobre o filme, e a expectativa (que me fez encher o saco das minhas amigas por semanas e combinar de ir na estreia) estava impossível de controlar chegando no cinema.

Mas gente.

Gente.

G E N T E.

Nem toda minha expectativa me preparou para a total e absoluta maravilha que é Magic Mike XXL. É, honestamente, uma dose de felicidade em sua forma mais pura e completa injetada direto no seu coração. Eu comecei a sorrir nos primeiros cinco minutos de filme e não parei até umas horas depois dele acabar. Eu soltei gritinhos de alegria. Eu gargalhei demais. Eu dancei na cadeira. Era uma felicidade tão sincera, tão profunda, que eu estou ainda agora, mais de 24h depois, sob seu efeito.

A felicidade é tanta que precisei escrever um post para o blog especificamente sobre isso, com a missão de convencer todos vocês, leitores teóricos-possíveis-hipotéticos, a correr para o cinema e assistir a essa obra de arte.

Para embalar a leitura, sugiro que vocês comecem ouvindo “Pony”. Pode ser acompanhado do vídeo no Youtube da coreografia do Channing Tatum no primeiro filme, para entrar no clima. You’re welcome.

Os acontecimentos do primeiro filme (que parece nem pertencer à mesma história, de tão diferente que é de vibe) são inteiramente irrelevantes para o segundo. Tudo que vocês precisam saber é o seguinte: Mike, Ken, Big Dick Richie, Tito e Tarzan são strippers. Quando Magic Mike XXL começa, Mike largou o mundo do strip há três anos e trabalha como carpinteiro – seu verdadeiro sonho. Mas ser carpinteiro não é tudo que ele esperava, e, quando começa a tocar “Pony” no Spotify (product placement genial, foi meu primeiro sorriso – sim, sorri até com product placement), ele, bem, dança. E meu deus do céu como ele dança. Porque, gente, isso é fundamental: o corpo do Channing Tatum não funciona como corpos normais funcionam, ele funciona como se tivesse sido criado por aliens para a função específica de dançar e tirar a roupa e dançar mais e tirar mais a roupa e dançar simulando sexo com pessoas e objetos e superfícies, sem parecer que ele está fazendo qualquer esforço. No wonder chamam ele de Magic Mike – magia é a única explicação possível para isso.

O aparente interesse ainda vivo de Mike pelo mundo da dança sensual faz com que ele aceite o convite dos antigos colegas – Ken, Matt Bomer como aspirante a cantor que pratica meditação e fala de paz e amor; Big Dick Richie, Joe Mangianello e seu nome bastante autoexplicativo; Tito, Adam Rodriguez, cujo sonho é vender frozen yogurt gourmet em um food truck; Tarzan, Kevin Nash, que na verdade é pintor e eu não entendo muito por que é stripper – para uma viagem (no tal food truck do Tito) para uma convenção de strippers, acompanhado ainda por Tobias, o MC.

Sim, isso é um filme de road trip. E sim, existem convenções de strippers. Neste ponto espero que todos vocês já estejam sorrindo antecipando as maravilhas possíveis em um filme de road trip com strippers, certo? Certo.

E o que se segue não decepciona. Não só isso, como genuinamente surpreende, pela simples razão de ser um filme que se salva de cair em todos os problemas de piadas fáceis e preconceituosas nos quais filmes sempre caem. Logo no início da viagem, eles vão a um bar com show de drag queens, mas não é uma piada; eles não zoam as drags, eles não zoam uns aos outros, eles só admiram, se divertem, sobem no palco quando chamam amadores para dançar, e em nenhum único momento o filme torna as drags o alvo de risos ruins. Esse ritmo de decência, que deveria ser tão básica em tudo, mas que mesmo assim é tão difícil de encontrar, se mantém o filme inteiro: Mike e Tito chegam num quarto de hotel com uma cama de casal e, sem um único riso constrangido, sem um único comentário de “no homo”, deitam na cama, cansados, conversam, dormem; quando eles passam a viajar num conversível (por conta de road trip hijinks), três deles vão no banco de trás, muito próximos, num companheirismo confortável e sem que isso seja algo risível para a platéia; Mike, numa conversa, se refere a Deus como “she”, explica “My god is a she” quando perguntado, mas não elabora, não pede parabéns por isso, não espera admiração. Na verdade, isso é uma das melhores coisas desse filme: nenhum desses caras é assim esperando que as pessoas a sua volta digam como eles são legais e mente aberta e tolerantes e gente boa; a narrativa não espera que a gente queira dar biscoitos de recompensa a Mike por ele achar que Deus é uma mulher, ou que a gente queira parabenizar qualquer um deles pela amizade com drag queens – eles são assim porque eles são assim, porque é o jeito decente de ser.

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Um parágrafo à parte precisa ser escrito para falar, então, das mulheres do filme. Porque, afinal, é um filme sobre homens strippers, cujo público principal é de mulheres. E, onde muitos filmes pecariam, colocando as mulheres ou como objetos seguindo o padrão estético hollywoodiano, ou como seres desesperados por estarem pagando para ver homens tirando as roupas, Magic Mike XXL só reconhece todas as mulheres – independente de raça, corpo ou idade – como pessoas com agência, com desejo, com fantasias, com vontade sobre suas vidas e seus corpos, e não julga ou diminui esses desejos. No clube privado Domina, controlado por Jada Pinkett Smith (poderosa, maravilhosa, de terninho, a própria definição de fierce, e um dos pontos altos do filme sem sombra de dúvida), mulheres negras pagam uma taxa mensal para passear por quartos onde homens (principalmente negros também) dançam, cantam e tiram a roupa; Rome, a personagem de Jada, anda pela casa apresentando os dançarinos, falando com as clientes, e chama todas elas de “queens”, incentiva elas a dizerem o que querem, oferece a elas os objetos dos seus desejos, sejam esses os braços de homens musculosos e nus, como um dos principais dançarinos da casa, Malick, ou a demonstração de afeto musical feita por Andre (Donald Glover). Na etapa seguinte da viagem, após a visita a Domina, os strippers vão parar numa casa com um grupo de mulheres de meia idade, muitas delas insatisfeitas com suas vidas sexuais, e conversam com elas, flertam com elas, reconhecem suas vontades e seus desejos, e nunca há pena ou desprezo pelas donas de casa divorciadas nas atitudes dos personagens ou no olhar da narrativa.

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O final do filme, na convenção, é uma sequência de apresentações em que cada um dos strippers mostra um talento pessoal e ao mesmo tempo cumpre uma faceta das fantasias dessas mulheres: Tarzan faz uma performance teatral em que pinta um quadro de glitter da mulher que se junta ele ao palco, chamando-a de “goddess”; a performance de Tito envolve chocolate e chantilly nele e nas três mulheres para os quais ele dança no palco; Ken canta (surpreendentemente bem) “How does it feel?” enquanto dança; enquanto Andre canta “Marry me”, Big Dick Richie encena um casamento com uma das mulheres da plateia e, em seguida, uma noite de núpcias para lá de selvagem com a ajuda de um sex swing e ao som de “Closer”, do Nine Inch Nails; Mike e Malick escolhem duas mulheres da plateia e sua performance foi descrita numa das reviews que eu li como “highly choreographed group sex”, e eu não saberia descrever melhor.

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Confesso que, nesse ponto, eu só estou lembrando do filme, sorrindo que nem uma besta, e esperando que vocês tenham sido convencidos. Se não foram, solto meu trunfo: a melhor cena do filme, em que Big Dick Richie, muito doido de molly, faz uma coreografia para a caixa de uma loja de conveniência enquanto os amigos assistem e torcem do lado de fora. Ah, é: ao som de “I want it that way”.

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