Recapitulando: Jun. 2015

Equilibrar as obrigações e as liberdades desse meu novo estilo de vida está sendo difícil, e junho foi a prova disso. Passei duas semanas funcionando direito, trabalhando muito (participei, inclusive, de uma discussão maravilhosa sobre O histórico infame de Frankie Landau-Banks no clube do livro #leiamulheres especial Capitolina), saindo um pouco (saída mais notável: um delicioso jantar de Dia dos Namorados no restaurante Rústico, em Santa Teresa), uma semana derrotada de cama com uma sinusite tremenda acompanhada de muitos e muitos episódios de Buffy, uma semana com minha irmã em São Paulo (incluindo um dia de muito amor com Capitolindas!), e os dias seguintes trabalhando e tentando reencontrar o equilíbrio. Acho que desde que voltei de São Paulo, uma semana atrás, consegui entrar num ritmo eficiente, mas planejo elaborar isso num post depois (já que não é exatamente parte do meu recap de junho).

O resultado disso? Escrevi menos do que tenho feito ultimamente, li menos coisas na internet também (como vocês verão pela lista razoavelmente reduzida de links no final do post). Saí pouco de casa, e tenho tentado encontrar formas de retomar minha vida social de forma mais ativa. Em compensação, estabeleci um ritmo caseiro e familiar aconchegante e agradável, podendo estar perto da minha mãe e da minha irmã no dia a dia.

A felicidade de estar entre Capitolinas, São Paulo edition.

A delícia de estar entre Capitolinas, São Paulo edition.

No campo mais profissional das coisas, notícias boas: atingimos a meta no Catarse da Capitolina! Devolvemos as revisões todas do livro e já está na etapa do design! Estamos organizando o site novo, as seções novas, os vlogs, e mal posso me conter com a vontade de mostrar tudo para vocês! Yay! E, acompanhando isso, estamos na mídia de novo: numa entrevista pro Lado M, e em uma matéria na revista Claudia de junho (talvez vocês ainda consigam encontrar nas bancas!).

Para quem gosta de ler o que eu escrevo, não tem tanta coisa mas tem alguma: pra Capitolina, falei sobre fandom e linguagem; na Alpaca, saiu meu texto sobre Pretty Little Liars (por sinal: PLL, outro ponto alto do meu mês), e estreei como colunista de relacionamentos estilo Carrie Bradshaw no Modefica com dois textos, um sobre traição e um sobre comunicação.

1. Irmã pronta para sair; 2. Dia dos Namorados; 3. Uma noite tranquila em casa; 4. Clube do livro #leiamulheres.

1. Irmã pronta para sair; 2. Dia dos Namorados; 3. Uma noite tranquila em casa; 4. Clube do livro #leiamulheres.

FILMES

Camp Takota: se você quer uma dose de tranquilidade e fofura, recomendo bastante Camp Takota. Gostei especialmente pelas fofas Grace Helbig, Mamrie Hart e Hannah Hart compondo o elenco principal, já que elas são engraçadas e as interações entre elas são naturais e divertidas. Gostei menos por ser um filme de acampamento, mas, né, é a premissa do filme, eu sabia o que esperar.

White Bird in a Blizzard: comecei esse blog recentemente então vocês todos perderam minha fase de total e completa obsessão pelo Gregg Araki. A fase passou, mas ainda sou muito fã dos filmes dele, e White Bird in a Blizzard não me decepcionou – foi diferente do que eu esperava dele em alguns aspectos (muito menos trash, muito menos gore, muito menos violência gratuita), mas teve os elementos principais que me atraem na obra dele (tudo muito estranho, tudo muito creepy), além do bônus de ser com a Eva Green e seus olhos aterrorizantes.

São Paulo.

São Paulo.

LIVROS

The art of asking; or How I learned to stop worrying and let people help, Amanda Palmer: estou planejando comentar esse livro com mais cuidado daqui a pouco (junto com Radical Self Love, da Gala Darling, que estou lendo agora), mas digo aqui que, como esperado, amei. Li em dois dias (mas não consecutivos), e ainda estou pensando sobre o livro, sobre as mensagens da Amanda Palmer, sobre a trajetória dela.

The age of innocence, Edith Warton: passei anos querendo ler esse livro e ficando com preguiça, e finalmente decidi que era hora. De novo, sem surpresa, gostei bastante – afinal, é um livro sobre alta sociedade em NY, com umas boas doses de ironia e crítica misturadas a uma certa admiração pelo luxo e pela opulência, e eu sou incapaz de resistir uma narrativa dessas.

The claiming of Sleeping Beauty, Anne Rice: parte da minha viagem para São Paulo incluiu ficar presa fora de casa por uma tarde por ter esquecido a chave, o que me levou a quatro horas num sofá na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis com meu Kobo. Terminei The Age of Innocence e, por total burrice (afinal, estava cercada de livros), fui catar outra coisa rápida pra ler no Kobo – a coisa mais curta que me apareceu primeiro (eu estava nos “The”s) foi o conto de fadas erótico da Anne Rice, que eu baixei porque alguém na internet disse que era tipo 50 shades mas bom e eu fiquei curiosa. Conclusão: é ruim também, mas pelo menos tem um quê de conto de fadas no meio, menos de 200 páginas, e me divertiu pelo pouco que levei para lê-lo.

A rotina da sinusite.

A rotina da sinusite.

LINKS: LONGREADS

Why we are witches: an A-Camp roundtable (Mey, Autostraddle, 5 jun. 2015): várias colaboradoras e editoras do Autostraddle sobre bruxaria.
“Queer people know the power of building movements by creating, subverting, and refashioning new meaning for language. When I talk about magic, this is what I mean. I will never personally meet most of the many strong women who created me, but through magic, I understand them. Being a witch is a personal practice that weaves together identity with collective memory. My grandmother came from Japan and never talked about her struggle moving to America. I can see the legacy of her life in the mirror every day, but my only strong memory of her is the smell of the peach tree in her backyard. So I made a bracelet with several charms — a peach, a laminated drawing of her left eye taken from a photo, a drawing of my mirrored right eye, a glass vial with a small poem that I wrote on a scroll. I didn’t take this practice from any book. But I call the poem on the bracelet a spell, and wearing the bracelet feels like magic. It’s a kind of magic to combine memory, history and imagination in a resourceful way.”

Uma entrevista honesta (Luisa Geisler, Blog da Companhia, 30 jun. 2015): respostas honestas para um FAQ zzzzzzzz.
“P: Seus personagens são seus filhos?
R: Sim, pois sou mulher. Mulheres só pensam em filhos.
P: Seus personagens têm algo de autobiográfico?
R: Não, pois são meus filhos.”

Ten days in June (David Remnick, The New Yorker, 26 jun. 2015): sobre dez dias de mudança no governo Obama.
“I think we are born into this world and inherit all the grudges and rivalries and hatreds and sins of the past,” he continued. “But we also inherit the beauty and the joy and goodness of our forebears. And we’re on this planet a pretty short time, so that we cannot remake the world entirely during this little stretch that we have. … But I think our decisions matter. And I think America was very lucky that Abraham Lincoln was President when he was President. If he hadn’t been, the course of history would be very different. But I also think that, despite being the greatest President, in my mind, in our history, it took another hundred and fifty years before African-Americans had anything approaching formal equality, much less real equality. I think that doesn’t diminish Lincoln’s achievements, but it acknowledges that, at the end of the day, we’re part of a long-running story. We just try to get our paragraph right.”

What I learned about Buffy about all the versions of my queer girl self (Vanessa, Autostraddle, 19 ago. 2013): sobre Buffy, identidade e queerness.
“While my friends accepted my new feelings (mostly) easily, I tortured myself. I knew my feelings for girls were real – I felt them! – but how could I possibly be queer if I’d made it nineteen years on this earth without realizing it at all. Sure, I’d liked holding hands with my childhood friend Jess, and okay, I was a little unreasonably upset when Eliza acquired a boyfriend when we were 16, but surely that didn’t count as proof. At the end of the day, I had kissed and dated and fucked men for a long time, and I’d never considered that I might want to do those things with women too, or perhaps only with women exclusively, and so surely I had no business going around cloaking myself in this new queer identity. How could it possibly be real? If I hadn’t known it since I was small, was it a thing that could ever truly be mine?”

A new version of you (Kim O’Connor, The Toast, 14 ago. 2013): sobre Buffy e identidade.
“The thing is, Buffy was never about a girl coming of age. In her universe, as in ours, no one ever finds herself, at least not for long. With its relentless parade of Big Bads, demonic possessions, and fug leather pants, Buffy shows us how to face life’s central challenge: accepting the monsters we have all had to be, and those we have yet to become.”

On neuronationalism: autism, immunity, security (Jack Kahn, The New Inquiry, 17 mar. 2015): sobre segurança, nacionalismo e saúde mental.
“By mobilizing both medical research and psychiatric surveillance, national forces respond to this crisis by mapping a pathology upon autistic bodies, casting them as objects upon which to project the ambient tension of the contemporary. The surveillance of neurology—and any information about bodily difference that we might glean from it—re-encodes national sovereignty, while the national imaginary refigures the meaning of cognitive difference within its immunizing projects. Nation and neuron become co-constitutive entities, as regimes of neuronationalism define citizenship along neurological terms. Increasingly, neurology defines the characteristics of individuals viewed as members of society, while the terms of national inclusion increasingly determine how one’s neurological embodiment should be understood. As the security of the nation becomes enmeshed with the neurological security of its citizens, medical machinery promises to immunize the social body from the pathogenic emergence of danger. The map of the nation now extends to neural registers of being. The “neuron” belongs to the realm of science fiction both as a signifier that structures national feeling and as a measurable unit of surveillance or control. Neuronationalist aesthetics attach a sensationalized valence to neurology and disability, inhering national meaning with (imagined or actual) neural difference.”

A insustentável leveza do ser (humano que não quer ficar de boas) (Waleska Antunes, Medium, 4 jun. 2015): sobre a aparente incapacidade física do ser humano de ficar de boas.
“O ser humano não sabe ficar de boas — é um fato universal constatado por pesquisas das quais você nem precisa ser um cientista tão renomado assim pra chegar a essa conclusão. Por mais que você ache que ele, conhecido como ser humano, quer ficar de boas, curtindo sua vida e tomando um suco enquanto assiste à Usurpadora, não. Ele não quer ficar de boas. É o Carlos Daniel dizer que ama a Paulina que o ser humano já se questiona se é amor ou é cilada, se tem dinheiro no banco, se foi dado comida pro gato e se aquele crush de 1984 em meio à febre das polainas segue bem e se ta feliz com a namorada 16 anos mais nova. Não que isso seja um problema, ela ser 16 anos mais nova, mas o ser não consegue ficar de boas vivendo sua vida.”

A arte de pedir – Amanda Palmer (Taís Bravo, Lendo Mulheres, 3 jun. 2015): sobre The Art of Asking e, bem, a arte de pedir em si (e sobre a Capitolina, porque tem tudo a ver).
“Foi no grupo das capitolinas que aprendi que não tem problema em se mostrar vulnerável. Nossas conversas sobre as pautas do mês sempre nos levam aos mais diversos caminhos – na verdade, todas as nossas conversas, como boas amigas, sabemos que a graça de falar é não se ater ao tópico. Nunca vou me esquecer da edição que falamos sobre corpo e na hora de sugerir matérias acabamos abrindo nossos corações. Me vi conversando com estranhas sobre o meu distúrbio alimentar e problemas de autoimagem, um assunto que nunca compartilhei com meus amigos. Entendi em um golpe só que tudo bem se mostrar frágil, se abrir, porque as pessoas – ou as suas pessoas – vão entender, ouvir e acolher. Esse foi só o início desde então compartilhamos quase tudo que se passa em nossas vidas. Usamos um grupo do facebook – um lugar quase sempre frio de imagens calculadas – para desabafos, brincadeiras e apoio. Pedimos abraços, energias positivas e ajuda para lidar com assuntos muito sérios ou com empecilhos da rotina, por exemplo, foi nesse grupo que aprendi a descobrir qual era a senha do meu wifi. Criamos um laço que nos dá amor e confiança.”

Playing the Hitler card (Amanda Palmer, The New Statesman, 1 jun. 2015): sobre empatia radical.
“I believe that to erase the possibility of empathy is to erase the possibility of human progress. Erasing the possibility of empathy also threatens to erase the possibility of art. We watch Oedipus Rex not because we celebrate and condone the concept of motherfuckers and father killers but because it is cathartic to see our worst nightmares exposed in a safe context. We do not cheer when the blade cuts deep. We weep. We empathise. And we put the play on over, and over, and over again. These differences are crucial. Empathy is not sympathy and compassion is not condonation. Stage blood is exactly that. We spill it, on the stage and on the page, precisely because we can do it without harm.”

Recruitment, resumes, interviews: how the hiring process favors elites (Bourree Lam, The Atlantic, 27 mai. 2015): sobre a discriminação na contratação.
“I think a lot of what they’re looking for when they’re looking for with social skills—or “polish”—is conformity to this particular way of interacting that’s very common in upper-middle-class, upper-class social circles. They’re really looking for, in the interview setting, not only someone who presents well—in terms of someone who’s dressed professionally, who makes eye contact, who seems confident (because those tend to be social skills that are valued even if you go across class), but they’re looking for conformity to these very specific ideals, this delicate balance between being a good listener, and following instructions and what the interview has to say, but also subtlety taking charge. This is a very, very interesting dynamic because if you grew up in a working-class environment and you go for a job interview to work at a factory, people aren’t looking for you to actively take the reins of conversation and establish common grounds with your interviewer; they’re looking for you to follow the interviewer, they’re measuring in many ways conformity and obedience to authority. For someone who has not been in this type of interview, the idea that the interviewee is supposed to actively take the reins of the conversation—in some respect kind of interview the interviewer—is very, very different to what people are used to.”

Ask Polly: how can I stop being a shut-in once and for all? (Heather Havrilesky, The Awl, 25 jun. 2014): sobre depressão, privilégios e se sentir perdida.
“Mostly, though, I think you have to accept that you have a certain kind of avoidant/depressive profile that requires care. Your struggle—like mine—stems from your being unforgiving and unkind to yourself. You’re either SUCCEEDING (kicking ass academically, making friends and keeping them entertained and happy, doing all the stuff you’re supposed to do) or you’re FAILING (hiding out, haunting comments sections, watching three seasons of Battlestar Galactica in a row). You are way too hard on yourself, so you reward yourself excessively to make up for it. When someone says “Take care of yourself,” you associate that with drinking a bottle of wine alone, in bed, while watching Mad Men, even though it should mean dragging yourself out of your room to get a little sunlight, to be around people WITHOUT TRYING TO PLEASE THEM ALL OF THE TIME.”

Pretty Little Liars episode 601 recap: One hundred years of solitude (Heather Hogan, Autostraddle, 9 jun. 2015): sobre o começo da melhor temporada da melhor série (cuidado: spoilers!).
“The dollhouse fucks us up — us, the viewers — because it reminds us that this world is doing its best every day to shove us in there and dress us how it wants and feed us what it wants and torture us into brainwashed compliance. It wants to separate us from each other and, once we’re isolated, play out its entitled, deranged fantasies all over our brains and bodies. Pretty Little Liars takes the real world and crunches it into Rosewood, and now it has taken Rosewood and crunched it into the dollhouse. It makes you sick because you’re looking at the truth. And you know it’s the truth. Spencer says Charles feels familiar. Goddamn right he does.”

Entrando em Julho com o pé direito.

Entrando em Julho com o pé direito.

LINKS: VÍDEOS, PODCASTS, ETC.

Podcast extra! An interview with Troian Bellisario, Bros Watch PLL Too: Troian sendo maravilhosa e falando tudo que eu penso sobre Pretty Little Liars.

Gaysualizando muito: o clipe de “Girls Like Girls” nos deixou mortas, The Support Group: Bru & Gal lindos comentando a maravilha que é o clipe de “Girls Like Girls”, com muitos GIFs e caps lock.